Número de golpes e fraudes financeiras cresce durante pandemia; delegado de Mogi dá dicas e fala sobre investigações

Número de golpes e fraudes financeiras cresce durante pandemia; delegado de Mogi dá dicas e fala sobre investigações

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Segundo Febraban, golpes de diversas modalidades cresceram em quase 80%. Delegado diz que consumidor deve desconfiar sempre.

Cresceram em 80% as tentativas de fraudes financeiras durante a pandemia do coronavírus. O levantamento é da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que apontou que os golpes envolvendo links maliciosos por e-mail são as principais iscas entre estelionatários.

O delegado Rubens José Angelo, de Mogi das Cruzes, dá dicas de como a população pode se prevenir de riscos como esse e manter uma vida digital mais segura. Ele também explica porque a investigação de casos como esses é difícil e demorada.

Tudo em um clique. A comunidade proporcionada pelos meios digitais, seja por mensagem, e-mail ou ligação, também pode trazer riscos. Golpistas podem se aproveitar desses recursos para capturar e usar dados de consumidores reais.

O caldeireiro Gilson Gomes, por exemplo, conta que já recebeu mensagens suspeitas no celular. “Semana passada recebi sobre convênio dentário, plano dentário, para depositar na conta. Até tentei, dei iniciativa, comecei a fazer. Eles não mandaram nada, só mandaram pedindo depósito e o número da conta. Desconfiei na hora, aí peguei e já bloqueei”, comenta.

De acordo com a Febraban, diversas modalidades de fraudes cresceram durante a pandemia. O pishing, que tenta “fisgar” informações das vítimas por meio de links falsos ou vírus foi o ataque campão. Cresceu 80%.

Em seguida vem o golpe do falso funcionário de bancos e falsas centrais telefônicas, com aumento de 70%. O golpe do motoboy subiu 65% nessa quarentena.

Ainda de acordo com o levantamento, os mais velhos foram as vítimas preferidas dos golpistas durante a quarentena. Nesse período, segundo a Febraban, houve uma alta de 60% nas tentativas de fraudes financeiras contra idosos.

“Eu já desliguei o telefone porque achava que fosse golpe. Falavam que tinha feito compra com meu cartão e se eu tinha autorizado, se eu tinha feito, efetuado a compra. Eu disse que não. Pediram, se não me engano, os quatro últimos números do cartão, eu falei que ia entrar em contato com a operadora. Acabei desligando o telefone”, comenta o aposentado João de Barros.

Pelas ruas as pessoas até colocam mais em prática. Ficam atentas ao redor, vigiam bolsas, carteiras e celulares. Já no mundo digital não funciona bem assim.A pesquisa realizada mostrou também que 70% das fraudes estão relacionadas a manipulação psicológica da vítima.

Para conseguir informações pessoais, como senhas e número dos cartões, os golpistas fazem ameaças. A dona de casa Carmem Ferreira, por exemplo, conta que já foi surpreendida pelo golpe do falso sequestro.

“Foi falando que a minha filha estava presa, estavam machucando ela. Aquela pessoa chorando, reclamando. Eu não caí, nem liguei. Xinguei muito a pessoa, porque eu não tenho filha mulher, só tenho filho homem”, lembra a idosa.

O delegado Rubens José Angelo dá dicas para que o consumidor não caia nestes golpes. A principal delas, segundo ele, é desconfiar. Também é importante buscar meios seguros para checar o que foi dito pelos supostos golpistas.

“Verificar se os canais que está utilizando são oficiais. Por exemplo, alguém liga falando que é de um banco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, outra agência bancária, dizendo que seria dessa agência. A pessoa [deve] desligar essa ligação e efetuar uma ligação para o gerente do banco, algum funcionário, para confirmar se houve o contato”.

“Outra dica: não abra sua conta utilizando wi-fi ou computadores públicos. É perigoso, porque, se você coloca sua senha em um computador público de algum prédio oficial, algum órgão oficial, esses dados podem ser captados também. Nunca fazer isso”, explica.

Apesar de ser cada vez mais comum, o combate a esse tipo de crime ainda encontra barreiras. Uma delas é a falta de uma lei federal específica para as fraudes cometidas pelos meios digitais.

“O código penal do Brasil é de 1940. Então a legislação é muito antiga. Para esses casos, eles são captulados, classificados, como crimes de estelionato ou furto mediante fraude. Uma legislação mais rígida, mais atualizada, com esses casos de crimes por meio eletrônicos on-line, seria excelente”.

“Esse casos são investigações complexas porque, quando há um depósito bancário, uma movimentação financeira, a polícia não tem o acesso direto à movimentação. Somente aos dados cadastrais. Esses dados financeiros são protegidos por sigilo bancário. Tem que haver representação ao juiz, o juiz quebrar e oficiar ao órgão público. É um prazo demorado e complexo”, completa.

A orientação é para que as vítimas de fraudes bancárias entrem em contato o mais rápido possível com o banco informando sobre o ocorrido. É importante também sempre registrar o boletim de ocorrência.

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