Júri dos quatro acusados de participar de sequestro, tortura e morte do PM de Lucca é retomado em Suzano

Júri dos quatro acusados de participar de sequestro, tortura e morte do PM de Lucca é retomado em Suzano

Expectativa do TJ-SP é de que o júri, que começou nesta quarta-feira (5), dure até três dias. Ao menos 22 testemunhas devem ser ouvidas. Três dos quatro acusados do crime estão presos.

O júri popular dos quatro homens acusados de sequestrar, torturar e matar o policial militar Rodrigo de Lucca, de 28 anos, em junho de 2014, foi retomado por volta das 10h20, desta quinta-feira (6), no Fórum de Suzano.

O julgamento teve início na quarta-feira (5), às 14h, e foi suspenso a noite. A expectativa é de que o júri dure três dias.

A vítima morava em Mogi das Cruzes e o corpo foi encontrado em Suzano. O policial desapareceu no dia 20 de junho, quando chegava em casa, no Parque Monte Líbano, em Mogi. O corpo foi encontrado com marcas de tiros no dia 24 de junho em um terreno às margens da Rodovia Índio Tibiriça, em Suzano, só no dia 24.

Nesta quinta-feira, o júri começou com o depoimento de testemunhas convocadas pela defesa dos réus. Depois, os acusados começaram a ser ouvidos.

São acusados: Demerson Andrade de Carvalho, Deivis Willian da Silva, Antonio Monteiro da Silva Neto e Israel Xavier Candeas. Com exceção de Candeas, todos os outros estão presos pelo crime. Já Candeas está preso por outro processo, segundo o TJ-SP.

Eles respondem por roubo qualificado (com grave ameaça e por terem agido em duas ou mais pessoas), extorsão, sequestro, homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, tortura ou meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) e associação criminosa.

Demerson Andrade de Carvalho e Deivis Willian da Silva foram ouvidos durante a manhã desta quinta-feira. Carvalho foi acusado pela promotoria de apresentar mais de uma versão para o crime.

O acusado e o advogado alegam que isso aconteceu porque ele foi agredido por policiais na delegacia no dia da prisão. O depoimento terminou às 11h35.

Deivis Willian da Silva foi ouvido em seguida. O júri parou para o almoço por volta das 14h e foi retomado às 16h.

O primeiro a falar depois da pausa foi o promotor de justiça. Ele apresentou provas do processo para o júri popular, e disse que os quatro réus participaram de alguma parte do crime.

Em seguida, os advogados de acusação falaram. No fim do segundo dia, quatro advogados de defesa iriam falar.

Ainda de acordo com o Tribunal de Justiça, durante todo o júri, 22 pessoas devem ser ouvidas, sendo 16 testemunhas em comum e seis testemunhas de defesa. Parentes das vítimas, do réu e estudantes de direito foram acompanhar o júri.

A sessão na quarta-feira começou com a fala da mãe do policial. Vânia de Lucca respondeu aos questionamentos do juiz, promotor, assistente e advogados.

Ela disse que não conseguiu colocar uma testemunha importante no inquérito, uma pessoa que teria dito que viu um dos réus rondando a casa dela dias antes do crime. Ela afirmou que essa testemunha, que prestou depoimento e teria visto esse réu, já morreu. Para a família da vítima, a morte do policial foi premeditada.

O delegado Alexandre Batalha foi o segundo a falar. Ele comentou como chegaram aos presos e disse que os réus foram cometer um assalto e, quando perceberam que era um policial militar, resolveram matar.

Parte de júri aconteceu no escuro, porque a energia do prédio acabou por causa da chuva.

O caso

O policial militar Rodrigo de Lucca Fonseca desapareceu no dia 20 de junho de 2014. No dia seguinte, policiais que estavam em patrulhamento no Parque Maria Helena foram avisados por crianças do bairro sobre um carro caído em um córrego. Após a retirada da água, na madrugada de domingo, o veículo foi identificado como sendo o que o policial de Mogi estava quando foi sequestrado.

O corpo do policial foi encontrado com marcas de tiros no dia 24 de junho em um terreno às margens da antiga Estrada Índio Tibiriça, em Suzano.

De Lucca foi enterrado no dia seguinte. A polícia prendeu no mesmo dia o primeiro suspeito de participar do sequestro e morte do PM. Outros dois foram presos logo depois.

Defesa

Dário Resigner é advogado de Israel. Ele diz que o cliente se declara inocente desde o início do processo, inclusive o juiz entendeu que não há indícios da participação dele no crime. “Ele foi o único que não teve a prisão decretada, porque não existem provas”, afirma.

Deivis William é defendido pelo advogado Isaias Neves de Macedo. Ele informou ao G1 que ainda não iria se manifestar sobre o caso, porque precisaria falar com o cliente antes.

Rafael Fernandes dos Santos é advogado de Demerson. Ele disse que vai mostrar durante o júri que o que está nos autos é que o cliente foi forçado a prestar um depoimento na delegacia. “Inclusive, consta nos autos no depoimento que ele foi agredido lá. Nós tentamos explorar mais a respeito disso. No tocante as interceptações telefônicas, porque me parece que houve uma conversa deles antes da suposta prática do crime”, disse.

A reportagem não conseguiu contato com o advogado de Antonio.

Tags:
Fazer um comentário
Comentário
Nome
E-mail