Número de nascimentos em 2021 foi o menor na história do Alto Tietê, segundo cartórios

Índice observado no ano da pandemia foi o mais baixo desde o início da série histórica, em 2003. Em contrapartida, total de mortes foi o mais alto de todo esse período.

Em 2021, ano em que a Covid-19 impactou as estatísticas vitais de todo o mundo, o número de nascimentos registrados pelos cartórios do Alto Tietê foi o menor da história.

Segundo dados da Associação de Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), a região ganhou 20.871 novos moradores. Foram 1,6 mil a menos do que em 2019, antes da pandemia.

Em contrapartida, o total de óbitos atestados ao longo do ano passado foi o mais alto desde o início da série histórica, em 2003 (confira os gráficos abaixo).

O levantamento inclui números de Arujá, Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano.

Ainda de acordo com a Arpen, os dados consideram os locais de registros e, não necessariamente, onde as pessoas viviam.

Nascimentos registrados nos cartórios do Alto Tietê

Nunca se viu tão poucos nascimentos nos municípios do Alto Tietê como em 2021. Até então, o índice mais baixo era o de 2009, quando os cartórios registraram 21.083 nascidos vivos. O número observado no ano passado indica uma queda de 5,7% em relação à média dos últimos 18 anos.

Na comparação entre os meses, março foi o que mais bebês vieram ao mundo. Foram 1.968 somando as dez cidades. Já dezembro foi o que registrou o patamar mais baixo, com 1.541 (confira abaixo os números por mês da pandemia).

Óbitos atestados nos cartórios do Alto Tietê

Entre os óbitos, o índice já seguia uma tendência de alta desde o início da série histórica, atingindo seu pico no ano da pandemia. Apesar disso, o número inclui mortes de todos os tipos, sejam elas provocadas por doenças, resultadas de ações violentas, acidentais ou naturais.

Em 2020, a chegada da Covid-19 já havia acelerado o crescimento do indicador. Porém, de um ano para o outro, o salto foi ainda maior. Foram cerca de 18,8% mais vidas perdidas nas cidades do Alto Tietê. O crescimento é de 52,3% sobre a média observada desde 2003.

Impactos da pandemia

No primeiro semestre de 2021, os cartórios de Mogi das Cruzes tiveram mais registros de óbito do que nascimentos. O cenário, registrado pela primeira vez na história da cidade, é um dos exemplos do impacto da pandemia nas estatísticas vitais da região e, consequentemente, do país.

Na época, o oficial de registro civil do Cartório de Jundiapeba, Rodrigo Napolitano, disse em entrevista ao g1 que, além da alta nas mortes – que atingiram números recordes ao longo do ano – a escolha da população em adiar ou evitar a gravidez também é responsável por esses índices.

“Ao mesmo tempo, [tivemos] a diminuição do registro de nascimentos, por uma questão de planejamento familiar. No período de pandemia, as pessoas querem evitar ter filhos. As pessoas adiam esse plano de ter filhos por questão de ter que enfrentar hospitais, incertezas financeiras, todos esses aspectos”, comenta.

Nascimentos e óbitos registrados nos cartórios do Alto Tietê durante a pandemia