Moradores de Mogi ficam indignados com a prisão de vereadores e empresários por suspeita de corrupção

Vereadores e empresários foram detidos na sexta-feira durante uma operação do Ministério Público.

A população de Mogi das Cruzes está indignada com a prisão de vereadores e de empresários, suspeitos de corrupção. Eles foram detidos na sexta-feira (4), em uma operação do Ministério Público.

O aposentado Adair Monteiro ficou tão indignado com prisão dos vereadores que não pretende votar nas próximas eleições municipais. “Eu tenho 72 anos e pretendo não participar mais.”

Já a cozinheira Sandra Aparecida da Silva afirma que se sente roubada. “Porque o Brasil é rico. Mas quem comanda não sabe aproveitar.”

Os vereadores presos são Carlos Evaristo da Silva (PSB), Diego de Amorim Martins (MDB) – o Diegão, Francisco Moacir Bezerra (PSB), Jean Lopes (PL) e Mauro Araújo (MDB).

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Também foram presos, segundo a promotoria, Carlos César Claudino de Araújo, empresário e irmão de Mauro Araújo, que seria o operador financeiro do esquema; e os empresários Joel Leonel Zeferino e Willian Casanova, do ramo da construção civil, sendo que o último também é funcionário da Câmara.

As prisões fazem parte da operação “Legis Easy”, da Promotoria do Patrimônio Público, e envolvem, ao todo, 12 mandados de prisão, sendo que 9 foram cumpridos. A suspeita é de que os empresários compravam apoio para aprovar leis encomendadas por eles.

De acordo com o Ministério Público,o vereador Antonio Lino (PSD) e Pablo Bezerra, filho do vereador Francisco Bezerra, são considerados foragidos, pois já apresentaram advogados e estão cientes do mandado de prisão contra eles.

No final de semana, a Justiça negou o pedido de habeas corpus de dois vereadores de Mogi das Cruzes e um empresário investigados pelo Ministério Público por suspeita de corrupção, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Estado, o vereador Mauro Araújo (MDB), pediu que a preventiva fosse convertida em domiciliar.

Já o empresário Joel Leonel Zeferino, que também está preso, solicitou liberdade provisória. O vereador Antônio Lino (PSD), considerado foragido pelo MP, pediu a revogação da prisão preventiva.

Os três pedidos foram indeferidos neste sábado (5) pelos desembargadores Zorzi Rocha e Claudio Marques do Tribunal de Justiça. O G1 tenta entrar em contato com as defesas dos suspeitos.

Neste sábado, a polícia também prendeu o assessor do vereador Diego de Amorim Martins (MDB). André Alvim de Matos, conhecido como Gordão, foi detido no Mogi Moderno. Segundo informações da Polícia Militar, ele não apresentou resistência.

“A gente tá tão acostumado a receber notícias assim de políticos que fazem falcatruas e tal, mas quando chega perto da gente em nossa cidade aí dói mais, afeta muito mais a gente. Então, é muito triste isso”, afirma o químico Daniel Bisan.

Prisões e investigação

Os vereadores presos preventivamente são:

  • Carlos Evaristo da Silva (PSB);
  • Diego de Amorim Martins (MDB) – o Diegão
  • Francisco Moacir Bezerra (PSB);
  • Jean Lopes (PL);
  • Mauro Araújo (MDB).

Também foram presos, segundo a promotoria, Carlos César Claudino de Araújo, empresário e irmão de Mauro Araújo, que seria o operador financeiro do esquema; e os empresários Joel Leonel Zeferino e Willian Casanova, do ramo da construção civil, sendo que o último também é funcionário da Câmara.

O Ministério Público ainda informou ao G1 que o vereador Antonio Lino (PSD) e Pablo Bezerra, filho do vereador Francisco Bezerra, são considerados foragidos, pois já apresentaram advogados e estão cientes do mandado de prisão contra eles.

Os presos, com exceção do vereador Francisco Bezerra, o Chico Bezerra, foram levados à cadeia da cidade, onde permanecerão em prisão preventiva. Bezerra, que passou mal durante a operação, ficará em prisão domiciliar por conta de um problema de saúde, segundo a polícia.

As prisões fazem parte da operação “Legis Easy”, da Promotoria do Patrimônio Público, e envolvem, ao todo, 12 mandados de prisão, sendo que 9 foram cumpridos. A suspeita é de que os empresários compravam apoio para aprovar leis encomendadas por eles.

A ação é continuidade de uma operação realizada no gabinete do vereador Mauro Araújo em novembro de 2019, quando houve a apreensão de celulares e documentos. Também foi decretada a quebra de sigilo bancário.

De acordo com a promotoria, a investigação aponta corrupção na Câmara e em contratos com a Secretaria Municipal de Saúde de Mogi das Cruzes e com o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae).

Por meio de cruzamentos de dados entre conversas de WhatsApp, documentos e quebra de sigilo bancário, a promotoria identificou três empresas usadas para lavar dinheiro e quem eram os beneficiados pelos repasses financeiros.

São elas a WA, de Mauro Araújo; a MLC do irmão dele, Carlos César Claudino de Araújo; e a Casanova Mix, uma empresa da área de materiais de construção de Willian Casanova. As empresas, segundo a investigação, repassavam dinheiro para outros vereadores.

