Veados e quatis são flagrados por armadilhas fotográficas no Parque das Neblinas em Mogi

Câmeras instaladas na reserva registraram o momento que os animais circularam pela reserva.

Uma fêmea de veado-catingueiro passeando com seu filhote e dois quatis que escalavam uma árvore foram flagrados por câmeras no Parque das Neblinas que fica entre Mogi das Cruzes e Bertioga.

As imagens foram registradas por meio de câmeras trap (armadilhas fotográficas), que ficam distribuídas em diversos pontos estratégicos do Parque.

O Instituto Ecofuturo, organização sem fins lucrativos responsável pela gestão do parque, informou que além da Mata Atlântica, bioma em que a reserva está inserida, o veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) também é encontrado no Pantanal, Cerrado, Pampas e Caatinga. São animais de hábitos solitários e podem ter como seus predadores naturais a onça-pintada, a onça-parda e cachorros-do-mato. Contudo, a principal ameaça à espécie é a caça ilegal.

Já o quati (Nasua nasua) é o da América do Sul: um animal onívoro, ou seja, que se alimenta tanto de insetos como também de frutas e, às vezes, também de pequenas aves. Ao contrário do veado, essa espécie prefere viver acompanhada de outros indivíduos.

Veados e quatis são flagrados por armadilhas fotográficas no Parque das Neblinas em Mogi
Quati também foi flagrado quando escalava árvore no Parque das Neblinas — Foto: Instituto Ecofuturo/Divulgação

Seu focinho comprido permite conseguir comida com mais facilidade e seu olfato é o mais aguçado dos sentidos. Este animal costuma dormir em árvores, para se proteger de predadores. Em relação à ameaça, ambos são classificados como Pouco Preocupante (LC) na lista vermelha da IUCN.

As câmeras trap são um importante recurso para o registro e monitoramento da biodiversidade no Parque e, também, para contribuir com ações de fiscalização da área. Elas são instaladas e manuseadas pela equipe de guarda-parques do Ecofuturo e são, ainda, importantes auxílios para pesquisas. Por meio dessas “armadilhas” já foi possível flagrar diversos outros animais na reserva, como a onça-parda, o gambá-de-orelha-preta, o gato-mourisco, a anta, entre outros.

“Estes novos registros reforçam o impacto positivo do trabalho realizado pelo Instituto, em prol da restauração e conservação da Mata Atlântica no Parque das Neblinas. Sabemos que a proteção da floresta nativa proporciona condições necessárias para o abrigo e reprodução de diversas espécies da fauna”, afirma Paulo Groke, diretor superintendente do Ecofuturo.

Parque das Neblinas

O parque foi inaugurado em 2004, e conserva 7 mil hectares de floresta em diversos estágios de regeneração, mais de 1,2 mil espécies da biodiversidade já registradas em estudos, incluindo três novas para a ciência e mais de 20 com algum grau de ameaça.

A reserva desempenha, ainda, importante papel para a proteção dos recursos hídricos da bacia do Rio Itatinga e do Alto Tietê, e funciona como zona de amortecimento para o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do País, o Parque Estadual da Serra do Mar de São Paulo (PESM) e a Serra de Paranapiacaba.

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