Produtor de mel de Santa Isabel afirma que produção está menor por causa de incêndios

Ele diz que abelhas mudam comportamento com queimadas. De janeiro a setembro, o Alto Tietê já ultrapassou o número de queimadas de todo ano de 2019.

No acumulado de janeiro até setembro de 2020, o Alto Tietê já ultrapassou o número de queimadas de todo o ano passado. Além do tempo seco, o agravante em muitos casos são incêndios provocados pela ação humana.

O fogo descontrolado traz desequilíbrio para a natureza e, prova disso, são os impactos na produção de mel e no trabalho de polinização das abelhas na região.

Adolfo Garner é apicultor em Santa Isabel. Ele sabe que para cada gotinha de mel ser produzida, a natureza precisa estar em equilíbrio.

Um incêndio deixou um morro queimado que fica próximo das 20 colmeias de Garner. Segundo o produtor de mel, o fogo começou depois que um balão caiu. Em pouco tempo , as chamas se alastraram.

Garner explica que este ano as queimadas na região têm sido mais frequentes. A preocupação é grande, já que o trabalho das abelhas é afetado.

“A abelha, ela muda totalmente o comportamento dela quando você tem queimadas, tem presença de fumaça. Ela tem rotina dentro da colmeia. Se sente presença da fumaça, ela praticamente para de ir ao campo para coletar néctar, coletar pólen e própolis e isso afeta o desenvolvimento da colmeia”, afirma Garner.

O mês de setembro, de acordo com o Corpo de Bombeiros, já superou agosto em número de queimadas no Alto Tietê. Comparado ao ano anterior, o número total de casos até o dia 13 de setembro foi de 616 na região. No ano passado inteiro foram 578 queimadas.

Os impactos desse desequilíbrio ambiental já são sentidos pelo criador de abelhas. Em uma florada boa, uma vez por ano, cada colmeia de Garner produz 50 quilos de mel. Desde que começou a estiagem, em abril, até agora, o sítio teve uma queda de 30% na produção de mel e própolis.

As queimadas contribuíram para isso. Em setembro, por exemplo, por causa da pouca quantidade, o apicultor disse, que nem conseguiu colher mel.

“O mel silvestre vem na sequência de uma época seca e quando queima antes vai ter quebra na produção desse mel onde houve excesso de queimada. Tivemos necessidade de suprir o mercado de própolis, de extrato de própolis. Simplesmente acabou o própolis no mercado. Não conseguimos vencer a produção de acordo com a necessidade do mercado. Se tivéssemos condição normal da vegetação poder se desenvolver nos teríamos a matéria-prima que abelha coleta o própolis e leva para a colmeia para aumentar a produção do própolis.”

Sem a polinização das abelhas, não é só o mel que pode faltar. As espécies nativas na natureza também ficam comprometidas.

“O grande problema tanto do desmatamento é que além de acabar com espécies de animais e vegetais. Acaba com o solo. Acabando com espécies vegetais acaba com os recursos para as abelhas, principalmente aquelas que são as abelhas nativas, que são espécies, digamos, mais sensíveis as modificações. Tanto que elas são consideradas bioindicadoras de qualidade ambiental pelo fato delas serem mais sensíveis. Se você acaba com o recurso daquelas abelhas, elas consequentemente não vão sobreviver e se não sobreviverem não vai haver a polinização de certas culturas vegetais. E vai afetar os animais herbívoros, os carnívoros e de uma certa forma vai chegar na gente, os seres humanos”, aponta a bióloga Samantha Marx de Castro.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, todos podem ajudar, com ações como: não atear fogo para limpeza de terrenos, lixo ou resto de podas de árvores. E para quem fuma, apagar o cigarro e descartar a bituca em local adequado. Outra recomendação é que ao identificar um incêndio, procure um local seguro, distante do fogo e da fumaça e, depois, ligue para o 193 e indique o local exato do incêndio, se possível, com pontos de referência.

Nesta quarta-feira (30), a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Agropecuário de Santa Isabel informou que investe em campanhas digitais e na criação de peças visuais, divulgadas nas redes sociais oficiais do município e na imprensa local, a fim de contribuir para a diminuição do índice de queimadas.

Ainda segundo a Prefeitura, os fiscais diariamente exercem um papel de conscientização, orientam a população durante as ações de vigilância a respeito dos fatores de risco causados pelas queimadas causadas pela ação do homem, o que quando há intenção, é considerado crime. A pena pode ser de prisão de seis meses a oito anos, além de multa.

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