Quatro homens vão a júri nesta quarta em Suzano sob a acusação de matar o policial militar Rodrigo de Lucca

Quatro homens vão a júri nesta quarta em Suzano sob a acusação de matar o policial militar Rodrigo de Lucca

Soldado foi sequestrado, torturado e morto em junho de 2014, quando chegava em casa, em Mogi das Cruzes. O corpo foi encontrado às margens de uma rodovia, em Suzano. Expectativa é de que júri dure até três dias.

Quatro homens vão a júri popular no Fórum de Suzano pela morte do policial militar Rodrigo de Lucca, de 28 anos, em 2014. O julgamento deve começar às 13h, desta quarta-feira (5). A previsão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) é que o júri se estenda por três dias.

O policial foi sequestrado, torturado e morto em junho de 2014. Ele desapareceu no dia 20, quando chegava em casa, no Parque Monte Líbano, em Mogi das Cruzes. O corpo foi encontrado com marcas de tiros no dia 24 de junho em um terreno às margens da Rodovia Índio Tibiriça, em Suzano

São acusados Demerson Andrade de Carvalho, Deivis Willian da Silva, Antonio Monteiro da Silva Neto e Israel Xavier Candeas. Com exceção de Candeas, todos os outros estão presos pelo crime. Já Xavier, está preso por outro processo, segundo o TJ-SP.

Eles respondem por roubo qualificado (com grave ameaça e por terem agido em duas ou mais pessoas), extorsão, sequestro, homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, tortura ou meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) e associação criminosa.

Ainda de acordo com o Tribunal de Justiça, 22 pessoas devem ser ouvidas, sendo 16 testemunhas em comum e seis testemunhas de defesa.

O caso

O policial militar Rodrigo de Lucca Fonseca desapareceu no dia 20 de junho de 2014. No dia seguinte, policiais que estavam em patrulhamento no Parque Maria Helena foram avisados por crianças do bairro sobre um carro caído em um córrego. Após a retirada da água, na madrugada de domingo, o veículo foi identificado como sendo o que o policial de Mogi estava quando foi sequestrado.

O corpo do policial foi encontrado com marcas de tiros no dia 24 de junho em um terreno às margens da antiga Estrada Índio Tibiriça, em Suzano.

De Lucca foi enterrado no dia seguinte. A polícia prendeu no mesmo dia o primeiro suspeito de participar do sequestro e morte do PM. O homem foi encontrado no bairro de Calmon Viana, em Poá. Segundo a polícia, o suspeito afirmou neste dia que tinham feito um churrasco para comemorar a morte do policial.

Mais tarde, no dia 1º de julho, a Polícia Civil informou que dois homens foram mortos após reagir a uma abordagem da Força Tática de Suzano. A suspeita é que os dois teriam envolvimento na morte do soldado de Lucca. Os outros três foram presos no decorrer das investigações.

Razão da vida

A mãe do policial, Vania de Lucca, diz que com a morte do filho levaram o que ela tinha de mais precioso. “Quem perde a razão de viver, imagina como é que vive. O que eu tinha de mais valor na minha vida levaram”, conta.

Vania diz não acreditar na tese dos criminosos de que iriam praticar apenas um roubo, e acabaram matando o suspeito quando descobriram que ele era policial militar.

“Como foi dito que eles vieram de trem. Se desceram em Mogi, quantos carros eles tinham pela frente até chegar à minha casa? E se desceram na Estudantes, quantos carros eles teriam? Se quisessem roubar, teriam roubado. Mas eles sequestraram e torturaram ele por quatro dias”, ressalta.

Ela se diz ainda indignada com a crueldade com que o filho foi morto. “Eu quero a justiça, quero saber o por que levaram o meu filho, por que ele ficou no cativeiro. Eu quero saber qual foi a maldade que o meu filho fez para isso. Ele sempre foi uma boa pessoa”, enfatiza.

A defesa

Dário Resigner é advogado de Israel. Ele diz que o cliente se declara inocente desde o início do processo, inclusive o juiz entendeu que não há indícios da participação dele no crime. “Ele foi o único que não teve a prisão decretada, porque não existem provas”, afirma.

Deivis William é defendido pelo advogado Isaias Neves de Macedo. Ele informou ao G1 que ainda não iria se manifestar sobre o caso, porque precisaria falar com o cliente antes.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos outros réus.


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