Com suspensão de coleta seletiva no Alto Tietê, cooperativas de reciclagem

Mogi das Cruzes e Arujá passa a descartar detritos com lixo úmido em aterros.

Em algumas cidades do Alto Tietê a coleta seletiva foi suspensa. Com isso, as cooperativas de reciclagem paralisaram suas atividades.

Em Arujá desde dia 23 de março a cooperativa não funciona Na esteira trabalhavam dez dos 18 cooperados fazendo a separação dos materiais. Todo o estoque pronto para venda também continua do mesmo jeito. “A gente teve que parar por causa do pessoal que estava descartando máscara, luva junto com material reciclável e isso poderia contaminar os cooperados. O preço do material também cai e caindo a gente não vai conseguir suprir a nossa despesa”, afirma Adriano Cavalcante que é líder dos cooperados.

A Prefeitura passou a pagar um salário de R$ 880, por até três meses para cada cooperado. O valor é baseado na renda média deles. Mas o prejuízo para o meio é inevitável. A cooperativa de Arujá reciclava 70 toneladas de materiais por mês. Tudo agora vai para o aterro sanitário junto com o lixo comum.

Em Mogi das Cruzes a situação é parecida. A cooperativa parou de fazer a separação do material que vinha da coleta seletiva. O lixo comum e o reciclável têm o mesmo destino por enquanto que é o aterro sanitário. Os ecopontos continuam abertos. Parte dos materiais que os moradores trazem é desinfetada com uma solução à base de água sanitária.

A pilha de recicláveis que recebe a limpeza vai para uma outra sede da cooperativa que ainda faz a separação. Mas a orientação é que os moradores não tragam mais esses materiais para cá. “Ambientalmente falando hoje a gente pede que as pessoas coloquem junto com o resíduo que vai para o aterro. É com muita dor no coração, mas dado a esse estado de calamidade pública é o mais aconselhável”, explica o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Daniel Teixeira.

Mas os moradores podem trazer normalmente os materiais mais pesados. Eles vão direto para as empresas que fazem a reciclagem ou para aterros específicos. “Continua funcionando de segunda a segunda das 8h às 17h, recebendo pneus, resíduos da construção civil, móveis, eletroeletrônicos.”

Santa Isabel é uma exceção. A cooperativa funciona normalmente. Os cuidados aumentaram. Além das luvas que já eram usadas, agora todos trabalham com máscara.

Os cooperados também aumentaram a distância entre eles e reforçaram a higiene. “As trocas de luva, geralmente, estamos trocando bastante, lavar a mão com muita frequência, usar álcool, álcool gel com muita frequência”, destaca Deise Moreira de Moraes que é vice-presidente da cooperativa.

Para cá chegam 17 toneladas de recicláveis todos os meses, o que significa 5% de toda a coleta da cidade. O funcionamento em plena quarentena está autorizado pela Prefeitura.

“É uma questão de resíduos até para a cidade e para eles também ter a renda da venda desse material”, diz o coordenador de meio ambiente Fábio da Silva Laurindo.

Outras Cidades

Os trabalhos da Cooperativa Cruma em Poá estão parados. A situação é a mesma em Suzano. A cidade manteve apenas um funcionário no setor administrativo. Os ecopontos também permanecem com os serviços suspensos. A situação é a mesma em Biritiba Mirim.

Em Guararema, a cooperativa reduziu o número de funcionários e direciona o recolhimento dos recicláveis para os quatro pontos de entrega voluntária. Os cooperados vão receber cestas básicas enquanto o trabalho estiver suspenso, além de um subsídio mensal, que deve permanecer pelo período necessário. Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba não têm serviço de reciclagem. Salesópolis não informou sobre a situação da reciclagem na cidade.

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