Com movimento tímido na retomada, comerciantes de Mogi esperam por cenário positivo em outubro, diz ACMC

Restaurantes, bares, academias e salões de beleza puderam reabrir nesta segunda (13), após mudança para fase amarela do Plano SP. Segundo ACMC, vendas ainda são tímidas e delivery deve continuar sendo tendência.

Apesar do avanço de Mogi das Cruzes para a fase amarela do Plano São Paulo de retomada, que permite a abertura de restaurantes, bares, academias e salões de beleza, a expectativa de melhora nas vendas é apenas para outubro, segundo a Associação Comercial (ACMC).

De acordo com Fadua Sleiman, vice-presidente da ACMC, desde a fase laranja, o movimento no comércio é tímido. Agora, mesmo com a possibilidade de receber clientes, os comerciantes não esperam contar com o consumo no local para manter as vendas.

“Aqueles que estavam com delivery, continuam com delivery, vão continuar por muito tempo. A degustação, a comida presencial, ainda é tímida. Dos comerciantes com quem conversei, nem 10% tiveram retorno do consumo presencial. Isso em cima do montante que eles tinham de faturamento”, comenta.

“Eles sabem que não vão contar ainda com o faturamento presencial. Eles acreditam que apenas em outubro devem ter uma melhoria na faixa de uns 70% para presencial”.

Enquanto isso, a Prefeitura de Mogi das Cruzes espera que os programas de incentivo e as ferramentas digitais disponibilizadas auxiliem os profissionais que se encontram em crise. As boas práticas sanitárias também devem ser aplicadas como forma de atrair o consumidor.

A mudança para a fase amarela foi anunciada na sexta-feira (10) e começou a valer na segunda (13). Os comércios devem seguir o horário de funcionamento estabelecido pelo plano, além de cumprir protocolos sanitários para minimizar os riscos de contaminação pelo coronavírus (Covid-19).

Fadua diz que os empreendedores, principalmente do ramo da alimentação, sabem que haverá uma mudança dos hábitos de consumo por causa do medo da Covid-19.

“Eu vejo um quadro que as pessoas estão temerosas por conta da saúde sim. Pela saúde física e pela emocional também. As pessoas estão com medo, independentemente da faixa etária. As pessoas estão com receio de sair”.

Segundo o vice-prefeito de Mogi das Cruzes, Juliano Abe, a preocupação com a retomada já havia sido demostrada por proprietários dos setores de beleza e de bares e restaurantes. Antes do anúncio da mudança, a Prefeitura havia se reunido com empresários e percebeu o receio de parte deles em voltar às atividades.

“O fato é que dos mais de 50 empresários da área de restaurantes e lanchonetes, ou dos mais de 40 empresários que participaram da área de salão de beleza e barbearia, outros 30 da área de academias, não são todos os proprietários de estabelecimentos comerciais que se sente confortáveis em retornar nesse momento”, declara Abe.

A aposta, entretanto, está no investimento em formas de segurança. A expectativa do comerciante é mostrar ao consumidor que é possível retomar as atividades sem risco. Para isso, a higienização, oferta de máscaras e até de luvas estão entre as ações.

Juliano lembra também que os donos das empresas podem participar de um curso on-line gratuito que orienta sobre as práticas adequadas para a retomada das atividades de forma segura, minimizando os riscos de contaminação pela Covid-19.

“[A intenção é] dar também segurança, tanto ao empresariado, quanto para seus respectivos colaboradores, como para os consumidores desses estabelecimentos, que é possível retomarmos nossas atividades com segurança sanitária e dando a esses estabelecimentos um certificado, um diferencial, que ele possa explorar para o seu consumidor ou prestar conta ao seu colaborador”.

Mesmo assim, Fadua declara que a preocupação com o coronavírus e com a população que se expõe à doença mexe com a rotina. O medo é que o consumidor deixe a proteção de lado e prejudique as atividades do comércio em um futuro próximo.

“Nós temos pessoas que saem com a família, que fazem disso um passeio, um lazer. Isso é o nosso grande medo, inclusive, os comerciantes, a Associação Comercial, estão com medo de que nós retrocedamos para outra fase por conta dessa minoria que pode contaminar a grande maioria”, afirma.

