Mais de 80% dos respiradores do Alto Tietê estão em uso, aponta Condemat

Mais de 80% dos respiradores do Alto Tietê estão em uso, aponta Condemat

Região tem 393 equipamentos, mas apenas 68 estão disponíveis para uso. De acordo com o Condemat, prefeituras enfrentam dificuldades em adquirir o equipamento, que ficou mais caro e escasso no mercado.

Dos 393 respiradores instalados nos hospitais do Alto Tietê, 80% estão em uso. A informação é do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) e inclui dados das redes pública e privada (confira a tabela abaixo). Mais que dois terços dos aparelhos estão na rede pública.

O equipamento é essencial para o tratamento de pacientes contaminados pelo novo coronavírus (Covid-19) que apresentem quadro grave e que tenham dificuldades respiratórias. É também usado por pessoas em coma ou que possuem outras patologias que impeçam a respiração.

De acordo com o Condemat, os prefeitos e secretários municipais de saúde estão se mobilizando na aquisição de novos respiradores, mas enfrentam a escassez da disponibilidade do mercado e valores elevados. O aparelho, que antes custava cerca de R$ 70 mil, agora chega a R$ 200 mil.

“A direção do Condemat está em contato com o Cosem-SP [Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo], o qual está buscando meios legais para rebater isso e garantir a reposição aos municípios, com apoio do Ministério Público e Procon, e amparado pelo decreto estadual de calamidade pública”, explica a coordenadora da Câmara Técnica de Saúde, Adriana Martins.

Foi solicitado às prefeituras do Alto Tietê que informem os produtos com dificuldade de aquisição, preços anteriores, preços atuais e nomes das empresas para encaminhamento ao Conselho.

“É lastimável que diante de uma pandemia como a que estamos enfrentando, seja necessário dispender esforços para coibir esse tipo de conduta quando todas as atenções deveriam estar no combate ao vírus”, diz a coordenadora.

O prefeito Marcus Melo, de Mogi das Cruzes, afirmou que esse tem sido o maior desafio de todo o Brasil: conseguir respiradores. “Nós fomos buscar no mercado, não achamos. Conseguimos 23”, disse.

Respiradores no Alto Tietê

Segundo um levantamento realizado por meio do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde, 393 respiradores são oferecidos no Alto Tietê, sendo que 325 estão em uso. Não há informações sobre as condições dos demais equipamentos.

Do total de respiradores, 75% estão nos serviços estaduais e municipais, que funcionam nas cidades de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.

Os outros 25% estão em unidades privadas de Arujá, Mogi das Cruzes e Suzano. São 102, sendo que apenas um está disponível para uso.

Com mais serviços de saúde, privados e públicos – quatro hospitais de cada –, Mogi das Cruzes é a cidade com o maior número de aparelhos. Ao todo, são 216, o que representa mais da metade do total da região.

A menor oferta está em Poá, que tem apenas dois, Biritiba Mirim e Salesópolis, com um equipamento cada. Dessas três, com exceção de Biritiba, os equipamentos não estão disponíveis. O mesmo ocorre em Guararema, Itaquaquecetuba e Santa Isabel, onde todos os respiradores das cidades estão em uso.

Número total de respiradores e quantos estão em uso nos hospitais do Alto Tietê

MUNICIPIOTOTAL DE RESPIRADORESRESPIRADORES EM USO
Arujá2219
Biritiba Mirim10
Ferraz de Vasconcelos3426
Guararema77
Itaquaquecetuba5252
Mogi das Cruzes216177
Poá22
Salesópolis11
Santa Isabel1010
Suzano4831
TOTAL393325

Fonte: Condemat

Até o momento, segundo o Condemat, nunca houve relatos sobre a insuficiência de respiradores para atender a demanda da região. Diante da situação, as autoridades de saúde estão trabalhando para a ampliação dos equipamentos com base na curva de crescimento esperada para a Covid-19 e no percentual de pacientes que deverão apresentar quadros mais graves, os quais vão exigir o uso do aparelho.

“Existe um esforço em ampliar o número de leitos de UTI e, consequentemente, também de respiradores para que a região esteja preparada para dar suporte aos pacientes, lembrando que as ações acontecem com aval da Secretaria de Estado da Saúde. Não temos como precisar hoje quantos equipamentos são necessários, mas precisamos estar preparados”, conclui a coordenadora Adriana.

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