Itaquaquecetuba registra aglomerações e desrespeito à quarentena em festas e casas noturnas durante a pandemia

Em alguns casos, festas são divulgadas por meio das redes sociais e por aplicativos de mensagens. Aglomerações ocorrem em locais afastados e também em regiões mais centrais.

Atitudes que desrespeitam as orientações de prevenção à Covid-19, as restrições sanitárias e os protocolos de segurança podem ser vistas nos chamados “pancadões”, em festas organizadas em chácaras e em casas noturnas em Itaquaquecetuba.

Uma chácara alugada para eventos fica em um bairro afastado da cidade. Em vídeos postados nas redes sociais, jovens estão descumprindo a quarentena durante uma festa clandestina no sítio. Na madrugada do dia 15 de agosto, as imagens mostram o local lotado de pessoas, música e convidados bebendo e dançando. Apenas os seguranças usavam máscara.

Os convites são feitos diretamente por mensagens em um grupo formado pelos clientes mais frequentes. Em um deles, criado para anunciar a festa do dia 22 de agosto, participantes trocam áudios ansiosos pelo evento.

O desrespeito à quarentena não acontece só em locais afastados. Casas noturnas de Itaquaquecetuba, perto do centro, também andam funcionando. Em uma delas, na Vila Virgínia, o fim de semana do dia 14 foi marcado por aglomerações.

Apesar das restrições, nas redes sociais, a balada é divulgada abertamente. Vídeos que datam de 15 de agosto foram postados por frequentadores e, inclusive, pela página da própria casa noturna. Elas mostram o local lotado, e ninguém usava máscara. Já outro vídeo foi postado no começo do mês por um dos dj’s que sempre tocam na casa noturna.

A balada fica bem em uma área residencial da cidade. Os moradores têm medo de gravar entrevista, mas contaram para a equipe da TV Diário que as festas começam às 23h e vão até as 7h. Além do barulho e das brigas, ele ficam impedidos de sair com o carro da garagem. Reclamações na polícia e na Prefeitura, antes e principalmente durante a pandemia, já foram feitas. Mas ninguém tomou providências.

A poucos metros dali, mais desrespeito. Imagens gravadas por celular na madrugada do dia 9 de agosto, na região do Monte Belo, mostram dezenas de pessoas aglomeradas e sem máscara. O som alto e o consumo de drogas nos chamados pancadões já eram queixa dos moradores desde janeiro deste ano. Em plena pandemia, nada mudou.

“No domingo, o pancadão é até as 6h. Não usam máscara, ficam bebendo, tem menor de idade. É briga, é tudo. A gente não pode nem sair na rua. É tudo aglomerado”, disse uma mulher que não quis se identificar.

Neste mês, os bares e restaurantes da região receberam autorização para funcionar até as 22h. As reclamações contra casas noturnas e baladas abertas, além de festas clandestinas ou aglomerações nas ruas durante a pandemia, segundo o advogado Marcelo da Silva Cunha, são de responsabilidade das autoridades de cada município.

“A partir do momento da criação desse decreto e do Plano São Paulo, foi determinado e deferido às autoridades públicas para que possam tomar as providências e as intervenções que julgarem necessárias. E aí vem o apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana para que a lei seja cumprida”, explicou o advogado.

“O que acontece se uma pessoa denunciar, está vendo uma festa clandestina e não chega a polícia, não chega fiscal ou GCM? Primeiro registra-se a ocorrência via 190 ou pelo Psiu (Programa de Silêncio Urbano), que é um outro órgão que controla esse tipo de evento. E, não sendo tomada providência, pode ser feita uma denúncia, inclusive, ao Ministério Público, que funciona como fiscal da lei”, completou.

Eventos que causam aglomeração estão proibidos. De acordo com o Plano São Paulo de retomada do governo do estado, esses eventos só podem ser realizados na fase 5, chamada de “normal controlado”. O Alto Tietê, desde julho, está na fase amarela, que é a terceira etapa e que permite a reabertura, com restrições, de alguns comércios como restaurantes, bares e salões de beleza.

Especialistas acreditam que a transmissão assintomática seja responsável por 60% da propagação do novo coronavírus. Um novo estudo tem mostrado também que pessoas sem sinais da doença têm uma concentração maior do vírus. Isso quer dizer que elas seriam mais contagiosas e, como se sentem saudáveis, circulam mais e acabam espalhando mais o vírus.

No começo de julho, o Centro de Contingência do Coronavírus, criado pelo governo do estado, recomendou que Itaquaquecetuba retornasse para a fase vermelha, a mais restrita da quarentena, enquanto as outras cidades do Alto Tietê estavam na fase laranja.

Segundo o Comitê, o município apresentou, nesse período, a taxa de ocupação dos leitos de UTI na faixa dos 95%. Esse índice é um dos indicadores avaliados pelo estado para autorizar a flexibilização da economia. Na época, Itaquaquecetuba não acatou a recomendação do estado.

Até o dia 15 de agosto, dos 22 leitos de UTI no Hospital Santa Marcelina, a média de ocupação deles era de 55%. Enquanto alguns lutam pela vida nos hospitais, outros seguem curtindo e ignorando a pandemia.

“A partir do momento em que meu direito extrapola o direito do outro, então eu tenho que ficar um pouco recuado. Estamos em um momento em que não dá para termos uma vida como tínhamos antes. As pessoas têm que entender a real necessidade desse distanciamento social. Isso não é brincadeira, e as pessoas que por acaso infringirem serão, sim, responsabilizadas nos termos da lei. Serão conduzidas, e a autoridade de plantão vai aplicar a legislação pertinente ao caso”, disse o advogado.

A produção da TV Diário entrou em contato com a Prefeitura de Itaquaquecetuba e com a Polícia Militar e pediu representantes para uma entrevista nesta quarta-feira (26). A PM não enviou um representante e também uma resposta até a publicação desta matéria.

Já a Prefeitura de Itaquaquecetuba não disponibilizou um representante para entrevista, mas enviou uma nota com informações. Segundo a Prefeitura, de 23 de março a 21 de agosto, o setor de fiscalização chegou a fazer o fechamento administrativo de 49 locais. Foram 24 notificações e 12 autuações. A Prefeitura disse ainda que a questão relacionada aos fluxos e aos pancadões é de responsabilidade da Polícia Militar.

A Prefeitura também não passou uma informação específica se a casa noturna mostrada na reportagem chegou a receber alguma notificação ou multa.

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