Abrigos do Alto Tietê suspendem saída e entrada de moradores de rua durante quarentena; Prefeituras afirmam que vão definir estratégias

Abrigos do Alto Tietê suspendem saída e entrada de moradores de rua durante quarentena; Prefeituras afirmam que vão definir estratégias

Entidades reforçam cuidados com aqueles que estão em instituições e oferecem atividades. Prefeituras afirmam que seguem atendimentos, mas que preparam novas estratégias para esse público por causa do coronavírus.

Com a pandemia provocada pelo novo coronavírus, instituições que se dedicam a atender e abrigar pessoas em situação de rua no Alto Tietê mudaram suas rotinas nos últimos dias. Esses abrigos procuraram adotar novas medidas com o objetivo de evitar um possível contágio por parte dos moradores e, mais do que isso, orientá-los em relação aos cuidados a serem tomados neste período em que boa parte do mundo encontra-se em quarentena.

A Associação Beneficente Onde Moras (Abomoras), em Mogi das Cruzes, é uma das entidades que realizam esse trabalho na região. O local abriga atualmente cerca de 45 pessoas e, nesta época de pandemia, além de ter reforçado medidas de cuidado que vêm sendo recomendadas à população, aposta também na orientação aos moradores.

Por isso, nas paredes da associação, foram colocados cartazes com informações sobre a Covid-19: o que é, como se prevenir, seus principais sintomas e a maneira correta de utilizar o álcool em gel, por exemplo.

“Temos cartazes espalhados com todos os procedimentos, todos os sintomas que estão sendo divulgados. Há sempre uma parada e uma reflexão em relação ao que está acontecendo. Temos conversado sempre para ver se as pessoas conseguem ser mais pacientes, tolerantes. Eles estão contribuindo bem. Quem está lá dentro está cumprindo bem os protocolos”, disse o coordenador da Abomoras, Esdras Leite.

Além dos 45 moradores, a Abomoras conta também com um quadro de 15 funcionários, dos quais alguns foram liberados neste período. Por conta do coronavírus, a associação não está recebendo novos moradores e adotou um protocolo de evitar a saída dos moradores, o que só acontece em casos de grande necessidade, segundo o coordenador.

“Eles ajudam na limpeza, a manter o local mais arrumado. Lá tem uma pequena biblioteca, então eles retiram um livro e fazem uma leitura no quarto, no refeitório. Esses pequenos afazeres ajudam. Tivemos uma conversa para deixá-los bem cientes de que estamos bem no início do processo, de que não se pode sair toda hora. Quando precisar de uma conversa, temos os educadores. Alguns usam a capela para fazer orações. Colocamos uma distância maior entre as cadeiras, então alguns sentam, fazem uma oração”, falou o coordenador.

O Centro Social Bom Samaritano, um dos responsáveis por abrigar pessoas em situação de rua em Suzano, também adotou medidas especiais diante da pandemia do novo coronavírus. O local não está permitindo que os moradores saiam e retornem para a casa neste período de quarentena, válida, a princípio, por 15 dias. Neste momento, o trânsito é só dos funcionários, que passam por processo de higienização no momento da chegada.

Além de ter reforçado os cuidados com a higiene, o Centro Bom Samaritano também tem buscado diversificar as atividades com os moradores por causa da quarentena.

“Elaboramos uma atividade das 8h às 10h com a nossa psicóloga. A partir das 10h, liberamos jogos como dominó, damas, e também a televisão. Após o almoço, nós liberamos os quartos para eles descansarem, e depois, sim, voltamos a fazer as atividades. Eles estão entendendo a situação. Já tive três reuniões para informar o que está acontecendo, e eles estão entendendo bem”, disse o coordenador Valmor Preis.

“Antes, meu atendimento era individual. Agora, por conta da quarentena, todos estão ficando aqui, então resolvi trabalhar de forma diferente. Todos os dias vou me reunir com eles, e vamos trabalhando temas diversos, temas que eles também trouxeram. Então nossas atividades serão em cima disso”, disse a psicóloga Rafaela Canda.

Prefeituras

A Prefeitura de Poá afirmou que realizou na última segunda-feira (23) uma ação junto às pessoas em situação de rua na Praça Armando Rossi. O trabalho, de acordo com a Prefeitura, teve como objetivos o acolhimento, a orientação e a higienização para prevenir o coronavírus junto a esse público.

No local, as pessoas puderam tomar banho e receberam informações a respeito da prevenção da doença, além de terem ganhado roupas.

A reportagem entrou em contato com outros municípios do Alto Tietê para saber sobre a situação desse público diante da pandemia do coronavírus.

Em Mogi das Cruzes, a Prefeitura disse que a Assistência Social está fechando uma estratégia para atender a essas pessoas, com novas ações a serem divulgadas nos próximos dias e que segue realizando atendimento às pessoas em situação de rua neste período de pandemia, apenas tomando novos cuidados e providências.

Um dos locais onde essas pessoas têm acesso a álcool em gel é no Centro POP, no bairro do Mogilar. Lá também é possível tomar banho e trocar de roupa.

De acordo com a Prefeitura, o Centro POP também adotou medidas especiais por conta da doença: atividades de caráter coletivo foram suspensas; refeições estão sendo fornecidas em espaço aberto e arejado, em horários alternados; orientações estão sendo fornecidas aos usuários no que diz respeito a regras de higiene de mãos e corporal, além da adequação dos espaços físicos para atender às normativas de prevenção do coronavírus.

Em Suzano, que conta com 88 pessoas em situação de rua cadastradas na Assistência Social, a Prefeitura disse que irá anunciar novas medidas em breve e que este público segue sendo acompanhado e orientado. Segundo a Prefeitura, a pasta de Assistência Social “já atua com a população em situação de rua e realiza um trabalho de acompanhamento dos indivíduos e irá orientar sempre que necessário e dentro das prerrogativas legais”.

A reportagem também entrou em contato com o município de Itaquaquecetuba, que atende cerca de 250 pessoas em situação de rua por meio do Centro de Referência Especializado para População de Rua. Segundo a Prefeitura, no CREAS POP, o usuário segue recebendo café da manhã, almoço, vestuário, banho e atendimento técnico, mas, devido à pandemia do coronavírus, as equipes têm realizado os atendimentos de forma individual para evitar aglomerações.


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