Alto Tietê: Moradores que dependem da farmácia de alto custo reclamam da falta de medicamentos

Além disso, a lotação no local e a demora nos atendimentos também fazem parte das queixas de grande parte dos pacientes. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirma que os remédios oferecidos para a população são adquiridos conforme a solicitação que é feita pelas unidades de cada região.

Local cheio e atendimento demorado, essa é a realidade da farmácia de alto custo de Mogi das Cruzes. Além dessas queixas, as pessoas que buscam o serviço da farmácia também reclamam da dificuldade em conseguir os medicamentos.

O aposentado Mário Aparecido Cirillo é um exemplo dessa realidade. Há nove anos ele descobriu que tem o Mal de Parkinson e precisou sair da indústria química em que trabalhava em Suzano por causa das suas mãos que estavam perdendo parte do movimento.

“Toda vez que eu ligo na farmácia para saber se eles têm o remédio que ajuda a manter o controle da doença, eles dizem que ainda não chegou, que a previsão é de que vai chegar na próxima semana, próxima quinzena e nunca chega”, diz.

“Já fiz uma coleção de quinzenas e o remédio nunca vem. Só uma pessoa que tem Parkinson sabe a falta da medicação”.
Uma saída do aposentado foi comprar o remédio mas, como não são todas as farmácias que vendem, Cirillo acabou encontrando o medicamento em Indaiatuba, há 170km de sua residência. “O remédio custa cerca de R$ 200, R$ 250 cada caixa – eu tomo oito por mês -. Então fora esse valor, também precisei gastar com a retirada e entrega do produto na minha casa”, conta.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que entrou em contato com o Odair para informar que já estavam sabendo da falta do medicamento que ele precisa. Além disso, a secretaria solicitou que o aposentado buscasse o médico que o diagnosticou para que ele fizesse o encaminhamento de outro medicamento.

Ainda segundo a Secretaria, o medicamento que o aposentado precisa é de responsabilidade do Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual só faz a distribuição. A equipe de produção do Diário TV 1ª Edição ligou três vezes para o Ministério para questionar a falta da medicação e não obteve resposta.

Outro exemplo dessa dificuldade em conseguir os remédios é o pintor Odair de Moura Carvalho, que tem uma doença autoimune que afeta seus órgãos e a pele, e está sem os medicamentos desde novembro do ano passado.

“Eu necessito desses medicamentos porque, sem eles, a doença começará a afetar os meus órgãos internos. Há um mês e meio eu fui internado, fiquei praticamente cinco dias intubado porque os meus rins estavam parando de funcionar”, conta.
Por nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que as farmácias de alto custo da região atendem cerca de 32 mil pacientes por mês. Os remédios oferecidos para a população são adquiridos conforme a solicitação que é feita pelas unidades de cada região. Ao todo, 300 remédios são oferecidos pelas farmácias. Desse total, 128 medicamentos são ofertados pelo Ministério da Saúde.

Já segundo os atendimentos, a secretaria informa que o agendamento prévio agiliza o contato.