Entidades ligadas ao comércio projetam perdas para o setor com regresso de Mogi à fase amarela do Plano SP

Nessa classificação, lojas devem fechar as portas duas horas mais cedo, bem como a capacidade de atendimento cai para apenas 40%.

A Associação Comercial e o Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Mogi das Cruzes projetam que a cidade deverá sofrer perdas econômicas com o regresso do Alto Tietê da fase verde para a amarela do Plano SP de retomada das atividades.

A direção da ACMC ressaltou que a diminuição no horário permitido de funcionamento de 12 para 10 horas afeta a capacidade de atendimento do consumidor, justamente no mês de dezembro, que é o período mais aguardado pelo setor em razão das compras de Natal.

“O comércio estava começando a reagir e a grande expectativa era o Natal. Agora as projeções podem ser comprometidas porque, ao invés de estender o horário de funcionamento como é o comum, vamos reduzir e ainda diminuir a quantidade de pessoas no interior das lojas. Isso, aliado ao medo em razão do aumento de casos, deve fazer com que muitos consumidores deixem de ir ao comércio”, argumenta o presidente da ACMC, Marco Zatsuga, ao lembrar que a estimativa inicial era de um aumento de 3% nas vendas neste Natal.

A direção da entidade programou reunião com o Sincomércio e os representantes da Prefeitura para definir como ficará o funcionamento do comércio dentro das regras apresentadas pelo governo, que deixou todo o Estado na fase amarela.

O dirigente ressalta que as restrições da quarentena também devem impactar a questão do emprego, com a dispensa de trabalhadores contratados temporariamente. “Entendemos a questão da saúde, mas os impactos dessa nova restrição serão negativos. Só não será pior porque agora todo o Estado está na mesma situação”, acrescenta o presidente.

Com o regresso geral para a terceira das cinco fases do Plano SP, o atendimento presencial em atividades como bares, restaurantes, academias, salões de beleza, shoppings, escritórios, concessionárias e comércios de rua fica restrito a 10 horas diárias, sequenciais ou fracionadas, e 40% de capacidade. Os estabelecimentos terão que fechar o atendimento local até as 22h.

O diretor do Sincomércio de Mogi, Valterli Martinez, diz que a entidade recebe a notícia com decepção. Segundo ele, já é comprovado que com a redução da jornada de trabalho e capacidade de atendimento ocorrem filas e tumultos.

“Principalmente nas lojas do comércio de rua e do shopping. Nós estávamos trabalhando para estender até as 23h o horário de atendimento para facilitar as compras do final do ano e acumulando uma segurança maior, mas novamente o governo do estado foi na contramão”, disse.

Martinez disse que a entidade está solicitando aos prefeitos que não estabeleçam o horário de funcionamento do comércio, de modo que os lojistas possam optar em qual período cumprirão as dez horas de trabalho.

Seis prefeitos do Alto Tietê foram convidados para uma reunião com o governador nesta terça-feira (30). Eles administram cidades com maiores taxas de elevação de internação e ocupação de leitos. O governador João Doria convidou 62 prefeitos para o encontro virtual.

Já o Comitê Gestor da Retomada Gradativa das Atividades Econômicas da Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que aguarda a publicação do Decreto Estadual, que estabelece a reclassificação e as regras para o funcionamento das mais diversas atividades econômicas.

O Comitê ressaltou ainda que o uso de máscaras, o fornecimento de álcool em gel por parte dos estabelecimentos comerciais, o distanciamento mínimo de 1,5 metro entre cada pessoa e a observância ao protocolo sanitário de cada segmento mantêm-se obrigatórios.

“A decisão da Prefeitura de Mogi das Cruzes no mês de novembro, baseada nos dados de evolução epidemiológica, na capacidade de absorção do sistema de saúde e no monitoramento das informações de países europeus e outras cidades brasileiras em manter suspensas as aulas presenciais no sistema público e privado de educação infantil, fundamental e médio, se mostrou acertada. O cenário que vivenciamos hoje, talvez, poderia ter sido evitado, caso o Estado de São Paulo tivesse tido a mesma cautela e precaução adotada pela cidade de Mogi e demais cidades do Alto Tietê.” complementou Abe.

Região

Adriano Leite, prefeito de Guararema e presidente do Consórcio Regional de Desenvolvimento do Alto Tietê, afirmou que mais uma vez serão necessários sacrifícios de empresários e da população, num momento que alguns setores começavam a reagir.

“Vai ser bem complicado e os prefeitos terão de contar muito com a compreensão das pessoas porque estamos num período em que normalmente o funcionamento dos estabelecimentos é ampliado e a movimentação de consumidores é maior. Os indicadores mostram o avanço da pandemia e essas restrições são necessárias para evitar medidas mais drásticas. Esse entendimento que teremos de trabalhar com a população e isso não será fácil”, admite o presidente do CONDEMAT.

Números da região

Segundo a atualização do Plano SP apresentada hoje, com data de referência em 28 de novembro, o indicador de internações é o que coloca a Grande São Paulo na fase amarela, com uma variação de 1,05% superior nos últimos sete dias e média de 48,4 registros para cada 100 mil habitantes. A ocupação dos leitos de UTI é de 58,5%.

A Grande São Paulo registra, ainda, uma variação de 0,88 nos casos novos e de 1,0 em óbitos, com média de 3,9 mortes para cada 100 mil habitantes. Especificamente no Alto Tietê, que é a segunda maior região depois da Capital, a variação é de 0,86 nos casos novos e de 1,3 nos óbitos, com 3,8 mortes para cada 100 mil habitantes. Desde março, são 59.015 casos confirmados e 3.183 óbitos, conforme estatística estadual (esses números não consideram Santa Branca).

Além da restrição de horário e capacidade, na fase amarela o funcionamento dos estabelecimentos fica limitado até 22 horas e estão proibidos os eventos com público em pé.

“Nas últimas semanas já temos alertado para o aumento das estatísticas e as equipes municipais estão reforçando as ações. A partir da publicação do novo decreto e dessa reunião com o governador poderemos articular outras medidas para conter o avanço da contaminação pelo coronavírus”, conclui o presidente do Condemat.

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