Universitários de Mogi reclamam de aulas à distância sem redução de mensalidades

Estudantes também estão preocupados por causa da perda de conteúdo prático, como das aulas de laboratório. Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) afirma que esse conteúdo será reposto e que propôs parcelamento da mensalidade de abril em três vezes.

Universitários de Mogi das Cruzes tiveram que se adaptar a uma nova rotina de estudos por causa da pandemia do coronavírus, mas os alunos de uma instituição particular da cidade não estão satisfeitos com os resultados e com a manutenção do valor das mensalidades.

Entre as preocupações estão a falta de aulas práticas, como em laboratórios, e o andamento de projetos. A Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) afirmou que esse conteúdo será reposto e que propôs o parcelamento da mensalidade de abril em três vezes, já que grande parte dos custos da instituição de ensino, como com professores, coordenação e funcionários administrativos está mantido (veja detalhes da nota abaixo).

O universitário John Hendriu Soares Reis de 20 anos está no 3° ano de engenharia de produção e faz parte do Diretório Acadêmico. Pela internet, segue o conteúdo e cumpre a carga horária do curso. O jovem sentiu uma queda no aprendizado e está preocupado.

“O nosso maior desejo é essa questão da parte acadêmica, porque eu fico pensando no meu futuro como profissional e também no meu futuro como estudante. Os assuntos que nós estamos tratando on-line eu vou ser cobrado em prova. Se eu não tiver laboratório e for cobrado disso em prova, é complicado. Ou imagina, eu estou falando da engenharia, mas tem outros cursos: você ser atendido por um dentista que não vai te dar uma anestesia, mas não teve essa aula na faculdade”, diz John.

“A gente sabe que se faz uma faculdade, seja ela presencial ou on-line, tem que agregar conteúdo à sua vida, tem que te ajudar de alguma maneira e perder esses pequenos conteúdos vai nos fazer profissionais diferentes. Eu não quero dizer pior, mas com certeza lá na frente isso vai ser um problema”, continua.

Segundo o estudante, nem todos os professores se adaptaram à plataforma desenvolvida pela universidade. Os alunos não contam mais com os recursos utilizados em sala de aula, com os laboratórios para as atividades práticas e não têm mais acesso à biblioteca. A estrutura agora se resume ao computador pessoal e a internet é por conta do aluno. Mesmo assim, a instituição não deu nenhum desconto na mensalidade.

“Não foi feita a redução do valor. O que foi feita é uma tentativa de acordo, de postergar a mensalidade de abril para ser paga depois ou uma condição de pagamento melhor, mas em relação à redução de valor ainda não teve nenhum comunicado oficial”, afirma.

Pela internet, o Bom Dia Diário conversou também com o estudante Matheus Monfort, da mesma turma de engenharia de produção. Ele também não concorda com o parcelamento da mensalidade como a única contrapartida da universidade para esse período de crise.

“O grande problema do parcelamento é que a maioria dos alunos, inclusive eu, tem um desconto considerável no valor pago pra faculdade. Só que o valor que eles têm o intuito de parcelar seria o valor integral. A faculdade de engenharia hoje, pra gente que iniciou há três anos, está em média de R$ 2,2 mil. O parcelamento às vezes, por mais que seja de três vezes, não é aceitavel. Tivemos alunos iniciais que vieram proocurando a gente falando que perderam o emprego ou tiveram redução de salário e que realmente teriam que trancar o curso por conta disso.”

Muitos alunos da Universidade de Mogi das Cruzes, inclusive de outros cursos, também estão se sentindo prejudicados, como a estudante de arquitetura Geovanna Oliveira.

“Para mim e para vários colegas meus a adaptação foi meio complicada. Eu não acho que o curso de arquitetura e urbanismo seja um tipo bom de curso para ser à distância por conta de toda a metodologia de ensino que a gente tem. A gente trabalha muito com projeto, não é tanta matéria teórica”, afirma.

Diante desse cenário, segundo os alunos, a comunicação também está comprometida. “Até mesmo alguns alunos, por conta da localização onde moram, acabam não tendo fácil acesso à internet ou às vezes a internet é lenta e não abre o programa que a faculdade disponibilizou para as aulas ou os programas que os professores passam, dependendo da matéria ou do conteúdo programático, para que eles baixem no próprio computador para utilizar”, diz Matheus.

Posição da universidade

A Universidade de Mogi das Cruzes informou que, por causa da pandemia, investiu em uma dinâmica de aula com recursos tecnológicos e que não houve a migração dos cursos presenciais para EAD.

Todos os professores continuam com as mesmas aulas e turmas presenciais, trabalhando de casa, assim como os coordenadores e a maioria dos funcionários administrativos, não havendo redução nos custos.

As únicas reduções efetivas, segundo a universidade, foram nas tarifas de luz e água, inexpressivas quando rateada pelo total de alunos.

Sensível à mudança no cenário econômico, a universidade afirma que disponibilizou o pagamento da mensalidade de abril em até três parcelas no cartão de crédito, mas como há bolsas vinculadas ao pagamento por antecipação e pontualidade, não tem como usar esse valor para parcelamento.

A universidade ainda informou que toda parte prática, como estágios e aulas de laboratório, vai ser reposta.

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