Três dos municípios do Alto Tietê não contam com leitos de terapia intensiva

Esses leitos são essenciais para pacientes graves da Covid-19. Biritiba Mirim enfrenta coronavírus sem hospital e sem leitos para internação.

Embora todos os municípios do Alto Tietê tenham casos confirmados do novo coronavírus (Covid-19), três não contam com leitos de terapia intensiva (UTIs), que são essenciais para pacientes graves da doença.

A situação é ainda pior em Biritiba Mirim, que não tem hospitais e, sequer, leitos de internação. Com o avanço rápido da doença, a situação preocupa alguns moradores, enquanto outros tentam levar a rotina como se não houvesse risco.

Sem leitos e sem medo

Ruas vazias e comércio fechado no centro de Biritiba. Na cidade com pouco mais de 32 mil habitantes, segundo a estimativa mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), quase não se vê gente circulando. Tem sido assim desde o início da quarentena decretada pelo Governo do Estado.

Até esta terça-feira (21) a cidade tinha apenas um caso confirmado do novo coronavírus. O número ainda baixo não deveria ser motivo pra menosprezar as recomendações das autoridades de saúde. No entanto, tem gente que está despreocupada.

O aposentado José do Carmo Campanholi tem 66 anos, faz parte do grupo de risco e, mesmo assim, resolveu sair de casa. Ele conta que foi buscar o saque do auxílio emergencial oferecido pelo Governo Federal e, mesmo tendo familiares que poderiam ajudá-lo, preferiu resolver sozinho.

“Eu gosto de sair um pouco também, né? Ficar em casa não dá direto. Não tem como ter medo. Se tiver que pegar, vai pegar. Aqui ou em casa, em qualquer lugar”, comenta Campanholi.

Das cidades do Alto Tietê, três não possuem leitos de terapia intensiva (UTI), nem na rede pública e nem na privada. São elas Salesópolis, Poá e Biritiba Mirim. As UTIs são importantes porque têm a estrutura necessária para atender casos graves do Covid-19.

Em Biritiba a situação é ainda pior, porque não só faltam leitos intensivos, como também hospitais. A cidade não tem um único sequer.

Aos oito meses de gravidez, a moradora Maria Raimunda também diz que não vê motivo para preocupação. “Eu estou tranquila, totalmente tranquila. Eu fico até me perguntando e falo: ‘meu Deus, é como se não tivesse acontecendo nada’. A gente só não sai mesmo em respeito às leis que tem que estar se guardando. Mas, assim, estou muito tranquila”.

Como não há hospitais no município, qualquer pessoa que precisa de cuidados médicos é encaminhada ao Pronto Atendimento da cidade, que faz apenas os primeiros socorros.

Pacientes mais graves, como os da Covid-19, são transferidos para hospitais de cidades vizinhas. No caso de Biritiba Mirim, por exemplo, o hospital mais próximo fica em Mogi das Cruzes, a 30 quilômetros de distância.

As outras duas cidades da região onde não há leitos de UTI são Salesópolis e Poá. A primeira conta apenas com a Santa Casa, capaz de atender casos leves. Poá, por sua vez, possui o Hospital Municipal Guido Guida, onde só há leitos de emergência e observação.

A cidade também planeja entregar em breve um hospital de campanha que deve receber pessoas com o novo coronavírus. Mesmo assim, em casos mais graves, o paciente vai ter que ser transferido para outras cidades.

Leitos no Alto Tietê

Um levantamento exclusivo da TV Diário, baseado em dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, mostra que, juntas, as outras sete cidades da região somam 273 leitos de terapia intensiva.

Esse número inclui UTIs para adultos, pediátricas, neonatais e ainda as específicas para Covid-19. Mogi das Cruzes é o município com maior oferta de leitos no Alto Tietê. Ao todo, a cidade possui 150 e responde por 55% do total.

Em seguida vem Suzano, com 38 leitos de UTI, Ferraz de Vasconcelos, com 37, Itaquaquecetuba, com 20. Em Arujá são 18, Santa Isabel oito e, na cidade de Guararema, dois.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Guararema disse que, além desses dois, que ficam na Santa Casa, também reservou outros nove por meio de um contrato firmado com um hospital particular de Suzano.

A administração municipal disse também que, na semana passada, inaugurou o Centro Dedicado de Atendimento ao Novo Coronavírus, que não tem leitos de UTI, mas oferece a observação e estabilização de pessoas com sintomas da doença até que haja a transferência, nos casos mais graves.

Desde o ano passado, Guararema também está construindo um hospital municipal, o que deve ampliar a oferta de leitos na cidade. No entanto, como a obra começou há menos de um ano, a previsão é de que ela só fique pronta em 2021. O custo total é de R$ 18 milhões.

Em entrevista à TV Globo, no mês passado, o coordenador do Centro De Contingência do Novo Coronavírus no Estado de São Paulo, David Uip, disse que nem todos os municípios precisam de UTIs, já que cidades maiores conseguem absorver os pacientes. Ele afirma, no entanto, que diante do avanço rápido da Covid-19, o número de leitos é insuficiente.

Os leitos de terapia intensiva (UTIs) são essenciais para pacientes graves da doença. “Nós estamos planejando uma internação mínima de 15 dias em ambiente de UTI. Então fazendo um cenário de número de pacientes, versus números de leitos, versus número de internações, nós entendemos que para esses primeiros meses nós precisamos de mais 1,4 mil leitos”, diz Uip.

Comentários

mood_bad
  • Ainda não há comentários.
  • Adicionar um comentário