Menino com doença rara de Mogi recebe fígado da mãe

Depois de passar por dois hospitais, Enzo Jorge Miranda Cordeiro foi diagnosticado com Doença de Wilson no Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas.

Um menino, de 9 anos, de Mogi das Cruzes recebeu um transplante de fígado da própria mãe. O procedimento foi necessário depois que Enzo Jorge Miranda Cordeiro foi diagnosticado com Doença de Wilson, considerada rara pelos médicos.

De acordo com especialistas, a doença atinge uma criança a cada 10 mil. “Isso em geral é hereditário e o diagnóstico deve ser feito por especialista com exames de sangue, principalmente, exame de cobre. Quem tem a doença não faz o metabolismo do cobre e prejudica o fígado. O órgão fica endurecido e insuficiente”, explica o médico Uenis Tannuri que é especialista em cirurgia pediátrica e transplante hepático pediátrico no Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas.

Surpresa

O pai de Enzo, Diego dos Santos Cordeiro, de 33 anos, conta que quando começaram os sintomas, como inchaço do abdômen, em setembro, ele e a esposa não pensaram que pudesse ser alguma coisa grave.

“Ele começou a ficar com a barriga inchada, mas comia e jogava futebol normalmente. Então achamos que era verme. Mas em um domingo, ele vomitou e o levamos para um hospital em Mogi das Cruzes.”

O menino está internado desde setembro. Nesse período, ele foi transferido para um hospital em São Paulo e depois para o Instituto da Criança, onde recebeu o diagnóstico, em outubro.

O pai destaca que foi um longo caminho de exames até a mãe ser oficializada como doadora. “O fígado é o único órgão humano que se regenera. Vários exames foram feitos, inclusive de imagem, para ver o tamanho do fígado. Os médicos retiraram o fígado do meu filho e colocaram menos da metade do fígado da minha esposa”, afirma Cordeiro.

Transferência de Amor

Shirley Miranda Cordeiro,de 40 anos, não conhecia a Doença de Wilson até o diagnóstico do filho. Ela conta que entre o diagnóstico e a escolha do doador foi uma corrida contra o relógio.

“O caso dele era grave. Porque a coagulação do sangue estava bem ruim. Ele foi colocado no primeiro lugar na fila para órgão de cadáver. Mas não tem prazo determinado pode levar dias, meses e anos porque não tem muitos doadores de órgãos. Ao mesmo tempo, eu e meu marido fazíamos exames”, conta Shirley.

Os pais foram escolhidos por terem o mesmo tipo sanguíneo de Enzo. Ela diz que o exame do marido apresentou alterações e, por isso, foi a escolhida para o transplante. Shirley teve alta do hospital no dia 27 de outubro e se recupera em casa.

Junto com as dores do corpo, ela trata as do coração com a distância do filho que segue internado no Instituto da Criança. “Tenho dor porque a cirurgia mexe com o aparelho digestivo e elas são maiores depois das refeições. O Enzo está com o pai que me informa o que acontece e, na medida do possível, a gente vai se falando.”


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