Moradores denunciam uso de linhas cortantes em pipas e desrespeito à quarentena em bairros de Mogi das Cruzes

Além do risco que as linhas cortantes representam à vida das pessoas, pipas também podem causar prejuízos no fornecimento de energia, quando entram em contato com a rede elétrica.

Um problema que pode ser visto em vários bairros do Alto Tietê é a prática de soltar pipas com linha de cerol, uma mistura de cola de madeira e vidro moído. Há ainda a linha “chilena”, com um poder cortante ainda maior. Essas misturas podem matar ou ferir de forma grave, principalmente quem anda de bicicleta ou moto. Além disso, quando atingem fios da rede elétrica, podem trazer prejuízos para os moradores.

Esses graves problemas seguem ocorrendo em plena pandemia do novo coronavírus, como no Parque Olímpico, em Mogi das Cruzes. A denúncia é de uma moradora que, por medo, não quer se identificar. Ela não fala somente sobre a prática de soltar pipas, mas também do som alto e do consumo de drogas.

Um vídeo gravado por vizinhos do Parque Olímpico mostra um grupo empinando pipas e ouvindo música alta no bairro. Por lá, a quarentena não mudou a rotina de quem quer se divertir, usando até linhas cortantes e arriscando vidas. A moradora contou como o desrespeito causa preocupação em quem vive no local.

“Aqui é sempre sábado e domingo. Normalmente existem campeonatos de pipa. É um grande tumulto de pessoas. A rua fica tomada de carros com sons altos, pessoas aglomeradas, tráfico de drogas. A gente não consegue sair de casa porque, devido às pipas, eles invadem a casa da gente. Pulam muro, machucam o cachorro”, disse a moradora, sem se identificar.

As pipas, quando enroscam nos fios da rede elétrica, também trazem prejuízos para os moradores. “Recentemente, os meus pais perderam tudo dentro de casa porque essa linha pegou no fio da casa e estourou todos os eletrodomésticos. Então a gente teve que trocar tudo por má consequência de pessoas que, na verdade, a gente considera que até não têm o que fazer, porque não são crianças. São marmanjos, homens”.

A reportagem da TV Diário também conversou, pela internet, com a auxiliar de serviços Marta Vitorino Januário. Ela tem familiares que vivem no condomínio Maitaca, no bairro Porteira Preta, em Mogi, e conta que, por lá, o desrespeito ao isolamento e a brincadeira perigosa com as pipas ainda fazem parte da rotina, mesmo durante a quarentena.

“A maioria não usa máscara. Você vê muitas pessoas andando com frequência, acúmulo de pessoas. Sem contar que, agora na época de pipa, são muitas crianças, adolescentes e adultos soltando pipa. A quarentena são umas férias, praticamente”, falou Marta.

Apesar do isolamento social, muitas pessoas não respeitam e é comum ver grupos empinando pipas em várias cidades do Alto Tietê. Os dados divulgados pela concessionária de energia elétrica da região são impressionantes e mostram um aumento de 80% nas ocorrências de pipas em redes elétricas neste período de quarentena. Ao todo, foram 222 ocorrências entre 1º de abril e 15 de maio. Cerca de 15 mil clientes foram prejudicados pela falta de energia.

“As ocorrências normalmente acontecem pelo contato da rabiola ou da linha da pipa com a rede. Esse contato causa curto-circuito e pode causar até a queda de cabo de alta tensão. Em praticamente 100% dos casos, é preciso enviar uma equipe para fazer o reparo. E o deslocamento pode ser demorado pela questão do trânsito, pelo clima, ou a equipe pode estar ocupada naquele momento fazendo uma outra atividade. Com isso, o tempo de reparo pode ser elevado, o que prejudica o fornecimento de energia”, explicou o gestor executivo de operação da concessionária, Luciano Cavalcante.

Luciano lembra também que a falta de energia pode atingir, inclusive, hospitais que estejam próximos. “Esses hospitais estão, neste momento, em uma situação muito crítica, com muitas pessoas internadas. A interrupção no fornecimento de energia pode prejudicar o tratamento desses pacientes. A recomendação é que as pessoas, se quiserem praticar essa brincadeira de empinar pipa, que façam longe da rede elétrica, e obviamente sem causar tumulto e aglomeração de pessoas”.

Ações e conscientização

O Secretário de Segurança de Mogi das Cruzes, Paulo Roberto Madureira Sales afirma que a Prefeitura tem atuado para coibir esse tipo de ação. Sales reforçou também a importância de que haja uma conscientização das pessoas em relação aos perigos do uso de linhas cortantes.

“A Prefeitura tem intensificado muito as operações visando coibir esse tipo de atividade. No Parque Olímpico, tivemos até uma situação no domingo em que, quando chegamos ao local para coibir esses eventos, nós nos deparamos com uma pessoa que tinha acabado de sofrer um acidente com linha chilena. Estamos atuando diretamente nisso”.

“Nos fins de semana, há uma incidência muito maior de denúncias pelo 153, e às vezes não conseguimos ir a todos os locais. Quando chegamos ao local, são 30, 40, 50 pessoas fazendo esse tipo de atividade ilegal, além de estarem descumprindo essa situação da pandemia. A multa para esse tipo de atividade é alta. O valor de uma multa dessa é em torno de R$ 9 mil, e nós não estamos afrouxando. Nós efetuamos várias multas, apreendemos vários carretéis, mas o que precisa mesmo é a conscientização da população para que não efetuem esse tipo de ação, estando ou não na pandemia”.

A Prefeitura de Mogi atende denúncias sobre aglomerações pelo telefone 153. Em caso de ocorrências com a rede elétrica, os clientes devem entrar em contato pelo site da concessionária ou pelo telefone 0800-721-0123. Para registro de falta de energia, é possível também mandar um SMS para 28037 com a mensagem “falta luz”.

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