Após mais de oito meses de pandemia, população de Mogi das Cruzes se divide entre cuidados e relaxamento

Após mais de oito meses de pandemia, população de Mogi das Cruzes se divide entre cuidados e relaxamento

Para especialistas, falta de coordenação entre autoridades de saúde afetou o cenário da pandemia no país.

Mais de oito meses se passaram desde o início da pandemia do coronavírus (Covid-19) no Brasil. Atualmente, a região do Alto Tietê vivencia um período de maior flexibilização das atividades, mas a doença ainda oferece riscos.

Para especialistas em saúde da região, falhas cometidas pelas autoridades de saúde afetaram o enfrentamento à doença no país. Agora, a população devem manter os cuidados, enquanto os órgãos oficiais ainda têm tempo de evitar uma segunda onda da doença.

Em meio à pandemia, no centro de Mogi das Cruzes, ruas cheias. As máscaras são o acessório predominante, mas sempre tem alguém sem a proteção no rosto. Para alguns, a sensação é de que a pandemia já não assusta mais.

No entanto, há quem tente manter os cuidados, como é o caso da dona de casa Eliana Rodrigues. “Estou saindo pouco. Só para exame, para médico, de vez em quando, mas eu estou procurando horário que não está muito cheio. Como aqui é a aberto, está bem movimentado”.

Anúncio Patrocinado

Desde julho, o uso da máscara é obrigatório mesmo em ambientes abertos. No entanto, até quem vende o produto nas ruas parece não acreditar nele. Alguns vendedores ambulantes, simplesmente, optaram por não usar. Outras pessoas até utilizam, mas do jeito errado, sem cobrir boca e nariz.

Alana Cristina, por exemplo, alegou que tirou o acessório para respirar melhor. “Acabei não pondo. Estou com muita falta de ar”.

Evitar aglomerações e manter o distanciamento de pelo menos 1,5 metro de outras pessoas são outras recomendações para evitar o contágio. Por enquanto, não existe outra saída a não ser cada um fazer a sua parte.

“Eu sou daquelas que não abuso não. Tanto eu, como falo para minha filha, meu neto. O que a gente pode prevenir, a gente está prevenindo. Se todo mundo cooperasse, acho que não iria por muito tempo não. Mas, pelo que eu estou vendo, é só Deus que sabe”, comenta a dona de casa Célia Gonçalves.

Responsabilidade das autoridades

No Brasil a pandemia da Covid-19 já matou 162 mil pessoas. O primeiro caso foi em fevereiro e o país encarou, até agora, o pior momento entre o final de julho e começo de agosto.

Anúncio Patrocinado

Na Europa o primeiro pico da doença foi em março e o segundo oito meses depois. O especialista em administração de saúde Marcello Cusatis faz um comparativo entre outros países e o Brasil, que sequer saiu da ‘primeira onda’.

“O Brasil é um pais de dimensões continentais, então não existe uma fórmula mágica. A gente opinar, o que a gente mais faz é tentar opinar. O que eu entendo que faltou: uma coordenação nacional. O Ministério da Saúde teria que ser o grande maestro da pandemia. Ele teria que estar controlando dados nas cidades, nos estados, e ser o grande orientador das novas tecnologias e dos novos meios de integração de cuidado e combate à pandemia”, diz.

“Então, primeiro, acredito que nós falhamos em organização. Poderíamos ter, com certeza, nos organizado melhor. Obviamente, a pandemia é desconhecida, mas a organização nós temos. Temos profissionais, cientistas aqui do Brasil, que poderiam estar ajudando”, declara Cusatis.

Para o médico sanitarista Sérgio Zanetta, alguns posicionamentos políticos também foram prejudiciais para o enfrentamento da Covid-19. Ele acredita que é hora de valorizar o conhecimento técnico.

“Também temos o abuso de autoridades locais, na minha opinião, que anunciam vacinas quando elas não estão prontas. Todos vimos, em rede nacional, anunciar a vacina em São Paulo para novembro e para dezembro. Isso foi uma mentira. Eu qualifico, não há qualificação criminal para isso, mas do ponto de vista sanitário, como estelionato sanitário”, afirma Zanetta.

Anúncio Patrocinado

“Não falar a verdade contribui para jogar confusão entre a população. Ouso dizer que o discurso político prevaleceu sobre o discurso cientifico e técnico. É preciso retomar o ritmo cientifico e técnico na condução da pandemia no Brasil”, aponta o médico.

Os dois especialistas concordam que o Brasil não encarou a pandemia em ondas, porque os casos nunca deixaram de existir. Outro ponto em comum é a questão da testagem, que foi ampliada em outros países, como lembra Marcello.

“Nós demoramos muito para fazer uma testagem em massa. A China, por exemplo, subiu um pouquinho o número de casos porque eles foram lá e testaram quatro milhões de pessoas em cinco dias. Nós temos tecnologia aqui. Nós temos, por exemplo, o [instituto] Albert Einstein, que trabalha para o serviço público também, com um equipamento de testagem em massa enorme”.

Zanetta concorda, mas declara que é preciso colaboração das autoridades de saúde. “É preciso ampliar a testagem. Há condições de ampliar a testagem? Há. Mas elas exigem um trabalho coordenado, principalmente, pelo Ministério da Saúde”, diz.

“O que temos visto é que há um trabalho contra o sistema de saúde feito nas entranhas do próprio Ministério da Saúde. O próprio Ministério da Saúde tem contribuído para criar problemas ao sistema. Esta não é uma opinião. Isso são fatos”, conclui o médico.

Anúncio Patrocinado

Existem vários estudos em busca da vacina contra a Covid, inclusive no Brasil. No entanto, nenhuma tem a confirmação de ficar pronta ainda este ano. Até lá, a recomendação é usar sempre a máscara, manter o distanciamento e evitar aglomerações.

Subscribe
Notify of
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Artigos Relacionados

Outras Notícias

Alto Tietê Online Receba novidades e notificações na tela do seu dispositivo.
Não
Permitir Notificações