Outra dificuldade está na readaptação dos lojistas. Fadua diz que a reabertura pode ganhar mais força nas próximas semanas, a depender do comportamento da população, quando empresários se alinharem com seus fornecedores e funcionários.

“Há lojas e comércios, restaurantes e bares, que não abriram ainda e que não vão abrir nessa semana, pelo menos, porque vão ter que recontratar, ainda tem que renegociar com fornecedores de frutas, de verduras, que não estavam preparados”, aponta.

“Há empresários e empreendedores que ainda não esperar uma semana para reabrir, mas eu acredito que esse quadro vai se tornar mais positivo em 15 dias”.

Contas a pagar e as ferramentas de negócio

Na fase anterior, a laranja, que permitia a abertura de shoppings e comércios de rua, os comerciantes observaram a alta momentânea das vendas. No entanto, segundo Fadua, os números voltaram a cair por uma questão de comportamento e reconhecimento da nova realidade.

“Elas realmente saíram e começaram a comprar, mesmo porque teve o auxílio emergencial do Governo. Houve sim um movimento, principalmente nos cinco primeiro dias. Depois, houve uma retração dos consumidores porque o dinheiro também está curto. As pessoas começaram a tomar consciência, não tinham dinheiro para esse grande consumo”, explica.

O baixo faturamento ficou, portanto, para pagar as contas. Uma das soluções encontradas pelos empresários foi participar do programa de suspensão dos contratos de trabalho, proposto pelo Governo Federal. A vice-presidente da ACMC estima que 90% dos empresários tenham aderido.

A renegociação também foi uma alternativa, do aluguel às contas essenciais. Para ela, a fase laranja foi um período de manutenção dos espaços comerciais que estavam fechados desde o início da quarentena. “O que eles estão ganhando para manter o básico, que é a luz, a água, uma parcela de aluguel renegociado, porque muitos conseguiram sim um desconto de 50%, outros 60%”.

O vice-prefeito Juliano Abe aponta que a Prefeitura buscou na tecnologia uma forma de auxiliar os empreendedores e empresários a manterem seus negócios ativos. “Encontramos os sistemas de venda digital. Isso foi através do Vitrina, através do AgriGU. Foi feita a disponibilização, inclusive, de várias oficinas promovidas pelo Polo Digital para informar o empreendedor sobre aquele novo normal.”

Segundo Abe, vários empreendedores passaram a usar essas ferramentas e a desenvolver o mercado. “Para aqueles empreendedores que também estavam abertos ou estavam fechados, a Prefeitura também criou um canal diferenciado junto ao Banco do Povo. Só a cidade de Mogi conseguiu viabilizar mais de R$ 1 milhão. Nós somos uma das cidades que, percentualmente, mais conseguimos liberar crédito do Banco do Povo.”

Cautela

Comerciantes e consumidores estão cautelosos, aponta Fadua. Ela espera que as vendas por delivery continuem em alta em todos os setores, não apenas na alimentação, pelo menos até outubro. Até lá, a esperança da ACMC é que as datas comemorativas aqueçam os negócios.

“Tanto o consumidor como o lojista estão muito cautelosos. Realmente, a Covid ‘pegou’ todo mundo. Normalmente o mogiano costuma ser animado, mas ele está muito pé no chão, muito pragmático. Ele sabe que a nossa situação é bem complicada”, diz.

“Porém, no segundo semestre, vem o Dia dos Pais, e os bares estarão abertos. Teremos o Dia das Crianças que tem um movimento muito bom. Teremos a Semana do Consumidor em novembro, que é uma data mundial. A Associação Comercial estará provocando uma série de ações para que no segundo semestre os lojistas e comerciantes possam vender muito mais”, completa.

Mesmo que as vendas permaneçam em baixa, a fase amarela deve servir como um período de adaptação dos novos hábitos e como preparo para as próximas etapas, que, para ela, devem ganhar mais força com a volta às aulas e o final de ano.

“Existe a possibilidade da volta as aulas totais em setembro ou outubro. Tudo nós tomamos como possibilidade, porque no mundo todo as coisas são novas para todo mundo. Com a volta das crianças e a proximidade da primavera e verão, as pessoas também estarão saindo mais”.

“O comerciante está muito pragmático, está ciente dos problemas, mas está animado, porque vislumbra outubro nós teremos um quadro bem mais positivo”.

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