Pandemia faz despencar matrículas em escolas e universidades particulares do Alto Tietê

Pandemia faz despencar matrículas em escolas e universidades particulares do Alto Tietê

Pesquisa aponta que nas escolas particulares queda foi em média de um terço.

Uma pesquisa realizada por uma consultoria de gestão escolar aponta que as escolas particulares perderam com a pandemia um terço das matrículas em todo o país. O relatório foi feito com dados coletados em mais de 1,2 mil escolas entre setembro de 2020 e abril de 2021. No Alto Tietê tem escolas que perderam mais alunos do que revela a pesquisa.

Na escola em que Renato Moretti Pereira de Faria é diretor, a pandemia mexeu com o quadro de alunos. Mas o impacto não foi nada fora do normal.

“Como houve uma diminuição na circulação de pessoas na cidade, houve uma diminuição na visitação do colégio, então essa capacitação de novos alunos ficou mais delicada e ela se estendeu. Cada vez que você tinha um retorno de atividade, aumentava a visitação. Em janeiro, por exemplo, foi muito pouca a visitação que a gente teve. Em fevereiro, com as aulas iniciadas, a gente retomou essa visitação e a escola teve que fechar de novo”, avalia Moretti.

Todos os anos ele precisa buscar em média 30 alunos para repôr os que se formaram no nono ano e no ensino médio.

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“Ainda hoje eu recebi uma ligação de mãe para trazer criança para se matricular. A gente diz até que o período de matrícula se estendeu. A gente tinha uma curva de matrículas que começava em outubro e que ia de janeiro até fevereiro, e a gente está em maio e ainda em campanha de matrícula. Eu acredito que agora, com esta retomada, a gente consiga atingir, porque tem uma nova movimentação”, destaca.

Outro colégio particular de Mogi das Cruzes já chegou a ter 200 alunos e hoje são 40 apenas.

“Infelizmente é um número muito significativo e o pior disso é que o estado não está conseguindo dar conta da quantidade de alunos que saem da rede privada e vai para a rede pública”, conta o proprietário, Pablo Monteiro.

Por causa da redução, o proprietário teve que demitir alguns funcionários e não tem precisão de melhoras em um curto prazo, por causa do cenário econômico e a taxa de vacinação contra a Covid 19.

“Nós só podemos acreditar em uma volta completa com uma cobertura vacinal grande, vacina para todos. Para os professores e alunos. Temos aí o caso dos EUA com adolescentes de 12 a 16 anos que já são vacinados. Mas a projeção do segundo semestre ela continua não sendo boa. Mas a nossa projeção é de crescimento e retomada de 2022, se houver vacinação. Mas o passo está tão lendo que é capaz de entrarmos o ano com uma pandemia ainda acentuada no Brasil”, destacou.

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Universidades

As universidades privadas de todo o país, onde estão quase 80% dos estudantes do nível superior, passaram a relatar perdas de alunos. De acordo com o levatamento realizado pelo Sindicato das Mantenedoras do Estabelecimentos de Nível Superior (Semesp), só em São Paulo 858 mil alunos deixaram de cursar graduações.

Rodrigo Capelato, diretor-executivo do Semesp, detalha que a situação ainda é bastante complicada, porque resulta de uma série de fatores. O principal deles foi a impossibilidade de frequentar as aulas presencialmente, sobretudo os mais jovens que buscam o ambiente universitário.

“Muita gente não conseguiu se adequar ao formato, mas junto a isso teve a crise econômica forte, que impactou na desistência de muitos alunos, enquanto muitos postergaram o retorno para quando voltarem as aulas presenciais”, destaca.

O diretor-executivo diz que as universidades estão tentando realizar as aulas remotas de forma mais interativa, com outras metodologias, a fim de entender que não é uma simples transposição do modelo presencial para o remoto. A mudança depende de professor mais dinâmico, com aulas mais curtas.

“Você tem alunos entrando em períodos diferentes. Foi feita uma modulação do currículo. Por exemplo o aluno que estava esperando o Enem para entrar em abril, em relação ao que entrou em fevereiro e não tem um problema com o currículo, porque eles são modulares, e o apoio financeiro por meio de bolsas, sejam sociais ou por mérito acadêmico, ou financiamento próprio, já que o governo não tem nenhum programa de incentivo para os jovens mais carentes”, explica.

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Moretti acredita ainda que a situação tende a melhorar porque hoje, além das aulas teóricas, existe a impossibilidade de frequentar as aulas práticas.

“Os cursos da área de saúde estão liberados para isso, mas os cursos das áreas de tecnologia, engenharia, gastronomia, uma série de áreas que estão proibidas de frequentar. Podendo voltar ao menos com as aulas práticas presenciais, já melhora o cenário. Já no ano que vem deve ter uma melhora mais efetiva, com a vacinação e atendimento dessa demanda que ficou reprimida”, avalia.

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