Aulas práticas no Senai de Mogi das Cruzes e Suzano são retomadas

Apenas os alunos que vão concluir o curso esse ano estão indo até as unidades para estudar.

As aulas práticas em algumas escolas profissionalizantes já foram retomadas, mas com todos os cuidados para evitar a contaminação de alunos e professores com o novo coronavírus.

Nas unidades do Senai de Mogi das Cruzes e Suzano, apenas os alunos que vão concluir o curso esse ano estão indo estudar.

Quando Amaury Vicente da Silva resolveu seguir a carreira do pai, na área de manutenção industrial não imaginou que no meio do curso, ia enfrentar uma pandemia. No último ano, o estudante de 19 anos teve que estudar em casa.

“Como não temos esses dispositivos em casa, estávamos trabalhando com software on-line. Isso mudou totalmente, porque se estivéssemos parados, iríamos perder tempo e não avançar”, conta Amaury Vicente da Silva.

Para o estudante, as aulas práticas, muito importantes para o aprendizado nesse setor, fizeram falta. Depois de quase seis meses longe dos equipamentos, ele conseguiu treinar o que estava sendo praticado só pela tela do computador.

“Não adianta só estudarmos a parte teórica e não colocarmos em prática, então a volta é fundamental”, conta Amaury Vicente da Silva.

Silva é um dos 1,1 mil alunos do Senai de Mogi das Cruzes. Segundo o diretor da unidade Itamar Cruz, no começo de setembro, cerca de 256 estudantes puderam voltar as aulas práticas.

“Foi dada a oportunidade para os formandos voltarem as atividades práticas. Estamos seguindo rigorosamente as medidas governamentais para o retorno parcial dos alunos”, explica Itamar Cruz.

Para o retorno dos alunos acontecer foram necessárias muitas mudanças na escola. O álcool em gel e a máscara já viraram itens essenciais. Nos laboratórios, janelas e portas ficam abertas para circular o ar. Proteção de acrílico e todos os objetos que são compartilhados, passaram a serem protegidos com papel filme, além de ter menos alunos por turma.

“A nossa metodologia prevê que o professor faça uma demonstração prática para apenas quatro alunos. Essa foi uma das adaptações que fizemos para evitar aglomerações”, explica Itamar Cruz.

Segundo o estudante Guilherme Jorge Gregório Siqueira, ele tomou a decisão de voltar após a unidade apresentar os protocolos de segurança. “Tem álcool em gel disponibilizado em todas as escolas e todo mundo é orientado para seguir as medidas de segurança”, conta.

Todo esforço na escola, é para conseguir um espaço em um ambiente diferente, como em uma montadora de máquinas agrícolas, em Mogi das Cruzes, que busca mão de obra jovem. Atualmente, o Programa Jovem Aprendiz conta com 15 participantes. Com a pandemia, encontrar jovens pelas linhas de montagem está mais difícil. De acordo com o gerente de recursos humanos Marcelo Matarazzo, um dos protocolos de segurança adotados pela fábrica foi deixar uma média de 30% dos funcionários trabalhando em casa.

“Nós estamos suprindo a falta dos jovens aprendizes por meio da mão de obra temporária e o remanejamento das pessoas nos postos de trabalho. A pandemia não impacta a quantidade de jovens que podem ser contratados, porque isso depende da turma, mas pode adiar a preparação dos jovens para ingressar na empresa”, explica Marcelo Matarazzo.

Na linha de montagem dos motores, por exemplo, a ausência física dos jovens abriu uma oportunidade para William Santana da Silva, que perdeu o emprego assim que começou a quarentena.

“A oportunidade veio em boa hora, eu tinha perdido o emprego por causa da pandemia e consegui a vaga temporária, que se Deus quiser, quero efetivar aqui”, conta William Santana da Silva.

Ainda não há previsão para o retorno das aulas dos alunos dos outros semestres, segundo o Senai, que aguarda a liberação do governo estadual.

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