Agente da Guarda Civil de Mogi relata momentos tristes no trabalho de combate à Covid-19

Agente da Guarda Civil de Mogi relata momentos tristes no trabalho de combate à Covid-19

Conter os parentes de vítimas da doença estão entre os momentos mais difíceis vivenciados por Gabriela Avelar nos dez meses em que o novo coronavírus circula pela região.

Quando entrou na Guarda Municipal há 12 anos, Gabriela Maria Barbosa Avelar, 40 anos, sabia que entre as missões da atividade teria que garantir o cumprimento das leis, sobretudo de proteção à vida. Mas não imaginou que iria ficar na linha de frente do combate a um inimigo invisível: o novo coronavírus.

Já são mais de dez meses atuando em Mogi das Cruzes para coibir aglomerações e também para conter as pessoas que se desesperam frente aos desfechos da Covid-19. Nesta terça-feira (26), o Alto Tietê chegou 2 mil mortes pela doença.

Gabriela lembra ter ouvido sobre o novo coronavírus na televisão. Era perto do carnaval de 2020 e falavam dos primeiros casos saindo da China e circulando por outros países. Na ocasião, pensou tratar-se de algum tipo de gripe mas que não causaria tantas mortes. A ficha foi caindo quando a doença começou a fazer cada vez mais vítimas fatais, chegou ao Brasil e mudou também a sua rotina.

“Foram feitas várias orientações juntamente com as pessoas da Secretaria de Saúde. Nos foram disponibilizados os kits de máscara, para que a gente evitasse também o contágio e a abordagem só se fosse necessário”, conta.

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A adaptação no começo foi complicada, conta Gabriela, porque demandou a mudança nos costumes e uma reprogramação do modo de agir. Os profissionais que tinham alguma doença pré-existente foram afastados da atividade, enquanto todos os outros entraram em uma nova atividade da linha de frente. E como um soldado que fica à frente durante uma batalha, Gabriela também se contaminou.

“Eu sentia muita dor de cabeça e falta de ar, uma tosse mais carregada e, indo ao médico, eu fiz a tomografia que constou o princípio de pneumonia. Tive ainda os sintomas de dor nas costas, paladar, dificuldade de fazer um exercício foi bem difícil, mas com o tempo eu e muitos colegas nos recuperamos bem. Eu não cheguei a ficar internada, mas são dias bem difíceis de medo e incerteza”, conta.

Mas foi nas ruas que Gabriela viveu as maiores tristezas. Ela conta que ver as pessoas se aglomerando, enquanto sabia que muitas outras estavam morrendo em decorrência do vírus, foi bastante desafiador. As denúncias vieram dos mais distintos pontos da cidade, e ela ia para orientar as pessoas sobre o risco que ela estava causando para a própria vida e também dos demais com quem ela convivia.

“Várias vezes, o paciente é socorrido e levado ao hospital, e os parentes desse paciente ficam revoltados, pelo medo do que pode acontecer. Então a gente é chamado para conter e acaba participando dessa tristeza da família. Depois eles mesmo reconhecem que deveriam ter agido de outra forma. É triste você perder alguém perto de você”, diz.

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