Ritmista de escola de samba morre de Covid-19 aos 25 anos em Mogi

Gustavo Henrique José de Goes, de 25 anos, era ritmista na Escola de Samba Unidos da Vila Industrial. O músico chegou a procurar atendimento médico duas vezes e, em uma delas, segundo a família, o médico disse que os sintomas eram de nervoso.

Apaixonado pela música, companheiro e alto astral são as lembranças que Nayra Cristina José de Goes, de 17 anos, guarda do irmão Gustavo Henrique José de Goes, de 25 anos, mais conhecido como Batata. O músico foi mais uma vítima da Covid-19, em Mogi das Cruzes.

O jovem morreu no dia 6 de dezembro, uma semana depois de ser internado no Hospital Municipal. O músico chegou a procurar atendimento médico duas vezes e, em uma delas, de acordo com a família, o médico disse que os sintomas eram de nervoso.

A irmã contou que ele não tinha nenhuma doença crônica, mas estava acima do peso. Segundo ela, Goes foi internado no dia 28 de novembro na terceira vez que buscou atendimento e foi entubado dois dias depois.

“Quando chegou ao hospital estava com 80% do pulmão comprometido, uma tomografia feita no hospital apontou. Até entubar ele estava consciente, o médico explicou tudo para ele. Meu último encontrou com ele foi na visita no dia 3 de dezembro, mas já estava entubado”, afirma Nayra.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que “lamenta profundamente o ocorrido e informa que o paciente recebeu todos os cuidados e tratamentos possíveis nas unidades de saúde que buscou atendimento, no entanto, o avançar da doença, as graves complicações e comorbidades existentes agravaram de sobremaneira o quadro clínico, sem possibilidade de reversão. Todas as informações estão à disposição da família, a quem prestamos nossas condolências.”

De acordo com Nayra, no final de novembro o irmão começou a ter sintomas de gripe, cansaço, falta de ar, dor no corpo e febre de 40 graus.

“Eu fiz um chá para ele e não adiantou. Levei no posto de saúde do Jardim Universo e disseram que era nervoso. Depois fomos na UPA do Rodeio fizeram um teste de Covid lá, mas não fizeram raio-X ou tomografia e mandaram ele ficar isolado em casa por 14 dias. Mas como não melhorou levei ele no Hospital Municipal.”

Contaminação

Nayra e Gustavo Henrique moravam juntos na Vila Industrial. Ela diz que no final de outubro também teve Covid, mas não sabe identificar como o irmão se contaminou.

“Não sei se foi nos pagodes onde tocava, que diminuíram com a pandemia, ou se no caminho para o serviço ou transporte público.”

A irmã diz que o jovem trabalhava em um escritório de contabilidade durante a semana e, aos finais de semana, tocava com o grupo de pagode do qual fazia parte.

Música e Filhos

Nayra detalha que a paixão de Gustavo Henrique era a música. “Ele era ritmista da Unidos da Vila Industrial desde criança. Tocava surdo e percussão, mas o amor dele era o surdo.”

O maior sonho era que o grupo de pagode do qual fazia parte crescesse. “Ele queria dar o melhor para os filhos dele e para mim. Era uma pessoa boa e que podia contar para tudo. Era risonho nunca ficava triste e estava sempre de alto astral.”

Batata, como era mais conhecido, deixou dois filhos: Davi de 4 anos e João 11 meses. “O Davi fala que o pai virou estrelinha e está junto com a avó dele no céu”, conta Nayra. Além de Nayra e dos filhos, o jovem deixou mais uma irmã e três irmãos.

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