Mães com filhos matriculados na rede estadual do Alto Tietê relatam dificuldades e desafios com ensino remoto na pandemia

Alguns alunos tiveram problemas para acessar o aplicativo e realizar atividades nos primeiros dias. Mães procuram acompanhar filhos para que estudo em casa seja o mais eficiente possível.

O ensino à distância em tempos de pandemia do novo coronavírus vem sendo um grande desafio para diferentes pessoas: profissionais da educação tiveram de se adaptar para ensinar, por meios virtuais, conteúdos até então previstos para a sala de aula, enquanto pais e alunos procuram acompanhar essas aulas da melhor maneira e fazer de suas casas um bom lugar para o aprendizado.

A rede estadual de São Paulo retomou o ano letivo na última segunda-feira (27), após as aulas terem sido suspensas em 23 de março por conta da pandemia. Por isso, o G1 conversou com mães de alunos do Alto Tietê para saber como foi a retomada das aulas dos filhos. Além de dificuldades técnicas com as ferramentas disponibilizadas pelo Governo do Estado, elas relataram os desafios de fazer com que o estudo em casa seja o mais eficiente possível, até que as aulas presenciais, enfim, voltem a acontecer.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que alguns problemas apareceram nos primeiros dias de ensino remoto, mas que houve um aprimoramento ao longo da primeira semana (veja detalhes abaixo).

Joice Modesto, por exemplo, tem uma filha que estuda no 7º ano de uma escola estadual no distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes. A mãe relatou que, na primeira semana, a filha teve dificuldades para acompanhar os estudos remotamente.

“Eu baixei o aplicativo no celular do meu marido, mas às vezes o aplicativo fica falhando, e ela não consegue responder às perguntas das atividades. Como às vezes usamos a internet da vizinha, é um pouco mais difícil, mas estamos fazendo o possível para ela acompanhar e não perder as aulas”, diz Joice.

Os desafios do estudo remoto se tornam ainda maiores no caso de mães que têm mais de um filho matriculado em escolas cujas aulas estão suspensas. Além de uma filha na rede estadual, Joice tem mais três filhos em anos diferentes da rede municipal de Mogi, onde as aulas serão retomadas na próxima segunda-feira (11), também à distância.

“É complicado. Eu tenho só uma filha no ensino estadual, e tem meus outros filhos na rede municipal. Eu procuro ficar em cima dela para ela fazer a lição, ver se entendeu. E eu estava passando lição para os meus outros filhos em casa mesmo. Só que, como estou mexendo aqui em casa, fazendo algumas coisas, só ela que está fazendo a lição. Eu procuro acompanhar e explicar mais ou menos aquilo que ela não entende”.

Janaína, outra mãe com quem o G1 conversou, tem uma filha matriculada no 9º ano de uma escola estadual em Itaquaquecetuba e relata que ela também encontrou dificuldades para acessar o aplicativo nos primeiros dias.

“Às vezes nem abre. A gente coloca o login e a senha, mas não entra. A minha filha está tendo muita dificuldade para acessar e às vezes nem consegue acompanhar, porque não entra. E na escola dela disseram que o aluno que não entrar no portal fica com falta, então acho que ela deve estar com algumas faltas. Quando chego em casa depois do trabalho, ela fala: ‘mãe, não consegui acessar hoje’. A gente liga na escola, mas eles não conseguem informar, não têm uma posição para nós, e está assim. Tem dia que ela entra, tem dia que não entra. Está meio complicado de ela fazer essas aulas à distância”.

Janaína conta que adaptou um espaço no quarto da filha para que ela pudesse manter a rotina de estudos pela manhã, período em que ia para a escola, mas se preocupa com o prejuízo da suspensão das aulas presenciais: “Eu, como mãe, vejo que este ano ela praticamente perdeu, porque não consegue aprender, e isso só vai atrapalhar a vida acadêmica dela. Depois de algumas dificuldades, ela até conseguiu entrar na quinta-feira, mas com aqueles problemas: cai, ela tem que entrar de novo. E fica naquele entra e sai, não consegue sanar as dúvidas”.

Irmão mais velho ajuda o mais novo com os estudos remotos

G1 também conversou com Gisele da Cruz Ramos, que tem dois filhos matriculados na rede estadual em Mogi: um estuda no 6º ano, enquanto o outro está no 3º ano do ensino médio, ou seja, prestes a concluir a escola, que é justamente uma das preocupações dela. “Acho meio complicado, porque não é a mesma coisa de você estar na escola, presencialmente. Ainda mais no caso do meu filho mais velho, que foi para o 3º colegial, faria o Enem neste ano”.

Gisele conta que os filhos só conseguiram acessar o aplicativo no terceiro dia após o início das aulas, quando, então, começariam a estudar. A mãe diz que trabalha no horário das aulas, mas o fato de os filhos gostarem da escola a deixa mais tranquila de que eles vão conseguir manter a rotina de estudos remotamente.

“O meu filho menor, a aula dele vai ser primeiro do que a do meu mais velho. Eles vão ter o canto deles mesmo para estudarem, e quem vai orientar é o meu filho mais velho. Quando eu chegar do meu serviço, vou analisar e ver o que ele fez no aplicativo, quais foram as lições que eles fizeram. Como eles gostam de estudar, acho que não vou ter dificuldade na questão de estudarem sem mim. Creio que vai dar tudo certo”

Secretaria de Educação faz recomendações para uso do aplicativo

De acordo com Henrique Pimentel Filho, subsecretário de articulação da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, alguns problemas que apareceram nos primeiros dias de ensino remoto foram aprimorados durante a primeira semana do novo sistema.

“A gente tem, sim, conhecimento de algumas falhas técnicas nos aplicativos, mas essas falhas foram sendo corrigidas ao longo da semana passada. É importante lembrar que, apesar das dificuldades, chegamos a ter dias com 1,5 milhão de acessos nos aplicativos e até 250 mil acessos simultâneos. O que esses números mostram para nós é que as falhas, os erros e as questões de cadastro são uma minoria dentro do que acontece hoje no aplicativo”, diz Henrique.

“Para o estudante que está com uma dificuldade de acesso ou de conexão, a gente sempre recomenda que ele garanta que o celular está no 4G, porque a gente dá a internet patrocinada. A gente está pagando os dados da internet do aluno quando ele faz isso, e isso garante uma estabilidade maior da conexão. Quando o aplicativo travar, o que acontece, a recomendação é que se saia do aplicativo e volte, porque muitas vezes isso já resolve a questão. Se ainda assim tiver alguma falha técnica, aí sim, é preciso abrir um chamado na secretaria digital, mas esses casos que não conseguimos resolver com essas instruções básicas foram praticamente zero”, completa.

O subsecretário de articulação da Seduc-SP também fez recomendações sobre como os pais podem ajudar os filhos com os estudos neste período de quarentena, de modo que a aprendizagem seja eficiente diante da suspensão das aulas presenciais.

“A nossa recomendação é que os pais auxiliem os estudantes na criação de rotinas. É muito importante que o estudante consiga garantir uma rotina regular: acordar no horário da aula, realmente ficar dedicado àquilo, conseguir entregar as atividades em dia. Nós sabemos que os estímulos nos jovens são os mais variados e reconhecemos que o professor tem um mega papel para engajar os estudantes. Agora, é importante que os pais apoiem no engajamento e na manutenção do interesse desses estudantes”.

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