Centro de Contingência do Coronavírus recomenda que Itaquaquecetuba volte para fase vermelha do Plano SP

Segundo órgão, município mostra uma taxa de ocupação muito alta de leitos de UTI, bem acima de 80%. Cidade, assim como todo o Alto Tietê, está na fase laranja.

Nesta quinta-feira (2),o Centro de Contingência do Coronavírus recomendou ao governo estadual que Itaquaquecetuba retroceda no avanço da flexibilização do Plano São Paulo. Atualmente a cidade e todos os outros municípios do Alto Tietê estão na fase laranja.

A recomendação do centro é que Itaquaquecetuba volte para a fase vermelha, a mais restritiva, onde é permitido o funcionamento apenas dos serviços essenciais.

A mudança de fato das etapas do Plano SP serão anunciadas nesta sexta-feira (3). A região pode permanecer na mesma fase ou ter que retroceder para a vermelha. A evolução para uma fase mais branda só é possível a cada duas semanas, o que pode ocorrer em 10 de julho.

“O Centro de Contingência avaliou os indicadores utilizados no Plano São Paulo para esse município que mostra uma taxa de ocupação muito alta de leitos de UTI bem acima de 80%, e taxas de epidemia, de aumento de internações muito elevadas, de forma que o Centro de Contingência recomenda que esse município institua a fase de quarentena no nível vermelho”, afirmou Paulo Menezes, coordenador do centro. As mudanças de fase devem ser anunciadas nesta sexta-feira (3).

Na quarta-feira (1º), o Hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba tinha uma taxa de ocupação da UTI de 95%. A unidade conta com 62 leitos para casos de Covid-19, somando 22 de UTI e 40 de enfermaria.

Questionada pelo G1, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico respondeu que as regiões só avançam caso haja melhora nos indicadores de saúde e contágio e, ainda assim, precisam seguir os protocolos definidos para cada fase, que necessitam de duas semanas para avançar.

Segundo a secretaria, a próxima atualização do Plano São Paulo será divulgada nesta sexta-feira (3). A pasta ainda afirmou que “o Plano SP prevê faseamento regionalizado e segue sob monitoramento contínuo e diário, permitindo inclusive intensificação das medidas de isolamento social, caso o Centro de Contingência do Coronavírus identifique necessidade. O Plano dá autonomia às prefeituras para que, dentro dos limites estabelecidos pelo Estado, diminuam ou aumentem as restrições nos municípios, desde que apresentem os pré-requisitos embasados em definições técnicas e científicas.”

Na última avaliação feita no dia 26 de junho, o Alto Tietê não avançou no Plano SP. A região continua na fase laranja para onde avançou no dia 10 de junho.

A Secretaria de Desenvolvimento completa que “o plano é dividido por departamento regional de saúde. Então, é analisado todos os indicadores de saúde para decidir se aquela região ou sub-região (departamento) como um todo vai retroceder ou avançar de fase.”

Mais Transparência

O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) afirma que espera transparência e um detalhamento do Estado sobre os indicadores para que a região não seja prejudicada nas etapas do Plano SP.

O consórcio destaca que desde o início da quarentena e do Plano SP, é o órgão que representa o Alto Tietê e através do qual foram feitas todas as reuniões e articulações com representantes do Governo do Estado, pois todos os passos sempre foram com caráter regional.

“Até o momento, o consórcio não foi acionado por qualquer representante do Governo do Estado sobre a situação de Itaquaquecetuba e, pelo apurado, nem mesmo a cidade. O secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, foi indagado pelo Condemat, porém não houve retorno até o envio desta nota.”

A direção do Condemat ressalta que os dados do Alto Tietê desta quinta-feira (2) apontam para uma ocupação de 51,6% nos leitos de enfermaria e de 58,6% na UTI, além de uma variação semanal de 3,5% nas internações.

Responsabilidade do Estado

A Prefeitura de Itaquaquecetuba destaca que a recomendação do Centro de Contingência do Coronavírus para o retorno da cidade a fase vermelha é baseada no número de ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) no município. “Mas ressaltamos que todos os leitos de UTI existentes na cidade são de responsabilidade do Governo do Estado através do Hospital Santa Marcelina.”

A cidade tem um hospital de campanha que funciona na UPA da cidade. Ele começou a funcionar em 16 de junho. Mas em abril, o município já tinha recebido mais de R$ 4 milhões, dos governos federal estadual, para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

Segundo a Prefeitura, a ocupação do hospital de campanha está em 15%, com cinco respiradores disponíveis. “Além disso, foi solicitado no mês de abril mais 10 respiradores ao Governo do Estado e estes não foram enviados. Em relação à abertura de leitos de UTI é de responsabilidade do Estado fazer essa ampliação, já que o Hospital Santa Marcelina tem atendido pacientes de quatro munícipios da região e não somente de Itaquaquecetuba.”

Ainda de acordo com a administração municipal, a cidade por meio do hospital de campanha tem “cinco leitos com monitores multiparametro e bombas de infusão que se encontram disponíveis, desocupados, os quais o Governo do Estado de São Paulo não faz menção em sua estatística porque leito de UTI compete ao Estado e não à Prefeitura Municipal, cuja obrigação é atender a baixa complexidade.”

Em resposta, o governo do Estado infirmou que “o município erra ao dizer que o Governo não cumpriu com seus compromissos. Logo em janeiro de 2020 foi aberta a UTI Pediátrica no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos, que possui 29 leitos exclusivos para COVID-19, somando 13 leitos de UTI e 16 de enfermaria. Também na próxima segunda-feira (6) serão iniciadas as atividades no HC de Suzano”.

Comentários

mood_bad
  • Ainda não há comentários.
  • Adicionar um comentário

    Gostou?
    Antes de Ir...

    SIGA A GENTE NAS REDES SOCIAIS