Alto Tietê tem duas cidades com baixo estoque de medicamentos do kit intubação para covid-19

Arujá e Salesópolis informaram que alguns remédios podem faltar nos próximos dias. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo disse que mandou um novo ofício ao Governo Federal cobrando o envio de remédios para intubação de pacientes graves com Covid-19 em até 24 horas.

Duas cidades do Alto Tietê estão com escassez de medicamentos do kit intubação para tratamento de pacientes com covid-19. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo disse que mandou um novo ofício ao Governo Federal cobrando o envio de remédios para intubação de pacientes graves com Covid-19 em até 24 horas.

Arujá e Salesópolis informaram ao G1 que o estoque de medicamentos é pequeno e alguns remédios podem faltar nos próximos dias.

Medicamentos como anestésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares são fundamentais para casos graves de covid-19, quando o paciente precisa ser intubado. Esses fármacos garantem a realização do procedimento que assegura a chegada de oxigênio aos pulmões nos quadros mais críticos da doença.

Diante do atual cenário no país, o pior desde o início da pandemia, a explosão de internações pela covid-19 fez com que o sistema de saúde ficasse ainda mais sobrecarregado.

O secretário de Saúde de Arujá, Márcio Knoller, informou que a cidade tem estoque para cinco dias. “Faltam, principalmente, os bloqueadores musculares como atracurio/rancuronico. Não há previsão de chegada, por enquanto, e estamos aumentando a quantidade de sedativos se houver falta desses medicamentos, cuja demanda aumentou no mês de março/abril em 150%.”

De acordo com o secretário, o pedido para a vinda dos medicamentos citados já foi feito à Secretaria Estadual de Saúde.

Em Salesópolis, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o medicamento midazolan corre o risco de acabar. Ainda segundo a secretaria, o estoque dos medicamento do kit intubação deve durar entre 15 a 20 dias.

Posição do Governo Estadual

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que mandou novo ofício ao Governo Federal cobrando o envio de remédios para intubação de pacientes graves com Covid-19 em até 24 horas. “A finalidade é abastecer 643 hospitais com itens para suprir pelo menos 10 dias da demanda da rede, totalizando 2,3 milhões de medicamentos. O documento reitera sucessivas cobranças ao Ministério da Saúde no decorrer dos últimos 40 dias, mas ainda prevalece a inércia da União.”

Segundo a Secretaria, a requisição administrativa dos neurobloqueadores e sedativos pelo Ministério, somada ao aumento da demanda de internação em todo país e à dificuldade de fornecimento pelos fabricantes e distribuidores, tem prejudicado o reabastecimento da rede e tentativas de compras realizadas diretamente pelos serviços.

“Até o momento, o Governo Federal não deixa claro o critério de distribuição dos medicamentos requisitados e, por seis meses, não destinou nenhum quantitativo a SP. Assim, além de não atuar como gestor central do SUS, não promove equanimidade entre as Unidades Federativas. O Estado informa diariamente o status de seu consumo e hoje se encontra em situação extremamente grave, com risco de desabastecimento desses itens.

Paralelamente às cobranças, a Secretaria da Saúde disponibilizou aos hospitais estaduais e municipais a possibilidade de adesão para uma compra internacional conjunta e as tratativas estão curso, como alternativa extra para garantir tais remédios.”

Balanços

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a última entrega do Ministério a São Paulo ocorreu no final de março, totalizando 215.313 ampolas de neurobloqueadores e anestésicos, o que corresponde a apenas 6% do que é preciso para atender a demanda mensal da rede pública de saúde do Estado, de 3,5 milhões de ampolas. A quantidade fornecida segue aquém do que o próprio Ministério da Saúde havia sinalizado, de 258.874 ampolas. Também representa somente 7% da demanda mensal do SUS de SP, o que denota a criticidade do abastecimento atual.

Ainda no primeiro trimestre, São Paulo sugeriu ao Ministério a realização de acordos com farmacêuticas, aquisição estratégica internacional, monitoramento diário da demanda e pleiteou a ampliação da disponibilidade de compra por ata federal, até então restrita a 60 dias de consumo, uma vez que ainda na primeira quinzena de março o saldo proporcional do Estado se esgotou. A pasta reitera a importância de providências para que o SUS consiga manter a assistência à população.

Os municípios de Biritiba Mirim e Santa Isabel não responderam aos questionamentos do G1.

G1 pediu uma posição ao Ministério da Saúde.

Veja a resposta dos outros municípios.

  • Ferraz de Vasconcelos

A Prefeitura informou que não possui hospital municipal, portanto os questionamentos devem ser encaminhados ao governo do Estado, que tem a gestão do Hospital Regional Doutor Osíris Florindo Coelho.

  • Guararema

A Secretaria Municipal de Saúde informa que os insumos e medicamentos em estoque são suficientes para atender a demanda atual do município.

  • Itaquaquecetuba

De acordo com a Prefeitura, há medicamentos para intubação o suficiente para atender a demanda. O abastecimento de medicamentos é feito quinzenalmente.

  • Mogi das Cruzes

A Fundação do ABC, que administra o Hospital Municipal, informou que não há falta de medicações e de insumos na unidade e que os pacientes seguem recebendo toda a assistência necessária.

Os estoques atuais encontram-se abastecidos e os processos de compras futuras para medicações e insumos estão seguindo os fluxos normais, sem nenhum tipo de sinalização dos fornecedores em relação aos prazos de entrega.

  • Poá

Segundo a Prefeitura, o município tem kit suficiente para o atendimento por 15 dias. A administração informou ainda que não falta nenhum medicamento para manter o paciente intubado sedado.

  • Suzano

A Prefeitura de Suzano informou que a Secretaria Municipal de Saúde tem medicamentos do kit intubação com estoques variados. Há uma ata para compra constante desses itens e, por enquanto, não há previsão de falta. Normalmente, a cada mês é feita nova aquisição.

A administração informou ainda que a duração do kit é variável, de acordo com o número de pacientes que necessitam, estado de saúde, tempo de permanência em intubação, entre outros fatores. Atualmente, cada um pode durar uma ou duas semanas.

Além disso, a pasta aguarda retorno do pedido de autorização que fez à Secretaria de Estado da Saúde – a quem informa semanalmente sobre a situação da quantidade disponível de medicamentos – para utilização da ata estadual a fim de adquirir esses itens e reforçar o estoque.

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