Número de casos de dengue no Alto Tietê cresceu 30 vezes em 2019

Número de casos de dengue no Alto Tietê cresceu 30 vezes em 2019

Foram mais de mil ocorrências confirmadas em 2019 contra apenas 33 em 2018. Itaquaquecetuba e Suzano foram as cidades que mais registraram a doença.

Os casos de dengue no Alto Tietê cresceram 30 vezes em 2019, em uma comparação com o ano anterior. Enquanto 2018 teve apenas 33 ocorrências da doença, no ano passado foram 1033 (confira os números por cidade abaixo).

Ainda houve casos de chikungunya e zika vírus, doenças que também são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Todos os municípios, com exceção de Santa Isabel, responderam aos questionamentos do G1.

Municípios com mais casos

Itaquaquecetuba Suzano foram as cidades com mais ocorrências de dengue em 2019. A primeira teve 236 e a segunda 201. No ano anterior, os municípios também registraram os maiores números na região. Foram, respectivamente, 10 e 9 casos.

G1 solicitou uma posição às prefeituras, mas não teve retorno de Itaquaquecetuba. Em Suzano, a coordenadora do setor de controle a zoonoses Patrícia Arap falou sobre o aumento de casos e disse que entre os motivos está a falta de importância dada pela população às ações preventivas.

“Mesmo orientando, fazendo toda aquela ação que é rotineira, casa a casa, bloqueio de criadouros, a gente percebe que continua encontrando sempre as mesmas histórias. O munícipe deixa para depois”, comenta.

Ela diz que as campanhas de orientação, que alertam para a importância de evitar acúmulo de água parada, continuam sendo fundamentais. No entanto, diz que lembrar o morador que o mosquito pode afetar a ele e seus familiares tem sido mais eficiente.

“Eu percebi que quando a gente fala, envolve a família, além de falar que tem que tirar o potinho ou fechar a caixa d’água, isso muda. A gente tem que mostrar, na verdade, que aquele potinho de água que está lá e parece uma coisa qualquer, pode trazer a doença para a casa do munícipe”.

“A gente, hoje, está tentando colocar a responsabilidade dentro do morador e mostrar que se ele não fizer dentro da casa dele, serão os primeiros a pegar a dengue”, diz a coordenadora.

Para reduzir o número em 2020, Priscila explica que a Prefeitura aumentará o número de agentes orientadores nas ruas, além das visitas a serem realizadas nas residências.

“Neste ano, a gente pretende começar a chamar, inclusive, as agentes comunitárias de saúde para trabalhar junto com a gente. Elas foram capacitadas e, neste ano, será mais uma ajuda. Na verdade, o trabalho da dengue, depende do morador. As pessoas que eu preciso na rua são para orientar e fazer com que as pessoas entendam a importância”, completa.

Outras cidades

O terceiro maior número foi registrado em Arujá. Foram 162 no ano passado, contra apenas um no retrasado. Em seguida está Biritiba Mirim, com 137. Do total, segundo a Prefeitura, três casos foram importados, o que significa que foram contraídos em outras cidades. No ano anterior, não houve registro da doença na cidade.

Mogi das Cruzes, que foi o município com a terceira maior incidência de dengue em 2018, um total de 7, registrou 107 em 2019. Poá vem logo depois com 101 ocorrências no ano e, segundo a Prefeitura, em 2018 foram apenas dois.

Ferraz de Vasconcelos e Guararema, que tiveram 137 e 47 casos, também registraram apenas dois no ano anterior. A Prefeitura de Guararema ainda informou que, em ambos, metade das ocorrências foram importadas.

Já Salesópolis, que não teve nenhum em 2018, agora teve dois, sendo um contraído fora do município.

Embora o aumento seja de quase 3 mil porcento, não houve nenhuma morte em decorrência da dengue em toda a região.

O crescimento é um reflexo registrado em todo o país, onde o aumento foi de 488% em relação a 2018. No início do ano, o Ministério da Saúde publicou um comunicado a população que o “verão é o mais propício à proliferação do mosquito Aedes aegypti, por causa das chuvas, e consequentemente é a época de maior risco de infecção por essas doenças”.

Chikungunya e zika

A chikungunya, que teve somente três ocorrências em 2018, passou para nove no ano posterior. Do total, oito casos foram em Mogi das Cruzes, enquanto um importado ocorreu em Itaquaquecetuba.

Já o zika vírus diminuiu. Dos dois casos em Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba no ano retrasado, a região foi para apenas um, em Ferraz, no ano de 2019.

A cidade informou que acompanha um caso de microcefalia de 2018, que pode ter sido causado pela doença, por meio de atendimento no Centro de Especialidades Médicas (CEM).

As enfermidades não causaram mortes em nenhum dos dois anos.

A dengue, a febre chikungunya e o zika vírus são doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, que se prolifera em água parada. Entre os sintomas comuns dessas doenças estão febre, dor de cabeça e nas articulações, além de manchas vermelhas pelo corpo.

O mosquito deposita cerca de 40 ovos na água a cada três dias. Após uma semana, a larva se torna um mosquito maduro, preto e com listras brancas. A fêmea, no entanto, é a única transmissora do vírus. Ela o leva na saliva e contamina o humano ao picá-lo.

O combate é feito por meio da atitudes preventivas, que eliminam os criadouros do Aedes e impedem que esse ciclo continue.

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