‘Ele saiu para arrumar o pão de cada dia e terminou nessa tragédia’, diz irmã de homem que morreu soterrado em obra

‘Ele saiu para arrumar o pão de cada dia e terminou nessa tragédia’, diz irmã de homem que morreu soterrado em obra

Cícero Gomes da Silva, de 41 anos, era trabalhador informal em obra perto do açude de Apipucos, na Zona Norte do Recife. Ele foi enterrado em Chã Grande nesta quarta-feira (28).

“Ele saiu para arrumar o pão de cada dia e terminou nessa tragédia.” Essa declaração é de Maria Rejane da Silva, irmã de Cícero Gomes da Silva, que morreu soterrado durante o trabalho em uma obra em Apipucos, na Zona Norte do Recife, na segunda-feira (26). O corpo do homem de 41 anos foi enterrado no município de Chã Grande, na Zona da Mata, nesta quarta-feira (28) 

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar a morte do trabalhador, que era um funcionário informal, sem ter a carteira de trabalho assinada ou outros direitos, como passagem de ônibus.

“Cícero era um homem trabalhador, honesto, humilde, cidadão. Não tinha envolvimento com nada, era batalhador para ter as coisas, para crescer na vida. Não tinha trabalho ruim para ele”, contou Rejane.

Ele deixou uma filha de dez anos. “A gente nunca vai esquecer essa falta. Foi um pedaço que a gente perdeu e não volta mais. A gente vai querer justiça, não tanto pela morte dele, mas por quem ainda está trabalhando lá”, declarou a irmã de Cícero.

“O sentimento que hoje eu sinto por ele é saudade e lembrança e muita dor, porque foi uma morte que não tem como esquecer”, afirmou Rejane.

Investigação

“O sentimento que hoje eu sinto por ele é saudade e lembrança e muita dor, porque foi uma morte que não tem como esquecer”, afirmou Rejane.

Segundo a Polícia Civil, a obra era de fundação de uma casa nas proximidades do açude de Apipucos e não tinha alicerces fundamentais para a execução de aterramento. Os funcionários que atuavam no local também não trabalhavam com equipamentos de proteção individual, apontou a investigação inicial (veja vídeo acima).

O delegado Vinícius Notari, responsável pela investigação do caso, ouviu oito funcionários da obra localizada perto do açude de Apipucos. De acordo com a polícia, os trabalhadores disseram, em depoimento, que recebiam R$ 350 por semana.

Ao chegar no local do acidente, o delegado disse que não encontrou a placa com o nome do responsável técnico da obra. Após receber a informação de que a placa havia sido retirada do local, a polícia identificou quem fez o recolhimento e uma engenheira responsável pelo trabalho, que deve ser ouvida pela corporação.

Acidente

O deslizamento aconteceu na Rua Antônio Batista de Souza. Cícero estava realizando um serviço de fundação do imóvel, perto do muro de contenção, quando o paredão de terra caiu sobre o trabalhador, por volta das 14h da segunda-feira (26). Os bombeiros conseguiram retirar o corpo do local após as 20h.

Segundo a prefeitura do Recife, a obra foi embargada por falta de estrutura. De acordo com a Diretoria de Controle Urbano (Dircon), não havia itens de segurança para os operários, além de outros problemas, como ausência de estruturas de contenção.

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