'Se eles tivessem feito algo de errado, com certeza já teriam todos os laudos', diz viúva de inocente morto com o amigo há um mês em Itaquaquecetuba

‘Se eles tivessem feito algo de errado, com certeza já teriam todos os laudos’, diz viúva de inocente morto com o amigo há um mês em Itaquaquecetuba

Rodinei Alves dos Reis, de 31 anos, foi assassinado com um amigo quando pararam para abastecer em um posto de combustíveis de Itaquaquecetuba, há um mês. Viúva reclama da demora da polícia em dar respostas para o caso. Polícia Civil informou que espera laudos para adotar as medidas cabíveis.

“Se eles tivessem feito algo de errado, com certeza já teriam todos os laudos”. A fala é de Luciana Oliveira Alves, de 27 anos, que perdeu o marido Rodinei Alves dos Reis, assassinado com um amigo em um posto de combustíveis de Itaquaquecetuba. Ela ainda critica a demora na investigação.

O caso completa um mês nesta terça-feira (12) e, até então, a informação que ela diz ter recebido da Polícia Civil é a de que espera os laudos da perícia para adotar alguma medida. O mesmo informou a Secretaria de Estado de Segurança Pública ao G1.

O caso aconteceu em um posto de combustíveis no km 45 da rodovia Ayrton Senna, em Itaquaquecetuba. Durante um assalto a dois guardas municipais de Itapecerica da Serra, eles trocaram tiros com os dois suspeitos, que fugiram. Rodinei, de 33 anos, o amigo Bruno Nascimento Souza, de 32 anos, e namorada de um dos GCM, Roberta Maria de Franca, de 35 anos, foram baleados na troca de tiros e morreram.

Rodinei, Bruno e Kaue Oliveira Francisco, de 21 anos, chegaram a ser apontados como suspeitos de atuar junto com os dois assaltantes. Um vídeo do circuito interno do posto registrou a dinâmica dos fatos e ajudou a inocentar o trio. Kaue, o único sobrevivente do carro, chegou a ficar preso por quatro dias.

A Prefeitura de Itapecerica da Serra informou que Emanuel Formagio, de 39 anos, e Adriano Borges Rodrigues, de 41 anos, foram afastados do cargo de guarda municipal. A administração municipal instaurou pela portaria 1069/19 uma sindicância para apurar os fatos, e que está em andamento.

Ainda de acordo com a prefeitura, os GCMs não estão com a posse de armas. O advogado que defende os dois guardas disse nesta segunda-feira (11),

Até esta segunda-feira (11), Luciana disse ainda não ter recebido nenhum chamado da polícia para ser ouvida ou para esclarecerem os fatos a ela.

“A advogada ainda não teve acesso ao depoimento completo dos guardas, mas por um trecho que eu vi, ele [guarda] disse que no momento pensou que os assaltantes tinham saído de dentro do carro [do Rodinei], e que foi um equívoco ter atirado neles. Tiraram a vida do meu marido por um equívoco”, pontua.

Segundo Luciana, a advogada contratada pela família disse que o prazo para encerrar o inquérito policial é 15 de novembro.

“Eu acredito que já poderia ter resolvido, está muito lento, de verdade. Eu não tive resposta nenhuma até hoje. Eu não sei se ele vai pedir a prisão dos guardas, como que ele vai indiciar. Nós da família estamos indignados. Ontem à noite a minha filha estava querendo saber do pai dela. Ela queria ele para levar ela ao balé.”

Rodinei trabalhava como operador de empilhadeira e, aos finais de semana, vendia sorvete e água em eventos. Ele dormia cerca de quatro horas por noite. No dia em que morreu, estava voltando do Santuário de Aparecida, onde tinha ido vender com os amigos. O esforço, segundo a mulher, era para realizar o sonho de ter uma espaço de churros gourmet.

A data de inauguração estava marcada para 1º de novembro. Depois da morte de Rodinei, Luciana precisou cuidar sozinha da documentação do caso e atrasou na abertura, que deve ser realizada até o final deste mês. “Já estava tudo comprado, o salão alugado, e era tudo o que ele queria. Eu vou tocar sem ele”, conta.

O caso segue em investigação pelo Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes. A autoridade policial aguarda o resultado dos laudos periciais que estão em andamento. As investigações demandam sigilo nas informações para não atrapalhar o andamento.

O caso

Dois guardas municipais de Itapecerica da Serra voltavam de Aparecida junto com as companheiras, de motocicleta, e fizeram uma parada no posto de combustíveis na altura do km 45 da rodovia Ayrton Senna. Os quatro foram abordados por dois criminosos.

Na versão de um dos guardas, a moto já havia sido entregue quando um dos suspeitos disparou. Ele afirmou que houve troca de tiros e a namorada de um deles, a enfermeira Roberta Maria de Franca, de 35 anos, foi baleada e morreu ainda no local.

No carro que abastecia na bomba de combustíveis ao lado de onde tudo aconteceu estavam os ambulantes Rodinei, Bruno e Kaue. Os três foram baleados, mas só Kaue sobreviveu. Ele chegou a ser apontado como suspeito, ficou preso por quatro dias, mas depois da divulgação de um vídeo ele foi inocentado.

No mesmo dia do crime, Caio Jorge Marques, de 20 anos, foi preso após procurar atendimento médico na Santa Casa de Suzano, com um tiro no pé. Segundo a Polícia, ele foi reconhecido como um dos suspeitos.

O caso foi registrado como roubo seguido de morte. A motocicleta roubada de um dos guardas foi encontrada na região do 50º DP, em Itaim Paulista.



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