Polícia ouve suspeito de agressão a travesti em Suzano

Segundo a Polícia Civil, o segundo suspeito é procurado e vítima ainda não foi ouvida. Travesti foi espancada quando voltava de supermercado no domingo de carnaval.

A Polícia Civil de Suzano ouviu nesta terça-feira (3) um dos suspeitos de espancar uma travesti durante o carnaval no Parque Maria Helena. Detalhes sobre a identidade do homem ainda não foram divulgados e o segundo suspeito, por enquanto, não foi localizado. A vítima foi arrastada pelos cabelos e levou várias pauladas.

A Polícia Militar chegou a ser acionada no dia do crime, mas o inquérito foi aberto apenas nesta segunda-feira (2), depois da repercussão nas redes sociais de um vídeo gravado no momento da agressão . Os suspeitos respondem por lesão corporal de natureza grave e prática de discriminação.

Em nota a PM informou que não encontrou nada quando chegou ao local, mas que voltou em seguida, conversou com a vítima e a orientou a registrar um boletim de ocorrência.

A travesti, no entanto, diz que, embora estivesse extremamente machucada, ouviu dos policiais que “não houve ocorrência”.

A agressão

A agressão ocorreu na Rua Benedito Faria Marques Filho. Em entrevista ao G1 a vítima contou que estava a caminho de um supermercado, por volta das 15h, quando começou a ouvir comentários preconceituosos dos agressores.

Ela diz que, a princípio, ignorou e foi às compras. Quando voltou, encontrou os agressores em frente a uma farmácia, na mesma rua, e voltou a ouvir xingamentos. A travesti decidiu enfrentá-los e atacou um deles. Em determinado momento, o outro surgiu com um pedaço de madeira e a agrediu.

“Aquelas provocações que as pessoas gostam de fazer com a gente que é trans. Eu respondi aos xingamentos. A gente discutiu”, comenta. “Discuti, realmente. Quando eu fui para cima do primeiro, de azul, o branco, o outro, já veio com a madeira”.

Ela teve escoriações em todo o corpo, incluindo cortes na perna, na cabeça e no ombro. Em seguida, foi para casa e pediu ajuda às amigas. A travesti relata que chegou a receber uma visita de policiais, que coletaram o depoimento dela, mas que não tomaram nenhuma providência.

“Eles vieram. Estavam em dois. Perguntaram nome, nome de pai, nome de mãe, de onde é, de onde não é, como foi, como não foi. Anotaram em papel e foi dito que não houve ocorrência”, diz.

“É difícil a situação. Eu ia deixar para lá, mas como o caso repercutiu, agora eu vou adiante. Eu sou leiga do assunto. Achei ‘é mais uma travesti agredida, é mais um caso de agressão que não dá em nada porque a polícia faz pouco caso’. É só mais uma que morre. A gente só é vista quando a gente é a marginal na história”, lamenta.

“Eles me bateram até cansar. Ninguém fez nada. Ninguém faz nada e por isso mesmo fica. Graças a Deus eu estou viva”, desabafa. “É difícil a situação. Eu ia deixar para lá, mas como o caso repercutiu, agora eu vou adiante”.

Em nota a Polícia Militar informou que recebeu um chamado para o local, mas que, quando a equipe chegou, não encontrou nada. Ainda segundo a PM, em seguida, uma testemunha ligou novamente e avisou os policiais que tinha socorrido a vítima ao hospital.

Segundo a PM, a viatura retornou e orientou sobre o registro do boletim de ocorrência na delegacia. Os policiais militares também elaboraram um boletim a respeito dos fatos.



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