Família relata adeus a morto por Covid-19 ainda mais triste por falta de velório; veja novas regras para funerais no Alto Tietê

Família relata adeus a morto por Covid-19 ainda mais triste por falta de velório; veja novas regras para funerais no Alto Tietê

Durvalino da Silva, de 69 anos, foi a primeira pessoa a morrer com confirmação da doença em Mogi das Cruzes e não teve velório, atendendo aos decretos da ANS e Secretaria de Estado de Saúde.

A falta de uma cerimônia de despedida é uma das situações mais difíceis encaradas pela família do aposentado Durvalino da Silva, de 69 anos, primeira pessoa a morrer por Covid-19 em Mogi das Cruzes. A companheira de duas décadas agora ficará apenas com a imagem dele deixando a casa da família com sintomas de gripe, no último dia 23.

“Está sendo difícil para a família inteira não poder se despedir”, conta Zilda Balisa Cruz, de 75 anos.

Após uma semana de internação, o aposentado não resistiu à segunda parada cardiorrespiratória e morreu no Hospital Municipal de Brás Cubas, em Mogi das Cruzes. Segundo a família, a orientação médica era de que ele fosse enterrado no dia seguinte pela manhã, sem qualquer cerimônia, conforme resoluções da Agência Nacional de Saúde (ANS) e da Secretaria de Estado de Saúde.

Depois de insistir na cremação do corpo, a família conseguiu a liberação para o procedimento pelo hospital. Mas, ainda assim, os quatro filhos, oito netos, um bisneto e quatro irmãos não puderam homenagear Durvalino. O corpo está no Crematório da Vila Alpina à espera de vaga para a cremação.

“Eu acho que sem o adeus a ficha vai demorar mais a cair. Eu fico no quarto e dá a impressão que ele está chegando do trabalho. Porque quando ele chegava eu já estava deitada. Ele abria a porta, me cumprimentava, ia para o banheiro tomar banho”, conta a mulher.

Pessoas que morreram com a Covid-19 não são veladas e os enterros tem o mínimo de parentes, geralmente dois, à distância. Mas a pandemia também mudou as regras para mortes ocasionadas por outros fatores, que variam de acordo com o município. Em geral, os velórios precisam ser mais curtos e com menos gente.

Assim, além da família, a pandemia trouxe novas adaptações às funerárias e seus colaboradores. Elaine Moro Higa é gerente administrativa na funerária que presta o serviço à Prefeitura Municipal. Desde que os novos protocolos foram definidos, na semana passada, ela viu mudar também a reação dos familiares dos mortos que nem mesmo tinham suspeitas de Covid-19.

“É uma questão cultural, todo mundo quer velar, que amigos e familiares prestem homenagens, então era mais difícil deles entenderem que aqui em Mogi só poderia velar por quatro horas. Mas, conforme as notícias foram mostrando que a situação está cada dia mais grave, eles foram aceitando. Hoje a gente não tem problemas”, destaca.

Os funcionários da funerária também receberam as orientações e agora precisam usar mais equipamentos de proteção individual, como máscara, luva, roupa impermeável, touca, entre outros, em caso de mortos confirmados ou com suspeita de Covid-19.

“Quando a gente chega para retirar os corpos eles já estão dentro de invólucros e a gente não pode mais mexer. Só coloca no caixão e leva para o cemitério direto”, conta a gerente.

Velórios de mortes por outras causas

O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) informou que o tempo máximo de velório tem duração varia de 2 a 4 horas (dependendo do município), com restrição de permanência de 10 a 15 pessoas por sala, para quem não tem suspeita de Covid-19.

No caso dos óbitos suspeitos e confirmados, foi compartilhado com os municípios as diretrizes da ANS e da Secretaria de Estado da Saúde, com as condutas para manuseio e transporte até o sepultamento.

Entre eles, há permissão do sepultamento sem o atestado de óbito, mas com relatório com a informação de suspeita de Covid-19, e que os caixões sejam lacrados e os corpos estejam dentro de sacos e sem velório.

Veja como ficam os velórios de mortos por outras causas em cada uma das cidades da região

Arujá

No decreto de calamidade pública de Arujá consta que “em relação aos velórios, independentemente de “causa mortis”, os funerais e ofícios fúnebres, em cemitérios públicos e privados, ficarão limitados a 10 (dez) pessoas em cada sala, devendo ser priorizado o tempo máximo de (4 quatro) horas, e se evitar cortejos e aglomerações.”

Biritiba Mirim

Em Biritiba Mirim, a determinação da Prefeitura é para que o tempo máximo de duração de velório seja de quatro horas de velório com limite de cinco pessoas (familiares). A capacidade da funerária é de quatro velórios por dia.

Ferraz de Vasconcelos

Em Ferraz de Vasconcelos, o velório pode durar no máximo 3 horas, para apenas 30 pessoas.

Guararema

O prazo máximo de permanência de pessoas no Velório Municipal de Guararema é de uma hora, com limite máximo de 30 pessoas, sendo 15 no salão principal e mais 5 em cada sala, ficando recomendado distância de 2 metros entre elas.

É proibida a aglomeração de visitantes na entrada e área externa do local. No cortejo é recomendado sepultamento apenas com familiares próximos, sem ultrapassar 10 pessoas.

Itaquaquecetuba

A Prefeitura de Itaquaquecetuba informou que tem orientado as famílias a reduzirem o tempo de velórios, evitar aglomeração e que só entrem de 10 em 10 pessoas, respeitando o distanciamento necessário. Outra medida na cidade é a de manter os cemitérios fechados para visitas neste momento de pandemia.

Mogi

Em Mogi das Cruzes, o que está em vigor é a duração máxima de quatro horas para os velórios e a presença máxima de 10 pessoas. Os velórios também permanecem fechados das 22h às 7h. Também são observadas as normativas referentes à proteção sanitária.

Suzano

O Velório Municipal de Suzano permanece funcionando, mas com redução no horário: o funcionamento limite para sepultamento é das 06h30 às 16h30.

Apenas dois boxes (dos seis existentes) podem ser utilizados por vez e o limite de pessoas por box é de até 10 pessoas. A duração não deve ultrapassar duas horas e as urnas devem estar lacradas.

Além disso, os usuários recebem as orientações e recomendações gerais de saúde para evitar a proliferação da doença. Estas medidas foram tomadas para proteger tantos os familiares e usuários do velório, quantos os próprios funcionários.

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