Depois de dois anos, continua aberta investigação de assassinato de jovem por policial militar que atirou da sacada de casa em Poá

Quando o caso completou um ano, a Secretaria de Estado de Segurança Pública chegou a informar que havia finalizado a investigação, mas o caso ainda segue em aberto.

Dois anos após um policial militar de 21 anos atirar da sacada de casa, em Poá, e matar a jovem Brenda Lima de Oliveira, com 20 anos, e ferir o namorado dela, a investigação do caso ainda segue em aberto.

Quando o crime completou um ano, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP) informou que havia finalizado a investigação. Agora, segundo a SSP, “o inquérito policial retornou à Delegacia de Poá para novas investigações. O autor do caso foi indiciado indiretamente”, sem detalhar quais crimes.

Na noite do crime, Brenda e o namorado haviam ido visitar uma casa. O imóvel fica na rua em que o policial morava, no Jardim Madre Ângela. Eles pretendiam alugar o imóvel para morar juntos. Quando estavam deixando a rua, de moto, foram atingidos por um disparo de arma de fogo, segundo a polícia, efetuado pelo policial militar Johnatas Almeida Lima e Lima, da sacada casa dele.

A jovem morreu ainda no local do crime. O namorado, ferido pelo mesmo disparo, foi socorrido e recebeu alta. O caso gerou revolta entre os moradores de Poá, que protestaram e queimaram ônibus na cidade.

A defesa do PM diz que não há recusa da parte dele de comparecer à delegacia para prestar depoimento e que, inclusive, eles foram duas vezes para dar a versão de Johnatas sobre o caso, mas não foram ouvidos. “Contudo até o presente momento, não foi requisitado seu comparecimento, seja na delegacia, seja na justiça”, destaca a nota enviada pelo advogado de defesa, Ronaldo Dias. (veja nota completa abaixo)

O Ministério Público, para onde o inquérito é encaminhado pela Delegacia, informou apenas que as investigações sobre esse caso estão em andamento. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo não encontrou denúncia com o nome do policial.

Esquecimento

A mãe de Brenda, Sueli Maria de Lima, teme que a morte da filha caia no esquecimento. Desde abril, o advogado que cuidava do caso entregou uma carta dizendo que não daria continuidade como representante da família de Brenda. Sem emprego, Sueli diz que não consegue arcar com a contratação de outro advogado e que vai recorrer ao Estado.

“Eu perdi o emprego por causa da morte da minha filha. Eu comecei a apresentar atestados no trabalho, mas não consegui o afastamento. Mesmo com laudos de psicólogos e psiquiatras, mostrando que eu estou em depressão profunda. Mas vou lutar. Eu só sossego quando ver esse policial preso”, ressalta.

Segundo Sueli, até mesmo na delegacia ela não consegue mais informações sobre o andamento das investigações. O que dizem é que a Polícia Civil não consegue ouvir o suspeito do crime. “Eles diziam que mandaram intimação para os advogados, mas ninguém vem”, conta a mãe.

Depois de dois anos, continua aberta investigação de assassinato de jovem por policial militar que atirou da sacada de casa em Poá
Sueli luta por justiça pela morte da filha Brenda, por um policial militar, em Poá. — Foto: Sueli Lima/Arquivo Pessoal

“Eu sei que ele tem tio policial e um monte de gente que corre por ele. O que eu mais quero é ver ele preso. Nada vai trazer a minha filha de volta, mas ele matou a minha filha covardemente. Isso não se faz com ninguém, ainda mais com um inocente. Eu quero que ele pague pelo o que ele fez”

O caso também segue em investigação pela Corregedoria das Polícias do Estado de São Paulo. Logo após o crime, as famílias de Brenda e do namorado, na companhia de um representante do Conselho Estadual do Direito da Pessoa Humana (Condepe), foram ao órgão denunciar que sofriam intimidação dos policiais amigos do suspeito do crime.

O outro lado

As imagens de uma câmera de monitoramento mostraram uma movimentação em torno da casa do policial. No registro, por volta das 22h, é possível ver uma pessoa jogando uma bomba na casa do policial militar. O criminoso usava capuz.

Horas depois, da sacada do imóvel, o policial de 21 anos atirou contra um casal que passava pela rua em uma moto. Em seguida, o policial militar pediu que populares chamassem socorro e a polícia.

Na delegacia, ele disse que estava sendo ameaçado desde que uma operação prendeu suspeitos em um condomínio perto de sua casa. O PM disse que um casal estava rodeando a casa e chegou a ficar sentado num banco, em frente ao imóvel. O policial ainda relatou ter ouvido no mesmo dia gritos de “vai morrer policial cagueta”.

A defesa de Johnatas informou que esteve com ele por duas oportunidades na delegacia de Poá, quando requisitado sua presença. Em uma na data determinada, segundo o advogado, a escrivã que cuidava do caso havia sido transferida, não se sabendo quem seria o responsável pelo inquérito a partir de então, sendo agendado uma nova data.

“Na segunda oportunidade, o escrivão teve um assunto de saúde, segundo nos foi informado, e que não poderia nos atender, e que seria requisitado seu depoimento em data oportunamente agendada. Certo é, que o ora acusado é policial militar, não havendo que se falar em recusa por parte deste em comparecer à delegacia ou a qualquer outro ato judicial, já que sua apresentação é obrigatória, em virtude da sua condição de militar”, destacou a nota enviada por Ronaldo Dias.

A reportagem do G1 questionou a SSP sobre a denúncia da família de que o inquérito policial está parado, por que o policial militar não teria prestado depoimento, e se a Polícia Militar informou ao delegado do caso o endereço do policial, para que ele fosse intimado, bem como se há prazo para a finalização do inquérito, mas não recebeu retorno até o fechamento desta matéria. A secretaria também não respondeu se o suspeito segue trabalhando como policial militar.

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