Moradores do Alto Tietê alegam dificuldades para solicitar ou continuar recebendo aposentarias pelo INSS

Moradores do Alto Tietê alegam dificuldades para solicitar ou continuar recebendo aposentarias pelo INSS

Problema teria começado após operação de análise das aposentadorias, iniciada em 2019.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está realizando uma operação de análise das aposentadorias e pensões em todo o país. O objetivo é combater fraudes e eliminar cadastros irregulares. No entanto, alguns moradores do Alto Tietê afirmam que estão enfrentando dificuldades em solicitar o benefício e até mesmo quem já recebia diz que foi suspenso.

A dona de casa Fátima Aparecida Fabrício relata que tem um problema na perna e, por isso, há quatro anos tenta se aposentar por invalidez. Ela diz que já fez diversas perícias na unidade de Suzano do INSS, mas não consegue o benefício.

“Hoje eu passei por outra perícia e vamos ver o que vai dar. Não consigo nem andar, ficar em pé. Difícil. Eles [perícia] não falam nada. Só falam para aguardar e à noite ligar no 135 para saber o resultado, se deu deferido ou indeferido”, conta.

Já Alonso de Almeida convive com outro problema. Ele é aposentado, mas teve o benefício cortado por um período. Em 2018, ficou doente e não conseguiu fazer a prova de vida. Esse procedimento é necessário e deve ser feito anualmente.

“Em agosto de 2019 eu fui no banco para receber a parcela da aposentadoria e lá só tinha débito para pagar. Aí vim ao INSS de Suzano e aqui constatou que fazia mais de um ano que eu não recebia aposentadoria. Dei a entrada em setembro, pagaram as parcelas de 2019 e ficou uma pendência de 2018: abono e três meses. Isso faz muita falta”, lamenta o aposentado.

O aposentado não foi o único que perdeu o benefício por causa de problemas nos documentos. Em 2019 o INSS realizou uma operação para analisar benefícios com indícios de fraudes e irregularidades. Só no Estado de São Paulo foram cessados 24,1 mil benefícios, enquanto outros 26,9 mil foram suspensos.

Em janeiro, o instituto iniciou a operação pente fino, que tem o objetivo de revisar pensões com dados irregulares. Em todo o pais, esse processo pode afetar mais de 1,8 milhão de beneficiários.

“A operação, ela é importante, as revisões do INSS, mas tem que ser feita com precaução e com cautela para não prejudicar aqueles que realmente têm o direito”, diz a presidente da comissão de direitos previdenciários da Ordem dos Advogados Brasileiros (OAB) de Suzano, Silmara Feitosa.

Ela explica que caso o beneficiário seja prejudicado, o beneficiário deve recorrer da decisão. “Quando o segurado, que recebe um benefício, por exemplo, por incapacidade ao trabalho, ele teve uma alta médica, ele deve procurar um advogado para verificar se ele preenche os requisitos para conseguir o benefício e, se for o caso, acionar a Justiça”, diz Silmara.

O objetivo dessas operações é encontrar irregularidades e diminuir os gastos do INSS, no entanto, alguns cancelamentos acabam prejudicando pessoas que realmente precisam do benefício. Foi o que aconteceu com o aposentado Nilson Coelho. Ele sofre de esquizofrenia e não consegue trabalhar, mas a sua aposentadoria foi cancelada por causa da perícia.

“A gente precisa do direito, da aposentadoria, e receber meu salário de volta, né? Como é que vou sustentar minha família? Estou só aguardando a nova aposentadoria por contribuição e vou tentar, de novo, entrar no auxílio doença”, conta Nilson.

Em nota, o INSS informou que essa operação tem como objetivo reduzir os gastos do instituto, pelo desligamento dos segurados que estão com erros no cadastro. Ainda segundo o órgão, a aposentadoria por invalidez vai ser a modalidade com o maior número de cortes, porque muitas pessoas pedem o benefício antes da comprovação médica.

Ainda segundo o instituto, os aposentados por invalidez que têm entre 55 e 59 anos e quem teve auxílio-doença concedido pela justiça vão ser os principais alvos da fiscalização. O Instituto disse também que os chamados vão ser oficializados por meio do extrato emitido no caixa eletrônico, de carta ou pelo banco onde o beneficiário recebe.

Sobre o caso da dona de casa Fátima, o INSS informou que a perícia foi feita no dia 10 de janeiro e foi constatada a incapacidade. Agora o benefício está pendente de análise para liberação do pagamento. Já sobre os valores atrasados do Alonso, o Instituto afirmou que os atrasados já estão disponíveis no banco com correção monetária desde segunda (13).

Quanto ao Nilson, o INSS disse que foi feita a revisão de aposentadoria por invalidez em 2018 e o segurado está recebendo mensalidade de recuperação.

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