Professora da rede pública ganha prêmio em congresso por iniciativa em ensino remoto em Guararema

Professora de inglês, Suéller Oliveira da Costa desenvolveu e-book com ilustrações e orientações e incentivou a participação dos alunos.

Para manter os alunos interessados em aprender inglês, mesmo à distância, uma professora que dá aulas em Guararema, montou um projeto que não só cumpriu o objetivo, como também levou o primeiro lugar no Congresso Educa Week, um evento que reúne especialistas para palestras e troca de experiências. Suéller Oliveira da Costa usou o idioma para falar de um tema bem atual: o coronavírus.

Agora os encontros com os alunos e a sala de aula não fazem mais parte da rotina. O trabalho todo é feito em frente ao computador .

Suéller mora em Mogi das Cruzes, mas dá aulas em uma escola municipal de Guararema. Para incentivar os estudantes de 6 a 11 anos a aprenderem inglês em casa, a professora desenvolveu um projeto com várias etapas. Ela adaptou o conteúdo com a temática do coronavírus nas aulas on-line, desenvolveu um e-book com ilustrações e orientações e também incentivou a participação dos alunos com jogos interativos e com a produção de cartazes e vídeos.

“Nós tivemos, não só eu, mas todos os professores, que abordar a temática do coronavírus com as crianças. Elas tinham que saber o porquê de elas irem para a casa, o porquê de elas terem que ficar em isolamento social e, principalmente não visitar as pessoas queridas e ter um novo hábito de vida, digamos assim. Então nós começamos com essa temática e, como professora de língua inglesa e por se tratar de um assunto mundial, global, eu achei necessário trabalhar neste idioma, principalmente as expressões relacionadas a hábitos de higiene, os protocolos, as recomendações, as orientações”, conta Suéller.

Com o projeto, Suéller participou do prêmio nacional com o tema experiências no ensino remoto. Ela concorreu com vários projetos de todo o Brasil e conquistou o primeiro lugar na categoria Educação Fundamental 1.

A premiação foi on-line em um congresso de educação. Mais de 150 professores disputaram o prêmio. “Houve uma torcida intensa e quando eu cheguei na final a gente já estava se sentindo vitorioso, porque ser um dos dez vídeos mais votados foi muito difícil. Quando saiu o resultado, foi emocionante. Fiquei muito feliz!”

A diretora da Escola Municipal Célia Leonor Lopes Lunardini, em Guararema, onde a Suéller é professora, conta que esses projetos com o uso da tecnologia estão motivando os alunos o período sem as aulas presenciais.

“Eu assisti à aula dela, com a turminha do quinto ano, que eu estou responsável. Eu me apaixonei pela aula, falei ‘gente, que maravilha’. Isso deu um boom na aula. As crianças começaram a participar muito mais, a família, porque veja bem, o inglês da família é complicado”, diz a diretora Marly Prado.

Uma das dificuldades é o acesso à internet de parte dos alunos. “A nossa comunidade é uma comunidade mais central. Logicamente que a gente tem alguns que têm mais dificuldades, principalmente agora que alguns pais já voltaram a trabalhar e dependem do celular. Mas na maioria temos conseguido alcançar sim”, avalia a diretora.

Manuella Souza é aluna da professora e participou bastante do projeto. O incentivo e a participação da família fizeram toda a diferença no aprendizado.

“Eu acho que o mais legal das aulas é quando a gente tira foto, faz vídeo, faz desenho”, diz a pequena Manuella.

“É um tema que está batendo na porta da gente todos os dias e ela soube abordar de uma forma bem lúdica e foi bem bacana. Nós gostamos bastante de participar e cada vez mais explorar o assunto, né? Foi muito divertido e ficamos muito felizes e orgulhosos de a professora Suéller ter sido premiada”, conta a mãe de Manuella, Alessandra Souza.

Com esse exemplo de criatividade e muita dedicação, dá pra perceber que a educação também se reinventa nesse período de pandemia. De perto ou de longe, o importante é aprender.

“Nós, como professores, nós tivemos que nos reinventar, no sentido de buscar novas estratégias metodológicas, usufruindo sim das tecnologias, mas dando um pouquinho mais de vida a elas e mostrando para as crianças que a tecnologia pode ter um lado mais sensível. Para o lado dos alunos, eles criaram uma nova rotina de estudos, também se reinventaram e as famílias, a questão de se reorganizar dentro de casa, de conseguir dividir as suas tarefas cotidianas com a tarefa de agora mediar o aprendizado dos seus filhos. Os três públicos foram bastante desafiados”, avalia a professora Suéller.

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