Enterros crescem 23% nos cemitérios do Alto Tietê em abril, durante pandemia do novo coronavírus

Região já havia registrado um aumento de 7% em março. Algumas cidades já anteciparam a abertura de novas covas para o enfrentamento da pandemia ou se preparam para o possível aumento da demanda.

Cresceu em 23% o número de enterros nas cidades do Alto Tietê no mês de abril em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 568 sepultamentos em 2019 e 699 em 2020, durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Até a última sexta-feira (15), 194 tinham morrido por causa do novo coronavírus na região.

O levantamento  inclui dados de de Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá e Suzano. Os municípios de Arujá, Salesópolis e Santa Isabel também foram questionados, mas não responderam.

A região já havia registrado um aumento no mês de março em uma comparação com 2019. Foram 7% enterros a mais, sendo 639 no ano passado e 689 em 2020. Algumas cidades anteciparam a abertura de novas covas ou se preparam para o possível aumento da demanda.

Números por cidade

Guararema foi a cidade que registrou o maior aumento. Em abril deste ano foram 17 sepultamentos, cerca de 54% a mais do que o registrado no ano anterior. Em março o aumento foi ainda maior em uma comparação com o mesmo mês de 2019: 81%.

Em seguida está Ferraz de Vasconcelos. De 64 sepultamentos em abril de 2019, o município foi para 92: 43% a mais. O número de março, no entanto, foi um pouco menor. A cidade teve 74 enterros no ano passado e 73 neste.

Poá e Suzano também tiveram um aumento parecido de, respectivamente, 36% e 34% no mês de abril. Na primeira foram 61 sepultamentos em 2019 e 83 em 2020. Na outra, foram 116 no ano passado e 156 neste.

De acordo com os dados da Prefeitura de Poá, a cidade já registrava aumento desde março. Foram 55 no ano passado e 78 agora, cerca de 41% a mais. Suzano, no entanto, teve redução em março: dos 161 enterros em 2019 foi para 138.

Em Mogi das Cruzes o aumento foi de 18% em março e 13% em abril. No primeiro mês, o número de enterros foi de 221. No outro, 199. A Prefeitura, no entanto, destacou que o número não poderia ser associado apenas à pandemia do novo coronavírus, porque tem influência direta de fatores como o crescimento populacional e o envelhecimento.

Além disso, o município lembrou que no caso dos jazigos perpétuos existentes nos cemitérios municipais, os corpos sepultados não são, necessariamente, de moradores da cidade, uma vez que existe uma concessão do lote para a família em questão.

Na cidade de Itaquaquecetuba, o aumento em abril foi parecido com o de Mogi. A cidade passou dos 132 enterros em 2019 para 147. Na comparação de março o aumento foi de 6%.

Biritiba Mirim foi a única cidade que registrou queda no número de enterros em ambos os meses. Segundo os dados disponibilizados pela administração municipal, as reduções foram de 14% em março e 37% em abril.

Número de enterros nos cemitérios do Alto Tietê em abril

CIDADE20192020
Arujá
Biritiba Mirim85
Ferraz de Vasconcelos6492
Guararema1117
Itaquaquecetuba132147
Mogi das Cruzes176199
Poá6183
Salesópolis
Santa Isabel
Suzano116156

Fonte: Prefeituras

Número de enterros nos cemitérios do Alto Tietê em março

CIDADE20192020
Arujá
Biritiba Mirim76
Ferraz de Vasconcelos7473
Guararema1120
Itaquaquecetuba144153
Mogi das Cruzes187221
Poá5578
Salesópolis
Santa Isabel
Suzano161138

Abertura de covas

As cidades também foram questionadas se houve antecipação na abertura de covas por causa da pandemia e se precisaram criar um Comitê Funerário para discutir medidas sobre o assunto.

  • Mogi das Cruzes: A Secretaria de Governo de Mogi das Cruzes lembrou que antecipou a construção de 600 novos jazigos no Cemitério da Saudade, que estava prevista para o segundo semestre. Disse, também, que a implantação busca ampliar ainda mais a capacidade de atendimento para os mogianos, tanto de possíveis vítimas desta situação emergencial causada pela pandemia de Covid-19, quanto a demanda referente ao crescimento populacional.
    Declarou que a cidade conta com um protocolo único, com as especificações de atuação de cada órgão em casos de emergência e óbitos em casa, onde foi disciplinado o manejo dos corpos, com ação específica no caso de corpos com confirmação ou suspeita de contaminação por Covid-19.
  • Ferraz de Vasconcelos: O município se prepara para a abertura de aproximadamente 90 novas covas a partir do momento em que aumentar a demanda. A ampliação será no Cemitério do Cambiri. A Prefeitura informou, porém, que não criou Comitê Funerário para o enfrentamento da Covid-19.
  • Guararema: A situação é a mesma em Guararema, que não possui comitê, mas deve disponibilizar cerca de 70 sepulturas no Cemitério São Benedito. Outras 500 já estão disponíveis no Cemitério Parque Jardim e a abertura ocorre conforme a necessidade.
  • Itaquaquecetuba: A Prefeitura informou que tem mantido a média de 100 sepulturas abertas no Cemitério Morada da Paz como o de costume. Os demais não têm covas abertas, pois são particulares. Disse também que conta apenas com um Comitê de Enfrentamento ao novo Coronavírus.
  • Suzano: a Secretaria Municipal de Administração disse que não houve a necessidade de criação de Comitê Funerário em Suzano e que está tomando todas as medidas necessárias para garantir os sepultamentos nos cemitérios públicos da cidade, levando em conta todas as orientações das autoridades sanitárias.
  • Poá: A cidade informou que segue o Guia para o Manejo de Corpos no Contexto do Novo Coronavírus do Ministério da Saúde, que traz as recomendações de como devem ser realizados os funerais, o manuseio do cadáver nos hospitais, em domicílio e em espaço público.
  • Biritiba Mirim: A administração municipal afirmou que também não houve antecipação na abertura de covas e nem criação de comitê.

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