Refugiados no Alto Tietê usam a internet para matar a saudade e aliviar preocupação com a família durante a pandemia

Refugiados no Alto Tietê usam a internet para matar a saudade e aliviar preocupação com a família durante a pandemia

Com a quarentena, muitas pessoas vêm ficando mais distantes e, ao mesmo tempo, preocupadas com familiares e amigos que não estão por perto. Esse desafio é ainda maior para refugiados que estão no Brasil e que têm parentes em diversas partes do mundo.

Diante da situação atual, os refugiados do Alto Tietê estão apreensivos, mas conseguem matar um pouco da saudade por meio das redes sociais. Entre uma conversa e outra por vídeo, a internet ajuda a aliviar a preocupação de quem está do outro lado da linha, principalmente quando se trata de um familiar que mora em outro país.

O auxiliar administrativo Mahmoud Al Madani se mudou da Síria para o Brasil há quatro anos por conta da guerra no país e desde então está em Mogi das Cruzes, onde mora com a mãe e uma irmã. Em casa, ele conta que vem procurando tomar muitos cuidados.

“Minha mãe tem 65 anos, e minha irmã é cadeirante. As duas na verdade são do grupo de risco, então acabo me preocupando de ficar um pouco longe delas. A gente não fica se reunindo na sala, por exemplo. Fico mais no meu quarto, saio para pegar água e volto. Além disso, como trabalho em hospital, não sei se estou trazendo alguma coisa, porque dizem que é possível pegar o vírus e não apresentar sintomas. Então isso me deixa preocupado”.

Mas a preocupação vai além, já que muitos familiares continuam distantes. “A gente fica com o coração até doendo. Estamos longe faz tempo e só nos vemos pela internet. Com essa pandemia, ficamos preocupados, ligando, mandando mensagem toda hora. Perguntamos se estão bem, falando para ter cuidado, para não conversar com muita gente, não ficar perto, usar máscara. Um fica preocupado com o outro”.

Atualmente, são cerca de 580 refugiados de diferentes lugares do mundo que moram no Alto Tietê. Para ajudá-los, principalmente neste momento em que o mundo vive uma pandemia, uma ONG da região vem realizando várias ações. Segundo dados da ONG, por conta da quarentena, cerca de 50% dos refugiados que estão na região perderam o emprego.

“A ONG se mobilizou para ajudar as pessoas nessa questão do socorro, de alimentos, de arrecadar cestas básicas. Estamos tentando doações de todos os tipos”, explicou Faysa Daoud, presidente da ONG Refúgio Brasil.

Faysa mora no Brasil há cerca de 40 anos e sabe das dificuldades que um refugiado enfrenta ao se instalar em outro país. “A dificuldade que essas pessoas que vieram como refugiadas ou como imigrantes enfrentam é que elas estão espalhadas pelo mundo inteiro. Um membro da família fica em um país, outro membro em outro país. Há uma preocupação maior que os abala, psicologicamente falando”.

Outro exemplo de refugiado no Alto Tietê é o assistente administrativo Nebras Iebech, que se mudou da Síria para o Brasil com os pais. Ele conta que um dos irmãos está na França, além de ter parentes que moram em vários outros países, como Emirados Árabes, Jordânia, Turquia, Arábia Saudita, Estados Unidos, Alemanha e Portugal. Neste período de pandemia, Nebras procura se manter em contato com a maioria dos familiares, também para diminuir a preocupação.

“Na França, meu irmão, se for sair para o mercado, pode sair por uma hora só, e precisa ter uma justificativa do porquê está saindo. E pode ficar um quilômetro longe de casa, por exemplo. Na Turquia a mesma coisa. Não tem mais banco para sentar na rua, a polícia está na rua em todo lugar. Na Arábia Saudita é a mesma coisa, nos Emirados Árabes está tudo fechado”.

Quem quiser ajudar a ONG Refúgio Brasil com a doação de alimentos pode entrar em contato por meio do telefone (11) 95952.0016.

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