A verba servia para comprar apoio na Câmara para aprovar leis encomendadas pelos empresários, de acordo com o MP. As empresas em contrato com a administração pública repassavam os valores para empresas ligadas a Mauro Araújo que, depois, encaminhava aos vereadores.

O Ministério Público detalhou que o vereador Francisco Bezerra contratou a empresa Fundação ABC para gerir o Hospital Municipal de Brás Cubas e a Fundação ABC contratou a empresa do filho de Bezerra para gerir um equipamento de saúde em Santos.

Depoimentos

Durante o depoimento, segundo o MP, Mauro Araújo declarou que o dinheiro que ele repassou para os vereadores foi de empréstimo. Os vereadores teriam confirmado a versão e dito que receberam empréstimos de Araújo.

Joel Leonel Zeferino foi o único empresário ouvido pelo Ministério Público. Ele declarou que pagou despesas para Mauro de viagens, entre outras coisas, porque são amigos. O MP apontou que o dinheiro veio por meio do Semae. Na segunda fase da operação, o objetivo é saber se alguém da autarquia está envolvido no esquema.

O Ministério Público detalhou que esse dinheiro veio por meio de uma empresa que era de José Pedro Beraldo, que já morreu, mas esse contrato continua. Além disso, o MP informou que foi a empresa de Zeferino que fez a minuta da lei de uso e ocupação do solo de número 7.201. Essa lei iria beneficiar o empresário que atua no ramo da construção civil.

O MP explicou que não é errado um empresário atuar no ramo dele e que, neste caso específico, o problema está no empresário fazer um projeto da lei de uso e ocupação do solo da cidade, sendo que é do ramo dele e, assim, seria beneficiado com isso.

Posições

O vereador Diego de Amorim Martins (MDB) informou, por meio de nota, que não sabia o que estava acontecendo quando foi levado ao Ministério Público. “Sabia que não tinha feito nada de errado e, portanto, pensei que iria ao MP apenas para depor. Só me dei conta de que realmente ficaria detido depois”, disse.

“Estranho que isso tenha acontecido próximo às eleições e reafirmo que irei provar minha inocência, afinal, até agora meu trabalho só tem sido pautado por ações positivas e justas e não tenho nenhuma passagem criminal”, declarou.

A defesa de Mauro Araújo informou que está à disposição da Justiça para que os fatos sejam apurados o mais breve possível. “Aguardamos informações para os próximos passos, mas estamos tranquilos e confiantes de que a verdade em breve será estabelecida. Confiamos nas instituições, principalmente no poder judiciário”, completa a nota.

O gabinete de Jean Lopes também se manifestou sobre o caso e disse que está trabalhando nas medidas legais cabíveis para o esclarecimento do caso e a liberdade do vereador. “Compreendemos que a prisão foi equivocada e ilegal. A marca de seu mandato sempre foi a da probidade, transparência e honestidade, lutando pelos direitos dos cidadãos de nossa querida Mogi das Cruzes”. Destacou, ainda, que não há indícios no processo que vinculem Jean Lopes a quaisquer atos ilícitos ou imorais.

A defesa do vereador Chico Bezerra e de seu filho Pablo Bezerra disse que teve acesso à investigação do Ministério Público e afirmou que “todos os fatos a eles imputados encontram-se desvinculados daquilo que foi originariamente investigado. O desenrolar do procedimento servirá para comprovar a inocência dos dois”.

O advogado Dirceu Câmara Valle, que representa o empresário Leonel Zeferino, havia dito na sexta-feira (4) que buscaria revogar a prisão. Declarou também que: “os esclarecimentos já foram prestados pelo empresário Leonel Zeferino, inclusive com documentos, e também os esclarecimentos que foram prestados pelas autoridades políticas ouvidas, acredito que não há nenhuma substância mais na acusação”.

A Câmara Municipal de Mogi das Cruzes informou que recebeu da Justiça, na tarde desta sexta-feira (4), uma determinação de afastamento do vereador Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho (PSB), em razão de prisão preventiva na modalidade de prisão preventiva domiciliar, e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações no processo que segue sob sigilo judicial. De acordo com a Câmara, sobre os demais fatos, não foi oficialmente notificada, ficando impossibilitada de se pronunciar a respeito.

A Fundação do ABC informou que não foi procurada pelo Ministério Público para prestar nenhum tipo de esclarecimento sobre seus contratos e que desconhece o teor da investigação realizada em Mogi das Cruzes.

A fundação disse também que é responsável pela gestão da UPA Central de Santos, unidade que deu início a contrato com a empresa São Francisco Gestão e Terceirização de Serviços em Saúde em junho de 2018, vencedora do certame público S0049/2018.

“A gestão da Fundação do ABC no Hospital Municipal de Mogi das Cruzes teve início somente um ano mais tarde, em junho de 2019, após a FUABC apresentar a melhor proposta de trabalho e sagrar-se vencedora do chamamento público N° 002/2019, da Secretaria Municipal de Saúde de Mogi das Cruzes, cujo objeto é o gerenciamento, operacionalização e execução dos serviços de saúde da unidade hospitalar. Apesar de não ter sido procurada, a Fundação do ABC adianta que está à disposição para prestar todo e qualquer esclarecimento que se faça necessário”.

Os outros suspeitos também foram procurados, mas não enviaram posições.

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