Um ano após crime, polícia descobre que amigo mandou matar construtor em Itaquaquecetuba e assumiu negócios da vítima

Segundo a polícia, João José dos Santos, de 63 anos, tinha patrimônio de R$ 2 milhões. Polícia desvendou o crime após colher digital de panfleto deixado no local do crime pelo atirador.

O Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP) de Mogi das Cruzes desvendou um assassinato de 2018 e prendeu nesta quinta-feira (16) um dos suspeitos. De acordo com o delegado Rubens José Ângelo, o mandante do homicídio de um construtor, em Itaquaquecetuba, foi um amigo dele que já tinha sido parceiro de negócios e assumiu a administração depois da morte. A vítima tinha patrimônio estimado em R$ 2 milhões, segundo a polícia.

Antes de ser assassinado, no dia 24 de setembro de 2018, João José dos Santos, de 63 anos, tinha sofrido outro atentado à bala, na cidade de Mogi das Cruzes, onde morava. Na ocasião, ele se fingiu de morto ao ser baleado no ombro e nas costas, e dirigiu até uma base da Polícia Rodoviária, onde recebeu socorro.

Para chegar até o mandante do crime, a polícia realizou uma longa investigação, já que a única prova que poderia nortear os trabalhos era um panfleto que o suspeito dos disparos fingia estar entregando no momento do crime. Apesar de um amigo do construtor também ter sido baleado na perna, ele não viu o rosto do atirador.

O panfleto foi recolhido e encaminhado ao Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), órgão da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP). O resultado do material apontou para um homem.

“Mesmo assim, com toda a cautela, porque poderia ser a digital de um gráfico ou outro entregador que pudesse ter manuseado o panfleto, representei pela busca e apreensão na casa desse homem, um ajudante, mas nada foi encontrado. Em depoimento, ele negou o crime, e afirmou que não esteve em Itaquaquecetuba em setembro de 2018”, detalha o delegado Rubens José Ângelo, titular do SHPP.

Ainda assim, o delegado solicitou a quebra do sigilo telefônico do ajudante e a polícia descobriu que ele estava no local do crime na mesma data, contrariando a versão dele.

Em continuidade, a polícia descobriu o mandante do crime. Ele era um construtor que, segundo o delegado, tinha ido com o ajudante na casa de uma testemunha do crime e a ameaçou. O delegado representou pela prisão dos dois, que foi concedida pela 2ª Vara Criminal de Itaquaquecetuba.

Nesta quinta-feira, o construtor foi preso. Na casa dele, além de diversos contratos importantes do patrimônio da vítima, avaliado em R$ 2 milhões, a polícia encontrou nove munições calibre 12. Por isso, ele também foi preso em flagrante por porte irregular de munições.

“O mandante já foi parceiro em negócio com a vítima e, inclusive, eles teriam tido uma desavença por isso. Mas, depois da morte dele, o suspeito se mostrou solidário em ajudar a ex-mulher e a atual a tocar os negócios. Essa pode ter sido a motivação do crime. As duas mulheres ficaram muito surpresas com a prisão dele”, diz o delegado.

O suspeito de ser o mandante ficou preso e nega ser o crime. Já o executor, a polícia acredita que conseguiu fugir ao ver a movimentação das viaturas.


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