
Por: Luana de Souza

PEC aprovada pelo Senado prevê dois dias de descanso remunerado por semana e redução gradual da jornada de 44 para 40 horas, sem corte salarial
O fim da escala de trabalho 6×1 avançou no Congresso Nacional. O Senado Federal aprovou, na quarta-feira (14), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê dois dias de descanso remunerado por semana e a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários.
Apesar da aprovação, a mudança ainda depende da promulgação da emenda constitucional para começar a produzir efeitos. Como os senadores mantiveram o texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, a proposta não precisa retornar para uma nova votação entre os deputados.
A implementação será gradual. O texto prevê que as empresas terão 60 dias após a promulgação para adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada semanal de 44 para 42 horas. Depois de mais 12 meses, o limite cairá para 40 horas semanais.
A nova regra não entra em vigor imediatamente após a aprovação no Senado. O prazo começa a contar a partir da promulgação da emenda constitucional.
Após 60 dias, os empregadores deverão garantir cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado por semana, além de limitar a jornada a 42 horas semanais.
A redução continuará no período seguinte, até atingir 40 horas semanais. Ao todo, a transição prevista é de 14 meses, contados a partir do início da vigência da emenda.
Caso a promulgação ocorra ainda em outubro de 2026, a primeira etapa poderá começar em dezembro deste ano. A data exata, porém, depende da publicação oficial da emenda.
A principal alteração é a substituição do modelo de seis dias de trabalho para um de descanso por uma jornada organizada em cinco dias de trabalho e dois de folga.
Confira as mudanças previstas:
Durante o período intermediário, entre a primeira redução e a implantação das 40 horas semanais, a distribuição das horas deverá respeitar o limite semanal previsto no texto aprovado.
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2025, estima que a mudança poderá beneficiar 26,8 milhões de trabalhadores que cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais.
Desse total, aproximadamente 22 milhões são trabalhadores formais, enquanto 4,8 milhões estão na informalidade.
A aplicação da nova regra e eventuais regimes específicos deverão observar o texto promulgado e a legislação correspondente. Trabalhadores terceirizados da administração pública terão uma regra de transição diferenciada, conforme a proposta aprovada.
Com a aprovação em dois turnos no Senado, a PEC segue para promulgação pelo Congresso Nacional. Somente depois dessa etapa será possível estabelecer a data de início da vigência e contar os prazos para a implementação das novas regras.
Até que a emenda entre em vigor, os trabalhadores e as empresas devem observar a legislação trabalhista atualmente aplicável.
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