Mais de 1,1 mil profissionais da rede estadual saúde do Alto Tietê foram afastados por causa do coronavírus até maio, afirma secretaria

No Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi, mais de um terço dos funcionários foram afastados por suspeita ou confirmação da doença. Na região, 12 profissionais morreram por causa da Covid-19, segundo SindSaúde-SP.

Mais de 1,1 mil profissionais de saúde que atuam nos hospitais estaduais do Alto Tietê precisaram ser afastados por causa do novo coronavírus (Covid-19), segundo informações da Secretaria do Estado da Saúde. O número, que inclui casos suspeitos e confirmados da doença até o fim de maio, representa 25,58% total.

Ainda conforme a Secretaria, cinco funcionários que atuavam em serviços estaduais da região morreram por causa da Covid-19. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde-SP), o total pode chegar a 13 se somados os profissionais que atuavam da rede municipal (confira abaixo os dados por cidade).

Ao todo, 4,3 mil profissionais atuam na linha de frente do combate à Covid-19 nos hospitais estaduais da região. O maior número de casos suspeitos ou confirmados entre auxiliares, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos está no Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes.

Dos 1,9 mil profissionais da unidade, mais de 680 precisaram ser afastados por causa da doença, o que representa mais de um terço do total. Em seguida está o Hospital Regional de Ferrazde Vasconcelos, onde quase 250 dos 1,2 mil funcionários manifestaram suspeita ou confirmação do novo coronavírus.

No Hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba, que conta com 1.282 profissionais de saúde, 217 chegaram a ser afastados temporariamente. O número representa 17% do total, segundo os dados divulgados pela Secretaria.

O Estado informou que todas as unidades possuem estoques completos de equipamentos de proteção individual (EPI), como máscaras, para garantir a segurança dos funcionários que atuam na linha de frente.

Declarou, ainda, que segue um protocolo de assistência e de segurança das equipes e que qualquer profissional com suspeita da doença é temporária, preventiva e prontamente afastado, para recuperação de sua saúde e prevenção dos demais.

Segundo a Secretaria, os profissionais contam com atendimento nas próprias unidades onde atuam ou em qualquer serviço do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos três hospitais, os profissionais retornam normalmente às atividades após a recuperação, destacou o órgão.

A Secretaria Estadual da Saúde não informou o local de trabalho dos profissionais que morreram por causa da Covid-19, mas disse que se solidariza com os familiares deles e de todas as demais vítimas do coronavírus do Estado de São Paulo e do Brasil.

Orientação e cuidados

Diretora do SindSaúde-SP em Mogi das Cruzes e região, Kátia Aparecida dos Santos afirma que de acordo com os números da entidade, o Alto Tietê tem 13 mortes de profissionais de saúde desde o final de abril até o início de junho. Ela destaca que todos os hospitais da região registram mortes pela doença entre profissionais.

Kátia aponta também que o momento da retirada das roupas e EPIs é responsável por parte da contaminação entre os trabalhadores da saúde. “É o momento com maior probabilidade na hora de se contaminar. Se não tiver a retirada correta e o descarte correto, um pequeno deslize e se contamina. O vírus é invisível e está em todo canto.”

A diretora destaca que no começo da pandemia houve muita reclamação sobre a falta de EPI, mas com as doações recebidas pelo Estado a demanda negativa é menor. “Tem hospital de contingência, aqueles menores, que recebem pacientes com Covid. Cada protocolo interno precisa ter os EPIs. De que forma é distribuído vai da direção e do serviço que está prestando no momento”, afirma.

Ela afirma que o SindSaúde-SP acompanha os casos de reclamações dos profissionais indo aos hospitais, conversando e orientado os trabalhadores que, segundo ela, estão esgotados psicologicamente.

“Orientamos a procurar a segurança do trabalho e atendimento psicológico. É uma tensão diária, de preocupação de dar atenção aos pacientes, de voltar para casa, porque tem idoso e criança em casa que são um grupo de risco.”

Já sobre o número de profissionais atuando nos hospitais públicos Kátia avalia que já era insuficiente, mesmo antes da pandemia. “Hoje é mais agravante. Temos entre os trabalhadores pessoas do grupo de risco por idade e comorbidade, como cardiopatas, hipertensos. Uma parte desse grupo de risco está afastado e diminuiu mais ainda o número de trabalhadores.”

Dados por cidade

G1 também solicitou dados sobre a morte de profissionais de saúde às prefeituras do Alto Tietê. Os números se referem a trabalhadores que moravam na cidade e que não necessariamente atuavam nelas.

De acordo com o levantamento, a região já registrou cinco mortes por causa do novo coronavírus. No entanto, apenas seis dos dez municípios responderam aos questionamentos e, por isso, o número pode ser maior.

Os óbitos estão distribuídos entre Arujá, Mogi das Cruzes e Suzano. Já o número de casos positivos de Covid-19, entre os profissionais de saúde já está em 312.

Entre os profissionais mortos na região estão Hueber Pereira Santiago, que tinha 41 anos, era chefe da enfermagem da Santa Casa da cidade e faleceu no dia 15 de maio. No dia 28 de maio, a enfermeira Juliana Norberto da Silva, de 40 anos, que também trabalhava na Santa Casa da cidade, morreu por causa da doença.

Já a morte da auxiliar de enfermagem Maria Aleixo Messias dos Santos, de 61 anos, não foi contabilizada no Alto Tietê porque ela morava na capital, mas ela trabalhava em um posto de saúde de Poá. O enfermeiro Cícero Romão de Souza, de 51 anos, morreu em abril. Ele atuava no Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (Samu) de Mogi das Cruzes.

Ainda sobre o número de mortes, Biritiba Mirim, Guararema, Santa Isabel e Salesópolis não responderam. O número de casos de Covid-19 entre profissionais de saúde também não foi enviado por nenhuma das quatro cidades, além de Itaquaquecetuba.

Confira o número de mortes e contaminados entre os profissionais de saúde do Alto Tietê

  • Arujá
    A Secretaria Municipal de Saúde informou que, até o momento, o município registrou 34 casos positivos de profissionais da saúde. E desse total um evoluiu para óbito.
  • Ferraz de Vasconcelos
    O município informou que tem 43 profissionais da saúde entre os casos confirmados e nenhuma morte.
  • Itaquaquecetuba
    A Prefeitura informou que não há registro de morte entre os profissionais de saúde até o momento, mas não informou quantos profissionais já se contaminaram com o novo coronavírus.
  • Mogi das Cruzes
    A Prefeitura informou que de 18 de março até 2 de junho, 203 profissionais de saúde testaram positivo para Covid-19 e foram registradas duas mortes.
  • Poá
    De acordo com a Prefeitura, nenhum óbito de profissionais de saúde que residem na cidade foi registrado. A Prefeitura informou também que 95 profissionais de saúde que moram no município foram confirmados com o novo coronavírus.
  • Suzano
    Segundo a Prefeitura, houve duas mortes de profissionais da saúde. A administração municipal informou que era um médico que trabalhava em outra cidade, mas morava em Suzano, e uma cuidadora de idosos que também trabalhava em outro município.
    Um total de 32 profissionais da rede municipal de saúde foram afastados desde o início da pandemia por Coronavírus, na segunda quinzena de março, por contrair o vírus.

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