Doação de órgãos diminui 5% no Alto Tietê; entenda como funciona o transplante e quem pode ser doador

Doação de órgãos diminui 5% no Alto Tietê; entenda como funciona o transplante e quem pode ser doador

Em todo o Estado de São Paulo, a queda do número de transplantes foi ainda maior: de 8,1 mil para 1,6 mil transplantes no primeiro semestre de 2018 para 2019.

O número órgãos retirados de pacientes que morreram e tiveram a doação autorizada pela família diminuiu 5% no primeiro semestre de 2019 no Alto Tietê, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Os dados foram obtidos com exclusividade pelo G1 através da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Os hospitais da região realizam a captação de órgãos e os encaminham para transplantes, que são realizados em outros municípios.

Apenas o transplante de córneas é realizado no Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes.

Em 2018 foram realizados 70 transplantes nos hospitais públicos da região. Já neste ano foram 67 procedimentos.

A Secretaria Estadual de Saúde, via LAI, também informou que em todo o Estado os transplantes também tiveram queda no período.

Os números mostram uma situação ainda mais alarmante: em 2018 foram 8,1 mil e, em 2019, 1,6 mil transplantes.

Cerca de 60% dos transplantes realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) são de córnea e o transplante de córnea representa 27% do volume total.

Os procedimentos são realizados em hospitais habilitados junto ao Ministério da Saúde.

A Santa Casa de Mogi das Cruzes também realiza a coleta de órgãos para transplantes, por meio de uma parceria com o Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) e com o Instituto Dante Pazzanese.

Segundo o diretor da Santa Casa, Ricardo Bastos, a doação de órgãos pode não somente salvar uma vida como também amenizar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida dos doentes.

“Nós temos pessoas que estão fazendo hemodiálise pelos rins terem parado três vezes por semana. Quando você faz um transplante, você restabelece a função do aparelho urinário dessa pessoa. Ela vai ter uma qualidade de vida melhor e vai voltar para o convívio social.”

Na Santa Casa de Mogi, o percentual de familiares que autorizaram a doação de córneas também teve queda no primeiro semestre de 2019, se comparado com o mesmo período do ano passado.

De acordo com os dados divulgados através da Santa Casa, em 2018, 58% dos familiares entrevistados autorizaram o transplante de córneas, já neste ano, apenas 34% das famílias concordaram com o procedimento.

Em 2018 foram 39 entrevistas para explicar sobre o transplante de córneas e, delas, 22 foram bem sucedidas. Já neste ano, 29 famílias foram entrevistas, mas apenas 10 autorizaram o transplante.

Tanto em 2018 quanto em 2019 três pacientes da Santa Casa foram diagnosticados com morte encefálica. No ano passado, porém, duas famílias autorizaram a doação de órgãos e, neste ano, apenas uma concordou com a realização do transplante.

Como funciona o transplante?
O médico explica que existem dois tipos de coleta de órgãos para a doação: as córneas podem ser retiradas após a constatação do óbito, já os demais órgãos, como coração, rim, pulmão, etc, precisam ser transplantados quando o paciente é diagnosticado com morte cerebral.

A situação, porém, ainda assusta um pouco os familiares porque, apesar do quadro clínico do paciente ser irreversível, ele continua respirando e com o coração batendo, mesmo quando as atividades cerebrais já cessaram.

“Para isso, há uma série de testes, um protocolo para constatar a morte encefálica e, depois, contatamos a família para saber se eles poderiam doar.”

Quem pode doar? Paciente que morreu de câncer pode ser doador de órgãos?
Entre as restrições de órgãos que serão transplantados, a equipe médica verifica se o paciente apresentava alguma doença infectocontagiosa, como AIDS, ou infecção generalizada. Vítimas de câncer, dependendo do estágio da doença, podem sim ser doadoras. “Depende também do tipo de câncer, mas pode ser doador também. O mais comum é o transplante de rim.”

Até mesmo pele e ossos podem ser transplantados, dependendo da necessidade e da avaliação de uma prótese. “As pessoas acabam tento que fazer a opção da doação de órgãos em um momento difícil da vida, mas a família acompanha todo o processo. A coleta é universal, é feita aqui, mas o transplante em si é feito para hospitais especializados”, finaliza.

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