Internas relatam agressões e drogas em clínica de reabilitação fechada em Itaquaquecetuba

Internas relatam agressões e drogas em clínica de reabilitação fechada em Itaquaquecetuba

Operação coordenada pelo Ministério Público fechou clínica que atendia a mulheres 38 mulheres nesta quarta-feira (9). Há inclusive um relato de estupro no local.

Agressões diárias, monitores que usavam drogas e até um estupro estão entre os relatos de pacientes de uma clínica de reabilitação para dependentes químicas clandestina fechada nesta quarta-feira (9), em uma operação coordenada pelo Ministério Público, em Itaquaquecetuba.

Uma das pacientes, de 33 anos, que preferiu não se identificar, ficou no local por quase dois meses e afirmou que chegou a ter mãos e pés amarrados. As marcas ficaram no corpo dela.

“Eu entrei no dia 17 de outubro. Minha primeira semana foi apanhando. Era pau e polenta, por tudo e por nada. As agressões eram injustas. Teve outra menina abusada sexualmente. Eles dopavam e depois abusavam das pessoas”, lembra.

Uma outra mulher que também tentava se livrar do vício na mesma clínica relatou que as agressões também eram psicológicas. “Lá aconteciam agressões verbais, psicológicas, agressões entre as meninas”, diz.

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As denúncias sobre a clínica inaugurada há oito meses e que atendia a 38 mulheres chegaram ao Ministério Público e, nesta quarta, o espaço foi lacrado na operação feita em parceria com a Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar.

A Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres de Itaquaquecetuba também acompanhou a operação pra retirar as internas.

“No primeiro momento eu já percebi que elas estavam muito assustadas e, mesmo assustadas, elas perceberam que houve o socorro, que chegou a salvação para elas”, diz a acolhedora Helena Domingues Gualberto.

Cinco pacientes estiveram na delegacia para confirmar as denúncias. Elas foram recolocadas em clínicas da região e algumas voltaram para casa.

As famílias pagavam entre R$ 600 e R$ 800 por mês pela internação, que prometia a recuperação de vícios em droga e álcool, mas segundo o Ministério Púbico, a clínica funcionava de forma clandestina.

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A dona da clínica não quis se identificar e falou ao Bom Dia Diário sem aparecer. Ela diz que nunca presenciou nada de errado e que abriu a clínica a pedido do filho, que também é dependente químico. A proprietária afirma que no início eram pessoas recuperadas que trabalhavam no local.

“Logo no início, que abriu a clínica, o meu filho levou algumas pessoas pra lá, ajudando na clínica. Essas pessoas que ele levou eu tive que mandar embora, não gostava da forma de abordar os pacientes, forma de gritar”, diz.

Uma outra paciente afirma que havia consumo de drogas dentro da clínica. “Os monitores mesmo eram usuários de drogas, bebiam ‘corote’. Estavam em uso e falavam que a gente era doente e eles mesmo usando a droga. Já teve droga na unidade'”, disse.

O Conselho Tutelar investiga a suspeita de que uma das pacientes, menor de idade, tenha fugido quando o local foi interditado.

O caso foi registrado como cárcere privado e maus-tratos.

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