Guararema mantém área preservada para refúgio do bicudinho-do-brejo-paulista

Guararema mantém área preservada para refúgio do bicudinho-do-brejo-paulista

Projeto ‘Refúgio de vida silvestre do Bicudinho’ é uma parceria entre a Prefeitura e ONGs. Espécie foi encontrada na região em 2004 e entrou para a lista dos pássaros brasileiros, mas está ameaçada de extinção.

Organizações não governamentais e a Prefeitura de Guararema se uniram no projeto “Refúgio de vida silvestre do bicudinho” a fim de preservar os recursos hídricos da fauna e da flora da bacia do Ribeirão Putim, uma unidade de conservação totalmente dedicada a proteger o bicudinho-do-brejo-paulista – pássaro ameaçado de extinção e que é encontrado apenas em Guararema e Mogi das Cruzes.

Os dois brejos destinados à preservação do pássaro estão em uma área equivalente a mais de 2 mil campos de futebol. Foi lá que o bicudinho-do-brejo-paulista foi visto pela primeira vez em 2004, mas só 10 anos depois ele foi incluído na lista de aves brasileiras, no entanto, já criticamente ameaçado de extinção.

O assessor da Secretaria de Meio Ambiente, Ricardo Moscatelli, conta que enxergou a possibilidade de proteger a ave e a área. “Mas principalmente os recursos hídricos, que a gente também já pensava em proteger. A gente começou a desenhar e desenvolver diversos estudos. A Save contratou empresas para fazer levantamento fundiário, a Prefeitura também e fomos fazendo estudos para formar a área de refúgio silvestre”, explica.

A coordenadora da Save Brasil, Karlla Barbosa, conta que a pesquisa teve início em 2017, a fim de descobrir quantos indivíduos existiam na região, como estava essa população e também o tipo de ambiente. “A partir daí criamos a proposta de proteger a área e criar a unidade de conservação”, pontua.

O pássaro mede cerca de 15 centímetros. Bastante territorialista, está sempre em casal e, como vive no meio do capim, é difícil de encontrá-lo.

“Pelo nosso Censo, acreditamos que nesse pedacinho sejam aproximadamente 14 casais mais quatro casais na lagoa nova que é um outro brejo. No total, a gente não chega a 20 casais pra uma área que parece ser imensa, mas não é, para essa espécie que costuma ocupar meio hectare cada casal”, detalha Karlla.

O observador de pássaros Mauro Souza explica um pouco o comportamento do bicudinho. Ele diz que geralmente fica escondido no brejo, não costuma ficar em árvores maiores, como no dia da visita. “Não sei o que está causando esse comportamento, se tem muita gente vindo aqui e isso está estressando ele, agora também é época de procriação, mas ele apresentou um comportamento diferente”, diz.

Para proteger a espécie, parte da área não está aberta os visitantes ou observadores de pássaros. Só pessoas ligadas ao projeto têm acesso.

Marcos Grangeiro é presidente da ONG Guaranature. A instituição é conhecida no município pelo trabalho de preservação ambiental. No projeto “Refúgio de vida silvestre do Bicudinho”, é do grupo a responsabilidade de buscar recursos para a recuperação e proteção do espaço, além de promover ações de conscientização.

“Tem que ter cuidado com essa abertura, e isso é feito paulatinamente. Muita gente pode estressar o anima. Então, ao invés de ajudar, a gente acaba prejudicando. No futuro, sim, mas isso vai ter que resolver algumas regras, os ornitólogos, o pessoal da Prefeitura e meio ambiente, para não causar um dano ambiental e perder a oportunidade de ver um animal tão raro”, disse.

O papel da Guaranature, segundo o presidente, é conscientizar os moradores local. Sensibilizar eles para se sentirem pertencentes ao projeto. “É estranho você chegar e isolar uma área de pessoas que já estão aqui há tantos anos. Nós fizemos o envolvimento da comunidade” detalha.

No local, é possível encontrar outras espécies que também estão ameaçadas de extinção. “Nós temos o macaquinho que também vive na mata, então na mata do fundo, então a gente juntou esforços com todo mundo principalmente com o apoio da fundação florestal.

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