
Por: Luana de Souza

O Sistema Único de Saúde (SUS) deverá passar a oferecer medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” para o tratamento de pacientes com obesidade. A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde e será implementada com base em estudos e em um protocolo clínico que ainda está sendo estruturado.
Os medicamentos fazem parte da classe dos agonistas do receptor GLP-1. Um dos princípios ativos avaliados pelo Ministério da Saúde é a semaglutida, que já está sendo utilizada em um projeto-piloto desenvolvido pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
O estudo começou em junho e acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras condições de saúde. A pesquisa busca avaliar a efetividade e a segurança do tratamento, além de estabelecer parâmetros para o acompanhamento médico dos pacientes.
Entre os pacientes acompanhados estão pessoas que aguardam pela realização de cirurgia bariátrica. Uma das questões investigadas é se o tratamento com a semaglutida pode controlar a obesidade em determinados casos e, consequentemente, evitar a necessidade da cirurgia.
A pesquisa também acompanha possíveis impactos do tratamento sobre outros problemas de saúde. Entre os pontos analisados estão doenças cardiovasculares e a possibilidade de redução da reincidência de câncer de mama.
Para participar do projeto-piloto, os pacientes precisam cumprir critérios específicos, como ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses e apresentar falha documentada no tratamento clínico convencional. Também é necessário conseguir realizar a aplicação do medicamento ou contar com um cuidador para auxiliar no procedimento.
Apesar do anúncio do Ministério da Saúde, a distribuição para pacientes de todo o país ainda depende da definição do protocolo clínico.
O documento deverá estabelecer quais pacientes terão direito ao tratamento, os critérios para indicação do medicamento e a forma de acompanhamento pela rede pública. Por isso, o anúncio não significa que as canetas já estejam disponíveis para qualquer pessoa nas unidades do SUS.
O Ministério da Saúde informou que pretende disponibilizar os medicamentos de forma responsável, com acompanhamento médico e baseada nas evidências produzidas pelos estudos em andamento.
A semaglutida é um dos medicamentos da classe GLP-1. O projeto-piloto realizado no Rio Grande do Sul será utilizado para avaliar os resultados e ajudar na definição das diretrizes para a utilização desses medicamentos na rede pública.
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