Praças e pontos turísticos de Mogi das Cruzes são alvos de atos de vandalismo e descarte de lixo

Monumento na entrada do município foi manchado com tinta no início deste mês, e atos de desrespeito também podem ser vistos no Pico do Urubu e em praça no centro da cidade.

Praça Diego Lemes Chavedar, no centro de Mogi das Cruzes, Pico do Urubu, localizado no alto da Serra do Itapeti, e o monumento ao bandeirante, que retrata o bandeirante Gaspar Vaz e que fica na entrada de Mogi. Esses são alguns locais do município que foram alvos de vandalismo e onde também é possível registrar muita sujeira.

Quem chega à cidade é recebido pelo homem de lata. A escultura em homenagem ao fundador de Mogi das Cruzes tem 13 metros de altura e, desde o dia 1º de julho, está manchada em vermelho, após uma tinta ter sido jogada no monumento.

O Pico do Urubu também foi alvo da falta de educação de algumas pessoas. O ponto turístico é famoso pela vista que se tem lá de cima. Não faz um mês que foram inaugurados um deck e uma sala, que foi depredada. No mês passado, vidros foram quebrados e uma moto foi queimada. A Serra do Itapeti, onde fica o Pico do Urubu, é a vista que o advogado Humberto Malta Moreira tem de casa.

“A Prefeitura fez, realmente, um estacionamento, um mirante maravilhoso para ficarmos contemplando a beleza para todos os lados. Mas o povo não tem educação suficiente para ter a consciência de que ele tem que manter limpo e preservar o local que ele frequenta. Não é porque é público que a Prefeitura é obrigada a limpar a sujeira que ele faz. É plástico para tudo quanto é lado, garrafa pet, latinha de cerveja, maço e bituca de cigarro. Toda espécie de lixo você pode encontrar lá”.

A Praça Diego Lemes Chavedar fica ao lado da estação Mogi das Cruzes da CPTM e faz parte de um pacote de obras da Prefeitura que custou quase R$ 4 milhões. Além dela, há outras duas praças que estão em reforma. Ela foi entregue em fevereiro deste ano e, com menos de cinco meses de uso, é possível ver muitas peças quebradas e sujeira.

“À tarde tem muitas pessoas aqui. Os jovens que vêm beber ou moradores de rua. Eles pegavam marmitex e vinham comer aqui. Mas infelizmente eu vejo que eles jogam as garrafinhas no chão. O próprio povo está fazendo isso”, falou a aposentada Telma Barroso.

Enquanto alguns não mostram respeito, ainda há pessoas que preservam o que é público. A aposentada Ângela Maria Aparecida dos Santos transformou um terreno baldio na frente de casa dela em um jardim comunitário.

“Já colhemos amora, abacate, ameixa. Quem planta colhe. E todo mundo aqui ajuda a cuidar direitinho. Ninguém mais mexe e nem joga lixo”, disse Ângela.

Além disso, vizinhos de Ângela resolveram abraçar a ideia de cuidar do bairro. “É um ambiente bom para nós. Estamos perto da natureza, diminuiu um pouco os bichos que entravam nas casas. Com certeza vale a pena cuidar de onde a gente está”.

O secretário de Segurança de Mogi das Cruzes, Paulo Roberto Madureira Sales, diz que os atos de vandalismo ocorrem também em outros locais. “É uma falta de respeito e causa indignação muito grande. Uma destruição do patrimônio público que deveria ser preservado por todos. E não é só no Pico do Urubu ou em algumas praças. Temos depredações em escolas, pelo simples ato do vandalismo. É revoltante. Só de janeiro a junho, já detivemos 14 pessoas nessas situações, e todas autuadas em flagrante”, disse o secretário.

Sales completou que no caso do homem de lata, a escultura, deveria ser respeitada, independentemente de ser a representação de um bandeirante. “Depredam uma escultura que uma pessoa fez de bom grado, de vários anos, desrespeitando o ato daquela pessoa.”

De acordo com Sales, o fato de o Pico do Urubu ser uma Área de Preservação Permanente (APP) dificulta, por exemplo, a instalação de um sistema de monitoramento no local. Segundo ele, a Prefeitura realiza patrulhamentos para evitar atos de desrespeito no lugar, que é um ponto muito frequentado por mogianos e moradores de cidades vizinhas.

“O Pico do Urubu é uma Área de Preservação Permanente. Não podemos fazer instalação de energia elétrica, porque a legislação exige várias providências, e, se nós tomarmos esse tipo de atitude, acabaríamos, indiretamente, depredando o ambiente. Alteraria a riqueza natural que existe no local. Constantemente, a guarda municipal faz patrulhamento lá. No caminho já colocamos algumas placas proibindo o estacionamento de veículos. Mas o que é mais importante é o respeito e a educação da população”.

Sales também falou sobre as punições que podem ser aplicadas a quem comete esse tipo de ato, algo que, segundo ele, não é suficiente para coibir essas ações.

“Além da sanção administrativa, que dá em torno de R$ 17, 18 mil, tem também a parte penal, que é de dano ao patrimônio público e é passível de uma pena de detenção de até um ano. Mas, infelizmente, pela nossa legislação, a punição acaba sendo convertida em cestas básicas ou algo do gênero”.

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