Suzano inicia projeto-piloto para monitorar em UBS casos de violência doméstica ou sexual

Com a pandemia e o aumento na convivência dentro de casa, a prefeitura notou um aumento nos indicadores desses crimes.

A Prefeitura de Suzano realiza um projeto-piloto em quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS) para monitorar casos de violência doméstica e sexual.

Neste período de pandemia, em que as pessoas estão ficando mais tempo em casa, os casos de violência envolvendo mulheres, crianças ou idosos têm aumentado.

Para auxiliar de limpeza Renata dos Santos, quando se trata de violência contra as mulheres, a legislação deveria ser mais rígida. “Ela faz a ocorrência e pede para ele se manter longe, mas o opressor não quer saber se vai se manter longe ou não. Ele quer pegar ela. Tem vezes que não consegue dar essa proteção para a mulher”, avalia.

De acordo com a Prefeitura de Suzano, houve aumento no número de notificações de violência doméstica e sexual durante a pandemia.

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De janeiro a abril deste ano, a Patrulha Maria da Penha do município atendeu, por exemplo, 11 casos de violência doméstica e oito de medida protetiva.

Para tentar diminuir as ocorrências, a rede básica de saúde implantou o projeto Monitoramento do Cuidado.

A diretora de Atenção Básica, Flávia Verdugo, explica que cada unidade terá um profissional de referência para fazer um link junto à equipe de atenção à vítima de violência doméstica e sexual.

“Nós teremos esse atendimento em conjunto, classificando os casos, a gravidade, para a intervenção ser qualificada e o caso não ficar solto na rede”, detalha.

Na primeira etapa do projeto foram implantadas quatro redes de monitoramento em algumas Unidades Básicas de Saúde de Suzano. Uma delas, a do Parque Maria Helena, está acompanhando, segundo a Prefeitura, 30 casos de violência.

Na unidade Nakamura, em Miguel Badra, foram identificados 22 casos. Já na UBS Stelina Maria Barbosa, no mesmo bairro, foram 36 casos e na UBS Dr. André Cano Garcia, na cidade Boa Vista, são 35 casos.

“Iniciará nessas unidades o projeto-piloto, porque a ideia é a implantação de núcleos de prevenção nessas unidades para depois passar para toda a rede”, conta.

O objetivo da prefeitura é que o projeto seja implantado nas 24 unidades básicas de saúde.

A dona de casa Evelyn Oladia diz que é muito importante que haja essa opção para as mulheres. “Para que ela consiga dizer o que sente. Não só o físico e o emocional. Quando machucam a mulher, machuca os filhos e toda a família”, ressalta.

Mais informações sobre o projeto pelo telefone 4745-2107.

Mogi das Cruzes

Em Mogi das Cruzes, um trabalho de acompanhamento é feito pela ONG Recomeçar, que atende mulheres em situação de violência em risco iminente de morte. De acordo com a presidente e coordenadora da ONG, Rosana Pierucetti, o trabalho que começou com a orientação, acabou sendo ampliado para o acolhimento sigiloso da vítima.

“O primeiro passo é sempre a denúncia da denúncia da violência que ela e os filhos estão sofrendo, porque ela vai para o acolhimento acompanhada ou não com os filhos. Os locais que atendem essas vítimas já têm o nosso telefone. Os casos mais complicados, a Guarda Municipal e a Patrulha Maria da Penha nos acompanham até um trecho, porque nem eles mesmo sabem onde fica o acolhimento”, detalha.

No acolhimento ela tem o atendimento integral com advogada, assistente social e também de saúde, com o objetivo de ajudá-la a levar a vida sem as ameças que ela sofre.

“A principal ameça hoje é a questão habitacional e de dependência financeira. Ir em um local para morar, depois do local em que ela estava, essa tem sido uma grande dificuldade e é uma luta nossa com o poder público para que se efetive mais e ela tenha a liberdade financeira e não dependa do pai dos filhos”, explica Rosana.

O trabalho é mantido com parceiros, redes de mulheres de Mogi que ajudam além da renda do governo, que ajuda a mulher a alugar alguma casa. A ONG ajuda ainda no encaminhamento ao mercado de trabalho.

“A diferente que nós tínhamos [na pandemia]é que a mulher passou a sofrer mais essa violência, que já existia, e só aumentou, mas as mulheres tiveram mais dificuldade para acessar os serviços”, detalha.

A ONG oferece o telefone 99948-3595 para o contato via WhatsApp, de modo que a vítima não precise falar ao telefone. Além do telefone 2598-9323 para mais informações.

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