Ciclistas de Mogi das Cruzes esperam por melhorias em ciclovias e pedem mais respeito por parte de motoristas

Muitos moradores usam a bicicleta como principal meio de locomoção e encontram dificuldades no dia a dia, principalmente com a infraestrutura e a postura de alguns motoristas.

A pandemia do novo coronavírus chamou a atenção de muitas pessoas para a questão da mobilidade dentro das cidades. Para evitar ônibus ou trens, por exemplo, algumas têm usado mais a bicicleta como forma de locomoção. Porém, nem todos os municípios estão adaptados para isso, como acontece com Mogi das Cruzes.

A vendedora Mel Maia pedala há três anos e, desde então, a bicicleta se tornou essencial em sua rotina. Ela mora em Mogi e vai para o trabalho em Suzano, pedalando, todos os dias. São pelo menos 30 quilômetros na rodovia Henrique Eroles.

“É bem difícil. Tem alguns motoristas que respeitam. Outros não. O espaço que a gente tem, por lei, é de um metro e meio, mas ninguém respeita. Tem motorista que chega a jogar o carro para assustar. A maioria fica buzinando, irritando. Se buzina, se fala alguma coisa, eu não olho e vou em frente”, diz.

Mel pedala no meio-fio, que nem sempre está bem conservado. Os carros passam a menos de um metro de distância. Na região do distrito de Jundiapeba, não há ciclovia, diferentemente da região do distrito de César de Sousa. Mas, mesmo onde há espaço para o ciclista, tem quem ande pela calçada.

Na avenida Francisco Rodrigues Filho existe uma ligação entre o distrito e o bairro Mogilar. A ciclovia, na verdade, é uma ciclofaixa. Nela tem buraco e até ponto de ônibus. Cenas de ciclistas e pedestres dividindo o mesmo espaço são constantes.

Uma pesquisa que avalia a qualidade da infraestrutura de ciclovias em países de todo o mundo descobriu que, quando uma cidade não possui infraestrutura adequada, apenas 7% dos ciclistas usam esses espaços. 60% deles preferem deixar a bicicleta em casa justamente pela falta de segurança.

Andar pela ciclovia na Avenida Ademar de Barros é uma tarefa complicada. A faixa pintada na asfalto é separada por sinalização, mas nem todos os motoristas respeitam o espaço.

Na região da Vila Flávio, perto da passagem dos trilhos da CPTM, algo chamou a atenção da equipe de reportagem da TV Diário. Até certo ponto, dois ciclistas conseguem passar. Já em outro ponto, só um consegue e, quando o movimento aumenta, o risco de acidente fica maior.

No mês passado, a Prefeitura de Mogi das Cruzes divulgou um plano pra criar um corredor ligando as zonas leste e oeste da cidade com ciclovias. O pedido foi de um grupo de ciclistas.

“Esse é um projeto em que a Prefeitura, logo de início, estabeleceu contato com esse grupo para entendermos a proposta deles. É uma proposta extremamente viável, e a Prefeitura já está trabalhando em conjunto com eles para que possamos implementar essa ciclovia”, disse o secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, Cláudio de Faria Rodrigues.

A nova ciclovia ocuparia uma parte do terreno que hoje pertence à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A ideia é ampliar o corredor, trazendo mais segurança não só para os ciclistas, mas também pros motoristas. Ainda não há um prazo pra que isso saia do papel.

“Importante dizer que a proposta do grupo de ciclistas é que a gente tenha uma interligação de Jundiapeba, Brás Cubas, o centro da cidade, chegando até César de Souza. Acontece que a jurisdição de atuação da CPTM vai de Jundiapeba até a estação Estudantes, onde já estamos desenvolvendo estudos com esses grupos, para que possamos tirar essa proposta do papel. E na região leste de Mogi, que é César de Souza, nós vamos implementar essa ciclovia dentro do programa Ecotietê. É uma proposta ousada, mas a gente tem que pensar nos dias atuais. Principalmente neste momento de pandemia, nossa visão de cidade tem que mudar”, completou o secretário.

Para quem utiliza a bicicleta e colabora com um trânsito mais sustentável, a obra deve ajudar a conectar as regiões da cidade. Mas também é necessário investir em educação.

“O que precisa são campanhas educacionais. Não adianta só fazer o Maio Amarelo, ou o dia mundial sem carro. Temos que ter campanhas constantes, para informar onde cada um deve trafegar. E, muitas vezes, soluções de fazer ciclovias compartilhadas com pedestres, a gente tem visto que não têm dado muito certo. Então é melhor, ao lado da faixa de calçada, fazer uma ciclovia, e aí tem que ter todo um estudo de configuração viária. Você tirando um pouco de calçada e um pouco de via de automóveis, dá para encaixar uma ciclovia delimitada. E aí deve haver campanhas para que cada um respeite seu espaço”, falou o coordenador do coletivo BiciMogi, Jair Pedrosa.

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