Santa Isabel e Mogi das Cruzes estão entre as cidades com o maior índice de desperdício de água

Na lista estão ainda Itaquaquecetuba e Guararema. Entre os motivos do desperdício estão falhas nas redes de distribuição.

Um levantamento exclusivo da TV Diário, com dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, mostrou que das 10 cidades do Alto Tietê, quatro desperdiçam mais água do que a média da região: Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Santa Isabel. Entre os motivos para a perda de água estão as falhas nas redes de distribuição.

Lucilene de Fátima Pinto Miranda é aposentada e mora em Santa Isabel. A louça acumulada na pia sempre a incomodou, mas para ela, esse é o menor dos problemas. A preocupação é com o desperdício de água e para evitar ela tem um segredo.

“Nós lavamos a louça com a torneira fechada, só usamos a torneira aberta para molhar a para enxaguar. Aqui em casa, nós não usamos mangueira. Eu acho mangueira um desperdício de água. Então nós passamos pano no quintal todo dia. Nós tentamos fazer de tudo, tem bastante planta, então encho o balde e vou molhando de canequinha. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance pra economizar água”, conta a aposentada.

Apesar do cuidado da Lucilene com o desperdício de água, Santa Isabel tem uma estatística que preocupa. Das 10 cidades da região, é a que mais perde água antes mesmo de chegar às casas dos consumidores. Em 2019, mais da metade da água tratada, captada e pronta para ser distribuída no município foi perdida no meio do caminho, ainda na rede de distribuição. Foram 52% do total.

Grande parte da água que é perdida, antes mesmo de chegar às casas, é desperdiçada por causa dos vazamentos em tubulações internas. Segundo Ricardo Borsari, diretor de sistemas regionais da Sabesp, a idade das tubulações é um fator determinante para o desperdício.

“Eu diria que, em média, uma cidade como Santa Isabel deve ter redes com mais de 30 anos, com certeza. Você tem que considerar como essas redes foram construídas, em que momento elas foram construídas, como elas foram mantidas. Não há um único fator”, explica Ricardo Borsari.

Para o diretor de sistemas regionais da Sabesp, além da idade, os vazamentos também estão relacionados à topografia da cidade, que está inserida em uma região muito baixa, e este fator que favorece o desgaste da tubulação.

“A cidade tem um perfil topográfico bastante variado e montanhoso. Isso tudo faz com que essas redes tenham uma incidência de vazamentos muito grande”, ressalta o diretor de sistemas regionais da Sabesp.

Além dos vazamentos nas tubulações, outros fatores que também contribuem para o desperdício são os erros de leituras de parte dos hidrômetros e os furtos de água, conhecidos como gatos. Quem acaba sendo prejudicado é o consumidor final, pois segundo Ricardo Borsari, a empresa tem que aumentar o investimento.

“Tem que fazer setorização, trocar ramal, trocar hidrômetro e isso é um processo. Nós estamos lá em Santa Isabel há quatro anos e estamos trabalhando firme nisso”, explica Ricardo Borsari.

Além de Santa Isabel, outras três cidades da região também aparecem acima da média. Mogi das Cruzes, com 44%, Guararema com 35% e Itaquaquecetuba, com 34%. A média das 10 cidades do Alto Tietê, em 2019, foi de 32%. A cidade com a melhor posição no ranking é Suzano, com 20%.

Em Mogi das Cruzes, apenas dois bairros são atendidos pela Sabesp. Em todo restante da cidade, o abastecimento é realizado pelo Semae. De acordo com o diretor do departamento técnico da instituição, Wilber Kohler, a manutenção da rede é uma das prioridades.

“Fazemos trabalhos de geofonamento e muitas manutenções também com a nossa equipe. Temos uma equipe sempre preparada para isso. Estamos com esses indicadores e atingindo a média nacional de perdas. Nós investimos mais ou menos R$ 100 mil em hidrômetros por mês para realizar as perdas comerciais e as perdas físicas, os serviços de manutenções constantes. Na primeira chamada, através do 115, quando as pessoas relatam algum vazamento, na mesma hora atendemos”, explica Wilber Kohler.

Os números preocupantes de Mogi das Cruzes se refletem também no ranking do saneamento básico. Publicado todos os anos pelo Instituto Trata Brasil, o estudo leva em conta itens como distribuição e perdas de água, coleta e tratamento de esgoto, evolução dos investimentos e o valor médio da conta de água. Na edição deste ano do ranking, Mogi das Cruzes aparece como a cidade que mais perdeu posições.

No ano passado, o estudo, que considerou informações de 2017, mostrou que Mogi das Cruzes estava na 26ª posição. Já na edição de 2020, que leva em consideração dados de 2018, a cidade aparece em 53ª. Para o diretor técnico do Semae, o número de ligações de água e esgoto está por trás desse resultado.

“Nós tínhamos uma média de 3 mil ligações por ano. Em 2018, tivemos somente 300 ligações, mas em virtude de uma atualização da base de dados e não, necessariamente, da redução do número de ligações”, explica o diretor técnico do Semae.

Enquanto esperam pela melhora dos indicadores e pela diminuição das perdas de água, os moradores da região não deixam de lado o cuidado contra o desperdício, como Lucilene, que além de se preocupar com a economia financeira, pensa também no meio ambiente.

“Em primeiro lugar, eu espero deixar um mundo melhor para minha filha, com muita água para todos, minha principal meta é essa, ajudar a economizar para que nunca falte água, porque eu imagino que deve ser terrível ficar sem água”, conta Lucilene.

De acordo com o diretor de sistemas regionais da Sabesp, Ricardo Borsari, o contrato do serviço de saneamento básico no município de Santa Isabel com a companhia foi efetivado em 2015, com início em 2016.

Segundo a Prefeitura de Santa Isabel, antes da assinatura deste contrato, a cidade realizava a distribuição de água em uma estrutura defasada, com utilização de tubos de amianto que vêm sendo gradualmente substituídos.

Ainda de acordo com a Prefeitura, nos últimos dois anos houve a troca de cerca de 9 km de redes de água e a prioridade é modernizar a rede de distribuição e conter os vazamentos, assim o serviço de troca dos tubos está sendo realizado de maneira gradual.

O telefone para emergências, como vazamentos e falta de água em Santa Isabel é o 195. Já em Mogi das Cruzes é o 115.

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