‘Eu quero seguir a mesma profissão que meu pai’, diz filha de médico de Mogi que morreu de Covid-19

Médico Ricardo Harada sonhava em trabalhar com a filha um dia. O cardiologista e intensivista tinha 51 anos e trabalhava na linha de frente da pandemia, em atendimento na UTI de um hospital público.

Aos 17 anos, Fernanda Harada se prepara para cursar medicina quando terminar o ensino médio. Ela e o pai, o cardiologista e intensivista Ricardo Baltazar Harada, de 51 anos, sonhavam em trabalhar juntos. Mas, depois de 20 dias entubado na UTI de um hospital particular de Mogi das Cruzes, Harada morreu de Covid-19 na última sexta-feira (7).

Fernanda e a mãe também foram contaminadas pelo novo coronavírus. “Eu quero seguir a mesma profissão que meu pai e o maior sonho dele era trabalhar junto comigo, me ensinar, me guiar e me ver evoluir, para me tornar uma médica igual a ele. E por conta da Covid, esse sonho não se realizará.”

De acordo com a filha, o pai teve sintomas de gripe que evoluíram para falta de ar. Ele foi internado no dia 19 de julho. Fernanda destaca que Ricardo trabalhava na UTI da Santa Casa de Mogi e também no consultório.

Segundo a estudante, o pai tinha medo de se contaminar por trabalhar em hospitais com grande exposição. Ela afirma que foi contaminada, mas de forma leve e assintomática. A mãe da jovem também teve a doença e ficou internada por 12 dias.

A filha relata que o pai exercia a medicina por amor e adorava ver os pacientes e colegas de trabalho.

“A medicina foi o que ele escolheu para a vida, salvou muitas pessoas com toda a vontade do mundo, com o maior prazer.”

Fernanda lembra que o pai ia mais cedo aos plantões, saía mais tarde se precisasse e substituía médicos quando necessário. “Exercia tudo por pleno amor e carinho pela profissão.”

A filha diz que só ficaram boas lembranças do pai. “Ele foi uma pessoa incrível, não há adjetivos que possam caracterizá-lo. Todos os nossos momentos foram especiais, já que ele fazia tudo com o maior esforço do mundo, justamente para ver companheiros de sua vida felizes. Ele foi um ser humano intenso que exalava toda positividade existente. Acho que por isso partiu cedo, cumpriu sua missão antes da hora, fez a vida de todos uma pura alegria! Me orgulho muito de ser parte da história dele, me sinto honrada por ser sua filha, um pai perfeito, um imenso companheiro.”

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