Polícia cumpre mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Arujá; vice-prefeito foi preso

Ação é desdobramento da operação “Soldi Sporchi”, que apura desvio de dinheiro na Secretaria Municipal da Saúde.

A Polícia Civil de Guarulhos cumpriu mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (30) em Arujá. A ação faz parte de um desdobramento da operação “Soldi Sporchi” (Dinheiro Sujo), iniciada no mês de junho, que apura o desvio de dinheiro na Secretaria Municipal de Saúde.

Durante a investigação, o vice-prefeito de Arujá, Márcio José de Oliveira (PRB), também foi detido, em cumprimento a um mandado de prisão temporária, por suspeita de lavagem de dinheiro e envolvimento com organização criminosa.

De acordo com a Polícia, a suspeita é de que a Organização Social (OS) contratada pela Prefeitura esteja ligada ao tráfico de drogas e que um grupo de pessoas, incluindo o vice-prefeito, esteja envolvido com o esquema criminoso.

“O que a gente pode adiantar é que é um desdobramento da operação que ocorreu no dia 3 de junho, operação Soldi Sporchi. Essa é a segunda fase e que, naquela oportunidade, já se averiguava a relação entre organizações sociais e criminosos que agem celebrando contratos na área da saúde”, afirma o delegado Fernando José Goes Santiago.

A investigação segue em segredo de Justiça e, segundo o delegado, está próxima do fim. “A gente acredita que estará terminando esse inquérito policial dentro dos próximos dias. Aqueles que foram encontrados com elementos e informações suficientes, serão indiciados, serão colocados à disposição do judiciário”, declara.

Em nota, a Prefeitura de Arujá confirmou que a Polícia Civil esteve no Paço Municipal durante a manhã para fazer busca e apreensão no gabinete do vice-prefeito. Destacou, ainda, que apenas a sala dele Oliveira foi alvo do procedimento.

“Diante de todos os desdobramentos da investigação, a Prefeitura lamenta os ocorridos, continua aguardando os desfechos da operação e se coloca inteiramente à disposição da justiça para colaborar no que for preciso”, completou a administração municipal.

Procurada pela reportagem, a defesa do vice-prefeito informou que não iria se manifestar porque não teve acesso ao processo, que está em segredo de Justiça.

Nas ruas de Arujá, a população ficou revoltada com a suspeita do envolvimento do vice-prefeito em desvio de dinheiro. “Eu acho que é uma vergonha, eu acho que é um absurdo, eu acho que a população de Arujá não merece. E eu espero que a justiça seja feita”, pede a professora Ivandelma Lima Pacheco.

O representante comercial Alessandro Machado de Assis espera que as investigações prossigam. “E que seja feito o melhor para a nossa cidade.”

Investigação

Ao todo, são 12 mandados de prisão temporária e 20 de busca e apreensão a serem cumpridos na capital, em Guarulhos, Arujá, Poá, Mogi das Cruzes e Suzano, além de Itu, Indaiatuba e Bertioga. Seis pessoas já foram presas, incluindo o vice-prefeito.

Entre os outros presos suspeitos de integrar o grupo que desviava dinheiro da área da saúde, estão uma gerente do hospital municipal, em Arujá, e o membro de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios, além de familiares dele.

O homem apontado como o chefe da quadrilha, Anderson Lacerda Pereira, segue foragido desde a primeira etapa da investigação em 3 de junho. De acordo com o delegado, Márcio era vizinho de Pereira, que é dono de 20 casas no mesmo condomínio onde o vice-prefeito foi preso.

Foram pedidas as prisões de outros administradores do hospital, mas a polícia ainda aguarda resposta da Justiça, segundo o delegado. “Eles [integrantes da quadrilha] desviavam dinheiro do hospital, faziam contratos superfaturados e uma parte do contrato voltava às mãos do criminoso [Anderson]”, disse o delegado Fernando.

Os presos e objetos apreendidos foram levados para o 4º Distrito Policial (DP) em Guarulhos.

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