Para combater pobreza menstrual, escola de Itaquaquecetuba doa kits de higiene às alunas: ‘Também é saúde’

Para combater pobreza menstrual, escola de Itaquaquecetuba doa kits de higiene às alunas: ‘Também é saúde’

Kit inclui absorventes e outros itens essenciais para a higiene das meninas. Objetivo é garantir que elas tenham mais dignidade durante esse período.

Uma escola de Itaquaquecetuba desenvolveu um projeto que está doando kits de higiene para as alunas. O objetivo é, principalmente, combater a pobreza menstrual e garantir que as meninas tenham mais dignidade durante esse período.

Nos kits, os absorventes são entregues com outros itens essenciais, como shampoo, condicionador, escovas de dente, entre outros. A ação é desenvolvida pela Escola Estadual Vereador Durval Evaristo dos Santos e, embora pareça simples, a iniciativa mostra que essa é uma questão de saúde pública.

Os responsáveis também deram orientação às alunas sobre o uso adequado e a importância da higiene na rotina diária. Uma forma de conscientizar e dar acesso a produtos e hábitos essenciais para a saúde das jovens, como afirma a diretora Nadir Godói.

“Nós queremos fazer essa doação para todas as meninas da escola, que é um total de 547 adolescentes na faixa etária de 11 a 17 anos. Nós estamos em um período de solidariedade, então nós pensamos pensar no outro em todos os sentidos, não só na alimentação”.

Anúncio Patrocinado

“A higiene também é saúde, então nós temos que pensar de uma forma global” , afirma a diretora.

A Edna Alves dos Santos é inspetora na escola e conta que sempre ajuda as alunas que precisam de absorventes durante o horário escolar.

“Ia lá no armário, dava um absorvente para elas e elas saíam toda alegres. Eu falava: ‘no mês que vem, não deixa acontecer isso’. Quando era no mês que vem, vinham sempre as mesmas: ‘ai, dona Edna, não deu para o meu pai comprar, minha mãe, porque a gente está em dificuldade. Eu falei: ‘não tem problema, a escola tem’”, relembra a inspetora.

A falta de absorventes, aliás, é comum entre as meninas. A direção percebeu isso também durante a pandemia, em que algumas iam à escola somente para pedir o produto.

As alunas Adriele Alcântara e Ana Alice Vitória, ambas do 2º ano do ensino fundamental, receberam os kits da campanha e ficaram felizes em poder levar tanta coisa para casa.

“Eu achei importante essa doação, porque tem famílias, como a minha, que tem bastante menina. Tem famílias que não tem condições de estar comprando para todas. Como a escola está fazendo essa doação, achei importante”, diz Adriele.

Anúncio Patrocinado

“Ajuda bastante. Eu gostei muito de o colégio proporcionar isso e estar mostrando para as pessoas a importância da doação”, completa Ana.

Condições precárias

Segundo a Unicef, a pobreza menstrual é caracterizada pela falta de acesso a recursos, infraestrutura e até de conhecimento dos cuidados envolvendo a própria menstruação. Isso afeta brasileiras que vivem em condições de pobreza e situação de vulnerabilidade em áreas urbanas e rurais.

Um estudo aponta ainda que, no Brasil, 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio. Mais de 4 milhões não tem acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas, com o explica a oficial de desenvolvimento e participação de adolescentes da Unicef no Brasil, Rayanne Máximo.

“A gente entende que ao mesmo tempo que nós temos o aumento da Covid, todo esse rastro que a Covid deixa durante esse período da pandemia, ela aumentou a pobreza. Consequentemente, com a pobreza, a gente vai ter uma deficiência nutricional, a nossa renda diminuiu. O estudo que nós fizemos é lançado juntamente com o fundo de população das Nações Unidas e Unicef, ele não tem uma característica desse olhar para a pandemia, mas ele olha a pobreza”, diz.

“A partir do momento que nós temos pessoas mais pobres, essas pessoas vão pensar, principalmente, na sua segurança alimentar e, posteriormente, elas começam a pensar nesses itens de higiene, que são a garantia mínima para que cada adolescente, cada mulher, possa viver de maneira digna o seu período menstrual””, completa Rayanne.

Além de campanhas como essa, que é realizada em Itaquaquecetuba, também é preciso políticas públicas inclusivas e que tratem o assunto como prioridade. Afinal, essa é uma questão de saúde pública.

Anúncio Patrocinado

“A gente percebe que há uma falta de orientação sobre o que é esse período e como ele é visto perante o dia a dia. A gente pode olhar a menstruação como uma coisa comum, porque todas nós passamos ou vivenciamos em algum momento uma pessoa que menstrua”.

“A menstruação não deveria ser um tabu para ser falado, mas a gente percebe que há muita desorientação, falta de informação e também algumas informações que elas também são falsas. Isso dificulta também a gente conseguir garantir essa dignidade menstrual para cada menina, cada adolescente”.

Programa de Dignidade Íntima

Pensando no combate à pobreza menstrual, o Governo do Estado de São Paulo lançou o Programa de Dignidade Íntima. O objetivo é distribuir produtos de higiene menstrual a alunas de escolas estaduais.

De acordo com o secretário estadual da educação, Rossieli Soares, muitas alunas perdem até 45 dias de aula por causa do período menstrual. O novo projeto deve beneficiar mais de 1,3 milhão de alunas com idades entre 10 e 18 anos.

“Todas as escolas terão acesso a esse recurso e um investimento de R$ 30 milhões. Nenhuma menina vai deixar de ir para a escola, no estado de São Paulo, por falta de condições, sejam quais forem”, afirma Rossieli.

“Nós temos ainda, no nosso Brasil e no nosso estado, pessoas que precisam ir para a escola para comer. Se a menina precisar ter ajuda, sim, ela vai ter em qualquer aspecto para ter acesso à educação”, conclui.

Anúncio Patrocinado
Subscribe
Notify of
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Artigos Relacionados

Outras Notícias

Alto Tietê Online Receba novidades e notificações na tela do seu dispositivo.
Não
Permitir Notificações